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Fevereiro 2021


84-Ano XXVII-AVB-FEVEREIRO de 2021
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Ano XXVII - Nº 84



Neste Boletim:



  • O Eremita

  • Dádivas do Céu

  • Excertos d’O Grande Evangelho de João

  • A Fé e Seus benefícios

  • Lugar à Poesia




O EREMITA

No próximo mês de Março, faz um ano que o nosso Pai começou a revelar-nos com algum pormenor os novos dias que se avizinhavam e que, infelizmente, são já uma constatação na vivência de cada um de nós.

Algumas das mensagens a que demos a designação de “Recados do Pai” foram publicadas no nosso sítio na Internet como alertas; não pretendemos com a sua publicação assustar ninguém, mas simplesmente levar os menos atentos a olhar mais para os céus do que para a terra, começando a desconsiderar o que é efémero e ansiando aquilo que perdura eternamente.

Entre essas revelações, o Senhor narra-nos uma parábola sobre o percurso de um eremita. Nos dias que agora vivemos, por causa desta pandemia, muitos de nós podem comparar-se a eremitas.

Normalmente o eremita afasta-se do convívio dos seus semelhantes, para se refugiar em lugares isolados e buscar a intimidade com Deus. Mas nós, hoje, somos eremitas no meio de uma multidão, bombardeada pelos meios difusores de informação, com o que é bom, o que é mau, o que é perverso e muitas vezes até absurdo. Não estamos falando somente de assuntos considerados mundanos, mas também religiosos.

Contrariando este bombardear de informação e contra-informação, devemos procurar fazer uma introspecção a nós próprios e buscar uma intimidade com Deus, seguindo o conselho do nosso Senhor e Mestre: Mas tu, quando orares, entra no teu aposento, e, fechando a tua porta, ora a teu pai que está em oculto; e teu Pai, que vê secretamente, te recompensará. [1]

Fazendo isto com seriedade, tornar-nos-emos “eremitas” e poderemos distinguir com clareza, no meio de milhares de vozes, a voz do nosso Pai celestial que despertará em nós uma sensibilidade que julgávamos não ter, descobrindo com alegria que as palavras de Jesus são verdade: Quem é de Deus, escuta as palavras de Deus…. [2]

Nesta busca individual, começamos a analisar, não só a Escritura, mas todas as fontes que são genuinamente de Deus, pois Ele nunca deixou de alertar os Seus filhos através do Espírito Santo; hoje, como ontem, o Senhor continua a usar servos e servas verdadeiramente ungidos para alertar a humanidade para o Final dos Tempos; estes são facilmente identificáveis, pelos frutos que cada um apresenta em sua “árvore”. (Mateus 7:20-24)

Da parábola a que fazemos referência, destacamos três conselhos.

Tomamos em atenção como este Eremita nos mostra a forma de trilhar o caminho com total segurança:


Pisa só em pedras robustas e olha em frente de forma a nunca sair do alinhamento do Sol.


Se não seguirmos este conselho, sujeitamo-nos a resvalar; a pedra robusta, “pedra de esquina” como é descrita na Escritura, é o próprio Jesus (Efésios 2:20). Portanto, tudo terá de ter o Seu selo (vir Dele) e nunca poderemos desviar o nosso olhar do Sol, que é também Ele (Malaquias 4:2).

Também na carta aos Hebreus somos alertados de que a nossa existência terrena está rodeada de observadores humanos e espirituais. Só olhando para Jesus, o nosso Sol, poderemos atinar com o caminho certo, sem nos desviarmos: "Portanto nós também, pois que estamos rodeados de uma tão grande nuvem de testemunhas, deixemos todo o embaraço, e o pecado que tão de perto nos rodeia, e corramos com paciência a carreira que nos está proposta, olhando para Jesus o autor e consumador da nossa fé[3]

Outro conselho do Eremita:


Chegou a hora. E continuou a caminhar na berma do rio em direcção ao Sol deixando que as águas lhe acalmassem a caminhada.


