Buscar

Abril/Maio de 2022

Atualizado: 18 de abr.


97-Ano XXXVII-AVB-ABRIL-MAIO de 2022
.pdf
Download PDF • 880KB

Ano XXVIII - Nº 97


Neste Boletim:



  • A “Porta do Céu”

  • Recados do Pai

  • Excertos d’O Grande Evangelho de João

  • Um Pouco de História





Disse Jesus:

Está escrito nos profetas:

Todos serão instruídos por Deus. Todo aquele que ouviu e aprendeu

do Pai vem a Mim.

(Evangelho de João 6:45)




A PORTA DO CÉU


O desconhecimento do que se passa no chamado ‘Além’ leva a maioria das pessoas a desdenhar da vida após a morte.

O Céu para os santos, o Inferno para castigar os pecadores maldosos, o Purgatório para os mais ou menos pecadores, ou o Limbo para os inimputáveis – estas teorias fazem a maioria das pessoas desdenhar da realidade que nos espera quando deixarmos os nossos corpos físicos.

Mesmo a cristandade, nas suas diversas vertentes teológicas, criou um conceito de Vida Eterna que está muito afastado da realidade e leva os homens a viver a sua existência física, desprezando as coisas espirituais e até mesmo Deus.

No nosso meio, principalmente nos últimos três anos, o Senhor Jesus tem-nos presenteado com mensagens espirituais, às quais demos o nome de Recados do Pai. Nestas “cartas” enviadas do Céu pelo nosso Pai, temos sido alertados para valorizarmos a nossa vida espiritual e buscarmos o poder do Espírito Santo, em detrimento das coisas materiais. Esta busca espiritual vai-nos capacitando, na medida do nosso interesse, em conhecer Verdades Eternas que para nós estiveram ocultas até alguns anos atrás, mas depois os nossos olhos foram abertos para realidades que desconhecíamos e que nos deslumbraram pela sua grandiosidade – A Nova Revelação Viva.

As mensagens que nos são transmitidas pelo Senhor são partilhadas com irmãos e amigos que têm mostrado interesse em recebê-las. Todos os Recados do Pai corroboram os ensinos registados na Bíblia Sagrada e entrelaçam-se com a Nova Revelação Viva, que esclarece muitos pontos menos claros ao nosso entendimento.

Ao longo dos anos da existência deste boletim, temos inserido em cada exemplar, uma destas mensagens. Na mensagem de hoje, somos alertados pelo Senhor: Quando a trombeta soar (quando a revelação for transmitida), todos se enfileiram para ver a Minha Glória, mas muitos serão os que não ouvem. Esses continuarão alheios de tudo o que é Eterno e na avidez da sua busca irão encontrar o vazio da sua procura.

Pelo desdém das coisas espirituais, as pessoas se sentirão frustradas quando comparecerem perante o Senhor, como diz o apóstolo Paulo: “Porque todos devemos comparecer ante o tribunal de Cristo, para que cada um receba segundo o que tiver feito por meio do corpo, ou bem, ou mal.” [1]

Ou seja, quando partirem desta vida física, se o seu coração esteve sempre ocupado com as coisas materiais, ao chegar ao mundo espiritual, onde o que é material não existe, chegarão ali sem qualquer preparo para encetar a sua caminhada eterna; estes terão de percorrer um longo caminho, até tomarem verdadeiramente conhecimento do Senhor e se aproximarem Dele. Jesus foi claro quando disse: Não ajunteis tesouros na terra (…) mas ajuntai tesouros no céu (…) Porque onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração. [2] Estas vidas ainda têm o seu coração na terra, pois o seu tesouro (ou tudo o que amam) está ali.

Na mensagem sobre a qual reflectimos hoje, o nosso Pai tem uma palavra de encorajamento, dirigida especialmente aos Seus filhos que O buscam, desejando desligar-se o mais possível de tudo que é carnal: As energias poderosas do Pai (ou o poder do Espírito Santo) descem sobre os Seus filhos e tudo se concretiza na Vida Eterna.