Está prestes a manifestar-se o tempo tão ansiado por todos, em que Jesus sairá vitorioso; antes da luta maior que se dará no mundo, Ele virá buscar a Sua igreja como nos prometeu. Para perseverarmos na fé, neste tempo em que a escuridão espiritual se adensa, façamos o mesmo que faz o eremita: ele caminha sempre perto da Palavra revelada (o rio das águas vivas), sabendo que o Sol (o Senhor) acalma o caminho e aquece os nossos corações pelo Seu Espírito, quanto mais nos aproximamos Dele.

Embora sejamos milhares a fazer este trajecto em direcção ao Sol, olhando ao redor parece-nos que estamos sozinhos. A Escritura define este tempo com pormenores extraordinários, mostrando que tipo de servos está fazendo esta obra do Final dos Tempos. Citamos dois textos da Escritura que esclarecem esta nossa afirmação: Todos armados de espadas, destros na guerra; cada um com a sua espada à cinta, por causa dos temores nocturnos.” (…)“Como valentes correrão, como homens de guerra subirão os muros; e irá cada um nos seus caminhos e não se desviarão da sua fileira. Ninguém apertará a seu irmão; irá cada um pelo seu carreiro; sobre a mesma espada se arremessarão, e não serão feridos. [4]

No mesmo dia em que o nosso Pai nos transmitia a parábola do Eremita, Ele também nos revelou que toda a estrutura mundial está prestes a ruir, lembrando-nos a estátua do sonho do rei da Babilónia, Nabucodonosor.

O rei havia sonhado com uma estátua e o profeta Daniel, que se encontrava ao seu serviço, foi chamado para interpretar o sonho (Daniel 2:29-45). Este episódio longínquo pode parecer que não tem importância para os nossos dias, pois o império deste rei já deixou de existir há milénios. Mas para o Senhor, cuja Palavra é eterna, chegou a hora de mostrar à Sua igreja que a estátua, que este monarca sonhou, e que mais tarde mandou edificar fisicamente, está prestes a ruir. A estátua do sonho de Nabucodonosor era composta de vários materiais, começando pela cabeça que era de ouro e terminando nos pés e dedos que eram de ferro e barro. Esta estátua representa profeticamente os impérios mundiais desde Babilónia até aos nossos dias. Vejamos o que nos foi revelado pelo Senhor:


Seguir-se-á a angústia dos homens do dinheiro. A estátua vacila porque em breve vai cair. A economia vai mudar e o homem terá de alterar o seu paradigma de vida. A vida sou Eu e nada mais. Voltai-vos para Mim.


Está na hora de remir o tempo e ouvir a voz de Deus, começando desde já a exercitar a nossa fé. Há alguns dias atrás o Senhor nos disse: Os Meus filhos ainda não aprenderam a descansar em Mim. Sabemos que toda a criação animal nasce com instinto de preservação e logo à nascença procura a sua sobrevivência, pois o Criador os dotou para tal. Mas a coroa da Sua criação – o Homem, Deus o colocou numa posição de dependência; desde o nascimento, ele tem de aprender tudo. Comecemos então a aprender a depender do Senhor para tudo, como Ele nos disse. Os tempos que vivemos nos apontam este como único meio de segurança, conforme a Sua afirmação.


Em casa de cada um, Eu entrarei e edificarei muralhas de acordo com os corações e ao ritmo da vossa oração (…) Chegai-vos a Mim porque os tempos são severos e vem aí muito mais para além desta praga. Tudo agora começou. Aquietai-vos e preparai-vos para o Meu chamado. Eu vos protejo, Eu vos ouço se a Mim chamardes.


Ainda pensando na caminhada de busca espiritual, às vezes tão solitária, vem-nos à lembrança uma mensagem que o nosso Pai há alguns anos nos transmitiu e que já antevia os dias que estamos vivendo.

Disse Ele: O vosso próprio espírito clama, quando em intimidade Comigo, por mais. E mais exige muito caminho de cruz, caminho de solidão, caminho de humilhação, força espiritual para se largar da matéria e amor a Mim incondicional. E nada disto é fácil de atingir na tempestade que é o mundo.

Fraternalmente em Cristo,

Irmão Egídio Silva


[1] Mateus 6:6 [2] João 8:47 [3] Hebreus 12:1-2

[4] Cantares de Salomão 3:8; Joel 2:7-8.



PARÁBOLA DO EREMITA


“Um eremita percorre o seu caminho pela beira de um rio. Caminha de forma incessante, resguardando-se dos perigos. Pisa só em pedras robustas e olha em frente de forma a nunca sair do alinhamento do Sol. Pensa e pondera na forma que o mundo tomou e no que se transformou. Na imagem do homem vê o rebelde transformador que da natureza tirou partido e a mutilou em todas as suas formas. Saqueou os mares e as entranhas do planeta e com o visco poluiu e saturou o ar. Derrubou árvores e flores, matou e transformou animais, humilhou o Criador e se santificou com o sangue derramado em orgias sem sentido. Do vigor do seu pecado, o homem se transformou no seu próprio carrasco, e o Eremita pensou: Chegou a hora. E continuou a caminhar na berma do rio em direcção ao Sol deixando que as águas lhe acalmassem a caminhada.

Segui o Sol, segui os passos do Eremita. Amém.”









DÁDIVAS DO CÉU



O DIREITO DE GOVERNAR O MUNDO


«Aqui, quero dizer umas palavas a vós, Meus filhos, que possuis um cargo administrativo. Este é um direito temporário que os poderosos se outorgaram para oprimir os pequenos e fracos, os que no mundo estão sem poder nem força, os que devem sustentar e alimentar aqueles poderosos. E tudo isto para nada serve além da manutenção das leis que colocam todo o tipo de peso em seus ombros fracos.

Além do Meu Amor em vós (e da Sabedoria que dele se origina, formando-se destes dois a Ordem eterna da qual se originou tudo o que hoje existe, do maior ao mais ínfimo, em números infinitos) não existe outro direito. Este Meu Amor não se apodera de nada para possuir algo, mas sim para dar e dar cada vez mais. Este Amor nada destrói, mas sim tudo conserva, para que nada, nem a mínima molécula, seja aniquilada; este Amor luta para que todos consigam andar erguidos, sem o peso da sua carga; este Amor é humilde, paciente e cheio de misericórdia para as exigências da sua Sabedoria; este Amor, para o bem dos seus próximos, é capaz de suportar insultos e inverdades numa serenidade sem igual. Pensai bem se ainda é possível descobrir algo além deste Amor que se possa chamar de direito.

Vós ainda deveis considerar que a este Amor sempre se junta a verdadeira Sabedoria, que é a única que pode legislar, a que tudo organiza da melhor maneira e tudo ilumina e vê. Sim, em todo o lugar onde o Meu Amor é a base, lá também está o verdadeiro direito. Onde ele não estiver, também não haverá o direito, mas sim a mais pura oposição. Uma lei, quando não baseada no Meu Amor, está baseada no amor-próprio e não passa de um direito obsessivo que se impõe pela força bruta. E mesmo se as pessoas ignorantes pensarem que é Amor, de facto não o é, é o mais puro amor-próprio.

Este amor-próprio gera dificuldades para reconhecerdes as vossas necessidades e canta vantagens ao conseguir manipular as vossas condições de vida; ele permite que tenhais só o espaço que vos concede, ou seja, o mínimo, como o de um pássaro na gaiola ou de um peixe no aquário. Deste amor, quase um assaltante e assassino de poder fictício, é que vos são dadas as leis, inúmeras, sempre que o amor-próprio achar necessário satisfazer a sua fome infinita. Para que estas leis sejam obedecidas, os cárceres, a pólvora e a morte são usados. Às vezes este amor-próprio outorga aos seus escravos alguns benefícios imaginários, ou que favorecem a alguns, e assim consegue que haja paz entre os miseráveis, ou que fiquem na noite do desprezo, aguardando as migalhas que sobram da mesa dos poderosos.