Deus, como Pai amoroso, tem prazer em mostrar aos Seus filhos o que se passa no Seu Reino, abrindo-lhes o conhecimento e atraindo-os com o Seu Amor, levando cada um a desejar encontrar-se com este Pai Amoroso, ao invés de temer a morte física.

Assim, vamos “espreitar” a Glória de Deus, através das “portas do Céu” que Ele nos abriu.

Em vários momentos relatados na Escritura, vemos a preocupação de Deus em estreitar os laços com Seus filhos. Destacaremos dois: um no Velho e outro no Novo Testamento.

Aquando do início da caminhada de Jacó, num momento de solidão, este patriarca viu num sonho a “porta do céu”, segundo a sua expressão.

Diz a Escritura: “E sonhou: e eis que uma escada era posta, cujo topo tocava nos céus, e eis que os anjos de Deus subiam e desciam por ela; e eis que o Senhor estava em cima dela (…) E temeu, e disse: Quão terrível é este lugar! Este não é outro lugar senão a casa de Deus; e esta é a porta dos céus.” [3] Neste sonho profético, Jacó observava os anjos subirem da terra ao céu e de lá descerem. Através desta simbologia espiritual, notamos o esforço do homem em chegar a Deus (a subida dos anjos pela escada), pois Ele encontra-se no topo da escada, embora ainda escondido dos olhos humanos (esta é a fé do homem: Deus está nos Céus). Na descida dos anjos, entendemos espiritualmente a espera do homem por resposta ou recompensa de Deus.

Mas, na plenitude dos tempos, este Deus Criador desceu do Seu trono para encarnar em Jesus, Seu Filho, o Eterno Emanuel (Deus connosco), trazendo do Céu o conhecimento pleno. Através do Seu Ministério terreno, no convívio directo com as Suas criaturas, visando a mudança das mentalidades e dos comportamentos, ensinando e fazendo milagres que atestavam o Seu Poder Divino, Jesus mostrou toda a Verdade sobre a vida espiritual, sobre o Cosmos, sobre a vida futura, bem como todo o conhecimento necessário ao homem. Esta Verdade é realmente libertadora, como outrora disse Jesus: E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará. [4]

A “porta do céu” vista por Jacó tornou-se então uma realidade. Jesus demarcou este momento, quando no Seu encontro com Natanael, disse aos presentes: “Na verdade, na verdade vos digo que daqui em diante vereis o céu aberto, e os anjos de Deus subirem e descerem sobre o Filho do homem.” [5]

Estas palavras de Jesus foram uma realidade visível por todos os Seus contemporâneos, ao ponto de o apóstolo João terminar o seu evangelho dizendo: “Há, porém, ainda muitas outras coisas que Jesus fez; e se cada ma das quais fosse escrita, cuido que nem ainda o mundo todo poderia conter os livros que se escrevessem.” [6]

Mas foi só no culminar da Obra Redentora de Jesus que esta “porta do céu” se abriu totalmente e para sempre. Foi na dádiva do Seu Corpo em Sacrifício que Jesus abriu o Caminho para a Eternidade, permitindo a todos que desejem sair das suas tumbas espirituais, conhecerem e experimentarem as realidades eternas: “E Jesus, clamando outra vez com grande voz, rendeu o espírito. E eis que o véu do templo se rasgou em dois, de alto a baixo; e tremeu a terra, e fenderam-se as pedras, e abriram-se os sepulcros, e muitos corpos de santos que dormiam foram ressuscitados.” [7]

Este véu, ou porta, foi rasgado em dois, de alto a baixo, pois os tempos foram divididos em dois. A partir desse momento tudo seria demarcado com a designação: Antes e Depois de Jesus Cristo.

Assim, o nosso tempo, bem como todos nós, pertencemos ao segundo tempo, ao tempo do Novo Testamento, em que a porta da Graça está escancarada para aqueles que desejem entrar.