Vede, nestas ocasiões de miséria muitos se vêm forçados a abandonar o Meu Amor, seguir o amor-próprio e actuar na sua esfera inferior com maldade, como os poderosos o fazem na sua esfera superior. Estes mentem, roubam, assaltam, matam e, além disto, têm o atrevimento de usar as Minhas leis na sua pocilga, deturpá-las, e assim dar um aspecto de moralidade às próprias leis. Isto Eu abomino e amaldiçoo. Ai deles no futuro! Os cegos podem ser enganados com estas manobras, mas Eu vejo os seus truques e tudo informo aos Meus filhos, estes que começaram a Me procurar.

Esta é a razão por que vos aconselho a procurar o Meu Amor com todas as vossas forças, pois só assim podereis actuar para o bem dos vossos muitos irmãos e irmãs.

Lembrai-vos que tudo aquilo que a Minha Sabedoria vos ensinar virá do Meu Amor, e assim conseguireis realizar tudo sem que vos seja arrancado um só cabelo. Pois lá onde a sabedoria governa, lá ela tem todos os meios necessários para realizar os seus actos por Mim autorizados.

Isto Eu digo, o eterno Amor, somente a vós, Meus filhos, pelo Meu servo fraco que se dispõe a escrever e que não temeu mais ninguém depois que Me conheceu melhor.

Amém.»


(Texto revelado a Jakob Lorber em 13 de Abril de 1840)



EXCERTOS D’O GRANDE EVANGELHO DE JOÃO



A NATUREZA DE SATANÁS


«Aproxima-se um escriba, convertido em Emaús, e diz:

Senhor e Mestre, sabemos a causa da possessão e quem, no fundo, são os espíritos maus. Na Escritura fala-se de demónios reais, do seu príncipe, chamado Lúcifer, que fora atirado ao eterno fogo do inferno, com inúmeros outros anjos. Além disso, consta ter ele, como serpente, levado à queda o primeiro casal, e Deus usou-se dele para tentar o devoto Jó. Que relação tem a Escritura com a Tua Boa Nova? Quem é e onde está Satanás? E quem são os demónios?

Digo Eu: Muita coisa foi por Mim esclarecida a respeito, e os Meus apóstolos sabem do que se trata; como és novo, justifica-se a pergunta; portanto, ouve. Tudo o que o espaço infinito comporta como matéria acha-se em julgamento, portanto, fixado pela força da vontade de Deus. Se assim não fosse, não existiriam Sol, Lua, Terra e seres, e Deus seria o Único na contemplação dos Seus pensamentos e ideias, imensos.

Desde eternidades, Deus exteriorizou os Seus pensamentos e lhes deu corpo através da Sua omnipotência. Tais pensamentos e ideias não são propriamente corpos, mas elementos fixos e invólucros destinados à maturação para uma existência independente, criações designadas a subsistir ao Meu lado, o Criador visível, como que possuindo força própria.

Toda a criação, como elemento espiritual fixado, é ainda impuro, comparado ao elemento puro e livre, podendo ser considerado mau e nocivo, ao lado do espiritualmente puro.

Na expressão “Satanás”, deves entender, de modo geral, a Criação na sua totalidade, e um “demónio”, as suas tendências isoladas.

Quando o homem nesta Terra vive dentro da vontade revelada por Deus, ele liberta-se da prisão criadora, passando à liberdade original de Deus.

Quem não quiser acreditar em Deus, nem pretende aplicar a Sua vontade revelada, submerge cada vez mais profundamente na Criação material, tornando-se espiritualmente impuro, mau e condenado pela maldade – um demónio. Toda a criação e fixação material é, como já disse, impura, má e perversa frente ao puro espírito incriado, não pela suposição de que Deus tivesse projectado algo impuro, mau e nocivo, mas porque: primeiro, é necessário existir a Criação dotada de inteligência e força de acção, e, no homem, incluindo o livre-arbítrio; segundo, por ser designada a transformar o efeito da Criação a fim de atingir a possível independência como elemento individual.

Perante Deus, nada existe de impuro, mau e nocivo; pois ao puro, tudo o que Deus criou é puro e bom; portanto, não existe para Deus, Satanás, diabo nem inferno. Somente a Criação o é, enquanto tiver que existir como tal, e finalmente resolver conquistar a vontade livre.

Se consta na Escritura ter Satanás, em figura de serpente, seduzido o primeiro casal, quer dizer que ele, muito embora conhecendo Deus e a Sua vontade, deixou-se tentar pelo prazer do mundo material, de sorte que o desejo da sua carne condenada se externou dizendo: Veremos o resultado da infracção contra a vontade divina! Deus Mesmo nos outorgou a acção, portanto não perderemos nada do conhecimento, mas lucraremos! Deus conhece a consequência da nossa acção livre, mas nós a ignoramos! Vamos agir a nosso gosto, para experimentarmos aquilo que só Deus sabe!

Assim, ambos saborearam o fruto da árvore do Conhecimento, por meio da experiência, afundando um grau na matéria que, frente à vida livre do espírito, pode ser classificado como “morte”.

Reconheceram, em seguida, que em sua carne se localizaram condenação e morte, capazes de enterrar igualmente a alma no julgamento e prisão. Assim perderam o Paraíso, que consistia na completa união da alma com o espírito, sem reencontrá-lo inteiramente. A sua alma havia sido ferida pelo espinho da matéria e muito teve que lutar para se manter o mais afastado possível do julgamento surgido do imperativo projectado, conforme ora acontece a todas as criaturas, razão pela qual Eu vim a este mundo para demonstrar-lhes o Caminho da Vida e entregar-lhes novamente o paraíso perdido, através da Minha doutrina.

O mesmo se deu com Jó. Era materialmente muito feliz e proprietário de grandes bens, sábio e devoto a Deus, vivendo estritamente dentro da Lei. A sua abastança excepcional despertou cada vez mais a sensualidade, fazendo grandes exigências ao espírito.

O elemento condenado da carne sugeriu à própria alma: Quero ver se consigo afastar-te de Deus por todas as minhas alegrias e dores, esgotar-te a paciência e subjugar-te à minha lei condenadora!

Isto valeu grande luta para Jó; dispunha de todas as alegrias terrenas, as quais gozava sem dominarem a sua alma, que continuava em união com o espírito.

O elemento pernicioso da matéria nada conseguindo com a alma, foi experimentá-la por toda a sorte de tribulações físicas, descritas na Escritura. Jó suportou-as com paciência, embora, às vezes reclamasse da sua aflição; no final, porém, confessava Deus ter-lhe dado tudo, mas também lhe tirara tudo. Todavia, poderia agraciá-lo de novo, e até muito mais, em virtude da fusão da alma e espírito. Se assim foi, quem era Satanás que tanto experimentou o beato Jó? O elemento condenado da sua carne, isto é, os seus variados apetites!

Jamais houve um Satanás individualizado, e demónios personificados só existiam na matéria telúrica de espécie variada. Os antigos sábios representavam Satanás e os diabos sob quadros horrendos, isto porque a alma deveria ter noção, sob vários aspectos, do sofrimento de uma existência livre, quando se deixa novamente aprisionar dentro da matéria.»


SATANÁS COMO PERSONALIDADE


«(O Senhor): Eu mesmo fiz com que Satanás aparecesse em figura, e os Meus discípulos se apavoraram. O mesmo aconteceu várias vezes aos patriarcas; naquela época, não houve explicação do acontecimento, pois eles entenderam o sentido do aparecimento por meio da interpretação espiritual, razão por que diziam: Horrível é cair-se nas mãos da justiça divina. Isto quer dizer: Para uma alma que já tenha atingido a plena consciência, horrendo é deixar-se aprisionar pela Lei categórica da omnipotência, dentro da matéria.

Prova isso a experiência com um moribundo que não tenha alcançado o renascimento espiritual. Porquê o temor da alma diante da morte do seu corpo? Porque julga morrer com ele, através da Lei categórica que a prende à matéria. Podeis fazer tal observação nos que descrêem na sobrevivência da alma, por encontrar-se ela enterrada na matéria, em parte ou totalmente, sentindo a morte até que dela seja separada pela Minha vontade.