Para entendermos um pouco mais esta divisão do tempo que surgiu após o Sofrimento, Morte e Ressurreição de Jesus, vamos relatar um facto que se passou entre o Senhor e um Seu amigo de nome Abgarus, rei de Edessa. Este amigo de Jesus nunca O conheceu pessoalmente, mas quando teve conhecimento do que acontecia em Israel com o Profeta de Nazaré, estabeleceu com Ele correspondência, que faz parte das revelações d’A Nova Revelação Viva, transmitida ao profeta Jakob Lorber, com o título ’Correspondência entre Jesus e Abgarus’. O filho deste homem ilustre estava enfermo. Numa das suas cartas, Abgarus pediu a Jesus que curasse o seu filho dessa enfermidade. O Senhor preferiu que ele falecesse ao invés de dar-lhe a vida, pois a sua bênção espiritual seria maior, morrendo fisicamente. Citamos fragmentos de três cartas enviadas por Jesus a Abgarus:

“Abgarus: Grande é tua fé e por isto o teu filho poderia melhorar. Mas, como descobri amor contigo superior ao de Israel, farei mais do que se apenas tivesses crido. Eu, o Senhor de toda a Eternidade, actualmente Doutrinador dos homens e Libertador da morte eterna, darei ao teu filho a vida eterna antes da Minha Ascensão, por ele Me ter amado sem Me ter visto e conhecido, antes dos Meus sofrimentos futuros por toda a Humanidade.

Deste modo, hás-de perder o teu filho nesta vida, mas o reconquistarás mil vezes em espírito, no Meu Reino Eterno. Não deves supor que o teu filho, morrendo, em verdade tenha morrido. Não! Quando ele morrer, há-de despertar do sono mortal deste mundo para a verdadeira Vida Eterna no Meu Reino, que é espiritual e não material. (…) O que actualmente faço, permitindo ser perseguido como homem fraco, foi previsto por Mim antes que a Terra fosse criada e antes que o Sol, a Lua e as estrelas iluminassem dos céus. Foi por este motivo que parti do Meu Pai que está em Mim, como Eu Nele. O Pai é o Altíssimo. Ele é o Meu Amor, a Minha Vontade. O Espírito, porém, que parte de Mim e do Pai, agindo de eternidades em eternidades, é o mais Santo, e isso tudo Sou Eu, que agora te revelo. Não te entristeças por saberes Quem te revela isto. Silencia até ao momento em que Eu for elevado na cruz por parte dos judeus, do que terás notícias tão logo ocorra. Se falares antes do tempo, a Terra sucumbirá prematuramente.

Nos próximos dias aparecerá um pobre discípulo em tua cidade. Acolhe-o, que alegrarás o Meu Coração. Faz-lhe o bem, pelo facto de Eu proporcionar ao teu filho uma Graça tão grande, permitindo, em virtude de seu amor, que Me anteceda para lá onde Eu irei após a elevação na Cruz. Amém.

(…) Sê firme com tudo o que ouvirás dentro em pouco por parte dos judeus, que Me entregarão às mãos dos carrascos. Se não te aborreceres com isto, serás espiritualmente o primeiro, após o teu filho, a ter participação viva na Minha Ressurreição. Em verdade te digo: Os que acreditarem que a Minha Doutrina surgiu de Deus serão despertos no dia do Juízo Final, onde cada um encontrará o seu justo julgamento. Mas, os que Me amam como tu, jamais saborearão a morte. Assim como o pensamento mais veloz não encontra barreiras, também eles serão rapidamente transfigurados na vida eterna mais luminosa, tomando habitação Comigo, vosso Pai desde eternidades. Guarda-o contigo até Eu ressuscitar.

(…) Meu querido filho e irmão Abgarus!

Sei de tudo o que se relaciona com teu filho e Me alegra muito o final sublime para este mundo que, todavia, teve o seu início ainda mais belo no Meu Reino. Fazes bem em sofreres uma certa tristeza por ele, pois são poucos os bons neste mundo que merecem um conceito como o teu filho. Também Eu verti uma lágrima preciosa por ele. Foi deste modo que surgiu o mundo todo, de uma lágrima Minha. Assim também será criado um novo Céu. Asseguro-te que as boas lágrimas têm um valor imenso no Céu, pois ele é ornamentado com estas jóias preciosas, enquanto o inferno é fortificado com as lágrimas do ódio, da inveja e da ira.

(…) Sê misericordioso, que encontrarás grande misericórdia. E não te esqueças dos pobres que são sempre Meus irmãos. O que fizeres a eles, terás feito a Mim, e Eu te recompensarei mil vezes. Procura o que é grandeo Meu Reinoque receberás também as coisas pequenas deste mundo. Se, porém, procurares o que é pequeno, possivelmente não terás mérito de receber o que é grande.[8]

Continuemos a olhar através desta “porta do céu” e observemos como será a nossa existência no Reino Eterno. Antes, porém, consideremos que existem três patamares do Céu e três patamares do Inferno. Os patamares do Céu são lugares destinados à habitação de três categorias de pessoas, por graus de Amor a Deus e ao próximo (creio que podemos usar a expressão, graus de espiritualidade). Sobre os três patamares infernais, que correspondem a três graus de maldade, nada iremos falar, pois o Céu é o nosso alvo.

Todos aqueles que deixam o seu corpo físico são ressuscitados no seu último dia; este último dia para cada um, é chamado a Ressurreição da Carne.

O que é a Ressurreição da Carne? Eis o que diz Jesus:

Quem crer em Mim receberá a Vida Eterna, pois o despertarei no seu dia mais recente. Quem ficar em Mim pela fé (…) já possui a Vida Eterna e jamais verá, sentirá e provará a morte.

(…) Quanto à Ressurreição da Carne, representa esta, as obras feitas pela alma através do seu corpo.

(…) Toda e qualquer obra feita pela alma através do seu corpo, em benefício do próximo, passa como tudo nesta Terra e morre após a acção; (…) Em seguida caem no teu esquecimento e de quem as recebeu, portanto foram levadas à sepultura (…) No dia verdadeiro e mais recente da alma, a boa acção será despertada pelo Meu Espírito dentro da alma, não na forma passageira, mas na do fruto de duração eterna.

(…) Da carne que serviu à alma na Terra, não haverá um átomo que com ela ressuscite no Além!

(…) Quanto à silhueta da sua forma (da alma), mormente no que se refere à vestimenta, as partes eternas da alma dentro do físico serão com ela unidas em pureza espiritual. Do corpo grosseiro, nem um átomo.[9]

O 1.º Céu: Este primeiro patamar do Céu é denominado Céu da Sabedoria:

Ao primeiro céu chegam as almas de todos os outros mundos; da Terra, as almas dos sábios pagãos que viveram conscientemente dentro da justiça, de acordo com o seu conhecimento, sem todavia aceitarem ensinamentos de Minha Pessoa, mesmo no Além. Se no entanto no Além aceitarem a soberania do Senhor, poderão passar para o segundo céu. (Neste céu as almas não têm filiação divina - não são Filhos de Deus).

O 2.º Céu: Este segundo patamar é denominado Céu Central. O Senhor Jesus não deu revelação específica sobre ele.

O 3.º Céu: Este terceiro patamar é denominado Céu do Amor e da Vida. No terceiro céu residem os filhos de Deus, como está descrito na Escritura: À universal assembleia e igreja dos primogénitos, que estão inscritos nos céus, e a Deus, o juiz de todos, e aos espíritos dos justos aperfeiçoados.[10]

Analisando o processo físico e espiritual que permite a entrada das pessoas nestes lugares de habitação eterna, talvez passemos a ter uma visão diferente sobre a nossa existência à face da Terra, que é uma oportunidade extraordinária que Deus nos dá para nos tornarmos Seus filhos queridos.

Terminamos esta reflexão sobre a vida futura, citando as palavras de Jesus que são, além de esclarecedoras, um alerta como padrão de vida para cada um de nós: Quem, por isto, se aborrecer Comigo, vá para casa, fazendo e crendo o que lhe parecer justo! Pois no Além cada um viverá de acordo com a sua fé, e as acções que praticou através do seu amor serão os seus juízes. E isto, porque jamais alguém será julgado por Mim; o próprio amor de cada criatura será o seu juiz, de acordo com o que acabo de vos falar! [11]


Fraternalmente em Cristo.

Irmão Egídio Silva


[1] II Coríntios 5:10 [2] Mateus 6:19-21 [3] Génesis 28:12,13,17 [4] João 8:32 [5] João 1:51 [6] João 21:25 [7] Mateus 27:50-52 [8] Correspondência entre Jesus e Abgarus – caps. 2,3,4 [9] O Grande Evangelho de João – IV – caps.11,12[10] Hebreus 12:23 [11] O Grande Evangelho de João – II – 32:8-9.




RECADOS DO PAI




Quando a trombeta soar, todos se enfileiram para ver a Minha glória, mas muitos serão os que não ouvem. Esses continuarão alheios de tudo o que é Eterno e na avidez da sua busca irão encontrar o vazio da sua procura.

As energias poderosas do Pai descem sobre os Seus filhos e tudo se concretiza na Vida Eterna.

No plano da Salvação existe todo um conjunto de projectos de obra que se unem para trazer à luz todos os que se perdem. O Meu inimigo não sossega sem perder de vista o monopólio de tudo. Mas a ganância é vã e mais pode o que pensa e depois faz, do que o que faz sem pensar.

Reagir é próprio dele e por isso perde por vezes o controlo. Mas não menosprezeis a sua força, porque quando isso acontece ele vence batalhas e infiltra-se nos vossos corações.

Tudo se move na força da vontade. No desejo do querer do homem.

A fé, essa, resulta de uma história de caminhada eterna, em que a vossa força se conjuga com a do Pai, como resultado da vossa vontade. Por isso, as caminhadas de alma para alma são diferentes, por isso todas são valiosas ao Pai, mas umas mais fiéis do que outras.

É mais importante uma fé de manutenção e persistência do que uma fé de momento e resultado de uma graça. A memória é algo efémero, a graça é obtida e a fé se esvazia. Nada do que é do Pai deve ser suportado nem alicerçado em dádivas da terra, mas deve sim ser construído com forças e dádivas do Céu.

Na alma deita-se a semente e no espírito ela cresce. O que se vê é o corpo, mas a obra de Deus é Energia divina, Força eterna.

Vós sois como as bolas, fazeis o vosso trajecto a saltar e perdeis força. Tentai rolar e deslizar, de forma a que o vosso caminho seja feito sem percalços. Com a Minha ajuda vós podeis criar uma rotina de comunhão Comigo em que todos os dias Me visitais e Comigo vos sentais a conversar. Como Pai, ficarei satisfeito com esse momento e vos aconselharei a elevardes a vossa vida e como o fazerdes.

Dedicai-Me algum tempo de pensamento e Eu vos abrigarei. Eu próprio lançarei a bola todos os dias de forma suave, deslizante e certeira.

Continuai a olhar fundo nos olhos dos passageiros do mundo e companheiros de solidão. Eles vos sentem e vos amam, pois em vós, Comigo estão.


***


EXCERTOS D’O GRANDE EVANGELHO DE JOÃO



A SEGUNDA CRIAÇÃO DE DEUS


(O Senhor): Todos os espíritos do inferno são entendidos na simulação; externamente, se apresentam às vezes como anjos, enquanto o seu íntimo é semelhante ao de animais ferozes. A sua arte simuladora é tão perfeita que poderia seduzir os próprios anjos; por isso, vim ao planeta para pôr uma barreira eterna e invencível ao inferno.

Eu, como Deus de Eternidades, poderia aniquilar o inferno com a Minha Vontade; mas com isso destruiria a Criação total. E depois? Deveria iniciar outra? Pois não; todavia não é admissível conceber uma nova Criação de mundos materiais, numa ordem diversa que a natural; pois a matéria é o intermediário fixado dentro do julgamento indispensável, pelo qual um ser destinado a tornar-se a Mim idêntico em tudo, inteiramente isolado de Mim, tem de passar a prova do livre-arbítrio, a fim de alcançar a verdadeira emancipação.

É, portanto, melhor deixar tudo conforme está, porém numa ordem segura! Esta só pode ser realizada por Mim, através da Minha Humanização, trespassando toda matéria e capacitando o seu conteúdo espiritual, remoto e condensado, à bem-aventurança.

Eis a segunda Criação, prevista por Mim desde Eternidades, sem a qual nenhuma criatura deste ou de outros mundos poderia tornar-se completamente feliz; pois antes da Minha Descida dos Céus, fui Deus Invisível, conforme consta em Moisés: ninguém poder ver Deus e continuar vivo. A partir de agora sou Deus Visível para todos e quem Me vir, vive e viverá eternamente.

A salvação consiste primeiro na Minha Doutrina; segundo, na Minha Encarnação pela qual o poder preponderante do antigo inferno é quebrado e vencido. Isto já foi apontado pelo profeta Isaías, quando diz no capítulo sessenta e três, e nos seus versos de um a nove: “Quem é Este, vindo de Edom, com vestido tinto de Bozra, honrado em sua veste e marchando na grandiosidade do Seu Poder? Eu, que falo com Justiça, Poderoso para salvar!

Por que estás vermelho em Tua veste; e esta, como quem pisa o lagar? – O lagar foi pisado por Mim, somente, e não havia homem do povo Comigo! Por isto pisei aquele (o inferno) na Minha Ira (Justiça) e os triturei no Meu Furor (a máxima Ordem da Sabedoria Divina). Eis por que a vitória se espargiu sobre a Minha veste (da Doutrina e da Verdade da Fé); pois o dia da vingança é Meu no Coração, e é chegado o ano dos salvos; descendo à Terra, realizei a vitória (sobre o inferno). O Meu povo são aqueles filhos seduzidos pelo inferno; por isto sou o Salvador, salvando-os em virtude do Meu Amor e Mansidão.

No capítulo cinquenta e nove, versículo dezasseis, consta: “E vendo não haver alguém (nem amor nem verdade), admirou-se de não encontrar representante; por isto o Seu Braço (a Humanização do Senhor), trouxe a salvação e a Justiça o susteve (a Ordem Divina no Senhor). Vestiu a Justiça qual couraça e pôs o elmo da salvação na Cabeça; vestiu a túnica da vingança (a Verdade), e Se cobriu de zelo, como se fora um manto. Assim veio o Salvador de Zion!”

Em Jeremias lê-se no capítulo quarenta e seis: “Estão deprimidos; pois os seus heróis (do inferno) estão dizimados. Fugiram e não olharam para trás. Tal dia, em Honra e Louvor ao Senhor Jehovah Zebaoth, será um dia de vingança para Se vingar nos inimigos e a Sua espada se fartar.”

E no salmo quarenta e cinco, versos de quatro a oito: “Cinge a tua espada à coxa, Poderoso! (do Ser Humano do Senhor). As Tuas flechas são agudas (a Verdade). Os povos do inferno sucumbirão, que no íntimo são adversários do Rei (do Bem e da Verdade). O Teu trono (a Igreja do Senhor), é para o futuro e a Eternidade! Amaste a Justiça, por isto Deus Te ungiu.”

Existem muitas passagens idênticas onde é explanado ter Eu vindo à Terra em Carne, principalmente para levantar uma barreira eterna aos abusos do inferno!



A RELAÇÃO ENTRE O INFERNO E O MUNDO


(O Senhor): “Nenhum de vós deve pensar ter sido o inferno criação Minha, tampouco ser ele local destinado ao eterno castigo dos malfeitores desta Terra. Formou-se por si mesmo do grande número de almas, que durante a vida ultrajaram qualquer Revelação Divina, negavam a Deus e faziam apenas aquilo que agradasse aos sentidos; no final, determinavam a veneração das suas pessoas, pois os seus palacianos tinham ordem de convencer o povo serem eles os regentes divinos e mereciam como tal uma veneração, conforme exigiu Nabucodonosor em Babilónia. Quem se negasse a adorar tal ídolo, era cruelmente supliciado.

Por aí podeis deduzir qual o poder do inferno sobre o orbe, e ter chegado o tempo de Eu Mesmo descer à matéria, a fim de ultrapassar o julgamento necessário com todo o Meu Poder, e levantar assim uma barreira intransponível ao inferno.

Eu, o Santíssimo, tive que Me vestir com a fraqueza humana e ímpia para Me poder aproximar, qual Herói, do inferno, a fim de vencê-lo. Estou no seu meio e todos os demónios e diabos fogem de Mim, qual palha seca é levada de roldão pela ventania. Com este exemplo demonstrei o que é inferno e qual a sua atitude e como se dá a salvação. Tereis compreendido tudo?

Diz Agrícola, admirado: “Senhor, jamais ouvi descrição idêntica do inferno! Os romanos supunham-no debaixo do solo, mormente em zonas vulcânicas, a projectarem constantemente fumo e às vezes cuspindo enormes lavas destruidoras. Agora o aspecto é outro: Todo o planeta, inclusive a Humanidade, perfazem o inferno, segundo a Tua descrição.”

Digo Eu: “Sim Meu amigo, o mundo e o inferno estão de tal modo unidos como corpo e alma. A alma total do inferno serve-se do mundo externo, do mesmo modo que a psique age com o físico. Se ela é semelhante a um anjo pelo amor a Deus e ao próximo, o corpo somente fará o bem, porque a alma que o vivifica, nada de mal pode e quer; sendo, todavia, um demónio, o físico também o é.

Vim a este mundo, a fim de expulsar dele as incontáveis legiões de demónios. No exemplo de ontem aplicado à moça, demonstrei o que faço em grande escala. Sanearei a casa dos antigos demónios; se as criaturas não se modificarem, projectarão em breve um novo inferno com os seus habitantes que entrarão na casa limpa, criando um estado pior que antes de Mim.

Assim como em outros tempos, cada alma terá que passar agora e no futuro por uma encarnação, a título de prova do livre-arbítrio e experiência, impossível de ser realizada sem a tentação para o bem e o mal. Acontece, terem os homens ajuda de Mim, podendo vencer sempre o inferno que tenta alastrar-se em seu íntimo, e assim se dá a Salvação. Os que não agirem deste modo, tornar-se-ão servos, piores do que foram os antigos até esta data.

Propõe Agrícola: “Seria melhor, Senhor, exterminar-se tais almas, após a morte física!”

Digo Eu: “Meu amigo, tal não é possível; todas as almas, boas ou más, surgiram por Mim. Eu não podendo jamais destruir algo, cada alma, por pior que for, viverá dentro da sua inclinação. Podes assimilá-lo?

Respondem todos: “Senhor e Mestre! Este ponto está explícito; contudo, sentimos uma sensação de tristeza na alma, por dois motivos. Primeiro, pelo facto de vivermos de corpo e alma no completo inferno. Segundo, a certeza de que nesta Terra só aparecerão espíritos infernais. Porventura não há solução, inclusive da Tua Parte, Senhor?”


(O Grande Evangelho de João – VI – 239,240)




UM POUCO DE HISTÓRIA



A POSSESSÃO


Para terminarmos com a trilogia de artigos que temos vindo a escrever, falaremos hoje sobre um assunto que aparentemente não tem nada a ver connosco, mas a realidade é, infelizmente, bem diferente.

Neste artigo iremos falar de um filme que esteve muito em voga nos anos 70 do século passado. Mas o que o que tem um filme a ver connosco? Este, em particular, tem sim. Senão vejamos.

Em 1973 foi exibido em EUA (em Portugal foi em 1974), um filme com o sugestivo título de “O Exorcista”. O tema, como está implícito, tratava da libertação de uma jovem menina possessa do adversário. Embora romanceado o assunto era e é muito sério. Mas, como muitos dos filmes que são realizados, o mesmo era baseado num caso real. Passemos aos factos.

Em 1949, um adolescente americano (e não uma adolescente como retrata o filme), brincou com um jogo, dado pelos seus pais, muito em voga nessa altura, chamado de “Tábuas de Oija”. A própria empresa construtora do jogo, tinha o cuidado de nas próprias instruções, alertar os jogadores para que tivessem muito cuidado com as regras, pois a partir de determinada altura poderiam estar a invocar espíritos demoníacos.

Mas o adolescente ignorou as regras do jogo e quando a família se apercebeu, estava possuído pelo adversário. Como resolver a situação? Os médicos consultados não foram capazes de lhe trazer a cura. Por fim chegou-se à conclusão que seria necessária uma libertação espiritual.

Chegamos agora ao motivo por que estamos a falar desta situação. O jovem em questão era filho de um casal de cristãos evangélicos.

Assim, optaram por se dirigirem ao pastor da sua igreja. O dito pastor foi incapaz de libertar o rapaz. Desesperados, os pais recorreram a alguém que tinha o “poder” de exorcizar: neste caso um padre.

Foi uma luta titânica entre o padre e o adversário. A luta chegou a tal ponto que o padre pensou mesmo em desistir do seu combate. Mas com a ajuda de outro colega, persistiu e ao fim de alguns meses de uma luta intensa o rapaz foi liberto.

Esta é a história real.

O filme, como é natural, foi romanceado. Mas deixou-nos uma lição muito importante.

Como podemos ver, não se deve brincar com o fogo. O Senhor preocupa-se com os que são seus, mas deixa sempre o livre arbítrio decidir por cada um. Ele não se impõe nem se imiscui. Alerta, mas não reprime. Podemos desculpar o jovem, mas não os pais. Se eram realmente cristãos não deviam ter dado aquele jogo ao filho, nem tão pouco permitir que ele o jogasse. Deviam desconhecer por completo a Palavra de Deus.

Devemos ter muito cuidado com o que vemos, lemos, ouvimos ou até “brincar” com jogos ditos inocentes. Só o termo jogar já nos deixa de sobreaviso. O que pode ser uma banalidade para o mundo pode ser um problema para nós. O que parece inocente aos olhos dos descrentes pode ser um ardil subtil do inimigo de Deus e das nossas almas.

Tenhamos em mente o que está escrito na Palavra de Deus: “Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai.” (Filipenses 4:8)

Creio que o Senhor pode falar connosco através de um livro, da cena de um filme, de uma música erudita ou clássica. Ele é soberano e tem muitas formas de falar connosco sem ser somente pela Sua Palavra. Mas cuidado: o adversário também.

Mas se houve descrença, negligência, falta de sabedoria por parte dos pais do jovem, o que convenhamos foi uma realidade, realçamos a incapacidade do pastor da família em resolver a situação. Não seria o pastor, mas o Senhor a quem o pastor servia que iria libertar o moço.

Felizmente esta história teve um final feliz.

Tenhamos, nós, cristãos em saber ver todas estas coisas. Jogos inocentes, como o relatado acima, festas inocentes, tipo Halloween, Solstícios ou afins, não são para os filhos de Deus. Nem deviam tão pouco ser para os filhos do “mundo”.

Apenas uma curiosidade: durante as gravações do filme houve um misterioso incêndio no estúdio onde o mesmo estava a ser rodado. Só ficou intacto o quarto onde foram gravadas as cenas da jovem que após grande luta espiritual, foi liberta do inimigo!


Irmão Tomaz Correia




Leia A Bíblia e  ‘O Grande Evangelho de João



“A Luz Completa

Mas, quando vier aquele Espírito de verdade, ele vos guiará em toda a verdade; porque não falará de si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido, e vos anunciará o que há-de vir.” (Evangelho de João 16:13) Eis a razão, porque agora transmito a Luz Completa, para que ninguém venha a desculpar-se numa argumentação errónea de que Eu, desde a minha presença física nesta terra, não Me tivesse preocupado com a pureza integral de Minha doutrina e de seus aceitadores. Quando voltar novamente, farei uma grande selecção e não aceitarei quem vier escusar-se. Pois todos os que procurarem com seriedade acharão a verdade.

(O Grande Evangelho de João – volume I –)


--Imagens de wix, freepick e pixabay--