Espero que tenhais compreendido a verdadeira situação de Satanás e dos seus demónios, de sorte a perceberdes a mesma relação no inferno: é, como Satanás, a eterna condenação, ou seja, o mundo e a sua matéria.

Por que se denomina Satanás o príncipe das trevas e da mentira? Por não ser a matéria o que parece, e quem dela se apegar pelo amor, encontra-se, evidentemente, no reino da mentira e – em confronto com a Verdade – no reino das trevas.

Quem, por exemplo, aprecia os ditos tesouros do reino da matéria inerte, considerando-os pelo que parecem e não pelo que são na realidade, acha-se no reino da mentira, porque o seu amor, base da vida, nela se enterrou cegamente e muito dificilmente se poderá elevar de tal escuridão à Luz da Verdade plena.

Quem considerar o ouro apenas como manifestação correspondente ao Bem surgido do Amor em Deus, assim como a prata, a Verdade da Sabedoria em Deus, conhecerá o verdadeiro valor do ouro e da prata, encontrando-se no Reino da Verdade; a sua alma não será sufocada pelo brilho enganador e pela sua condenação.

Deste modo, somente os patriarcas e profetas davam o verdadeiro valor ao ouro, prata e pedrarias; não tinham apreciação como matéria; portanto, não se tornavam perigosos à alma. Pela justa noção do valor da matéria, rapidamente descobriram a sua utilidade natural, tirando o proveito verdadeiro.

Quando, posteriormente, as criaturas começaram a apreciar a matéria em virtude do seu brilho e apresentação, caíram no julgamento dela e se tornaram espiritualmente cegas, duras, ávidas, mesquinhas, mentirosas, desordeiras, traiçoeiras, orgulhosas, más, com tendências dominadoras e bélicas deixando-se atrair ao paganismo, portanto, ao inferno, do qual não podiam ser libertadas sem Mim.

Por isto, tive que vestir a própria matéria e, com ela, o julgamento, e terei que rompê-la, a fim de Me tornar a Porta para a Vida Eterna para todos os prisioneiros, caso queiram passar por ela. Eis por que sou a Porta para a Vida, e a própria Vida. Quem não entrar por Mim não chegará à Vida na luz da Verdade eterna e à Liberdade, ficando preso no julgamento da matéria.

Todavia, segue-se a seguinte pergunta: Neste caso, não existem Satanás e demónios personificados? Respondo: Claro, os há aqui encarnados e muito mais no Além, constantemente empenhados em exercerem a sua influência sobre a Terra. Primeiro, pelos elementos brutos da Natureza que jazem na matéria em virtude da maturação determinada, e, além disso, indirectamente, por certas insinuações e tentações. Percebem as fraquezas e tendências das criaturas, apossam-se das mesmas, incitando-as a paixões violentas.

Quando uma fraqueza se tiver desenvolvido a tal ponto, a criatura acha-se em estado de julgamento da matéria e dos seus maus espíritos, e será difícil libertar-se.

Satanás é o conglomerado do julgamento da matéria total, e quanto à sua personalidade, não existe; todavia, perfaz uma sociedade de diabos de toda a espécie, não só da Terra, mas de todos os mundos do Infinito, assim como todos os inúmeros universos-ilhas representam o Grande Homem Cósmico.

Em escala menor, o agrupamento de todos os demónios de um planeta é um Satanás, e, em menor proporção, cada diabo de per si.

Antes que houvesse criaturas num corpo cósmico, também não existiam diabos personificados, mas, apenas espíritos não amadurecidos e condenados na própria matéria telúrica; dela faz parte tudo o que percebeis pelos sentidos.

Uma coisa é certa: não há, em outros mundos, diabos mais perversos e maus, do que nesta Terra. Se tivessem permissão, muito prejudicariam o planeta e os seus habitantes. A fim de impedi-los, são acometidos com cegueira e tolice completas, e os seus núcleos assemelham-se aos manicómios, onde se enclausuram loucos e desvairados, para não prejudicarem os outros. Por esta explicação, podeis perceber, pelo raciocínio e intelecto claros, qual a situação de Satanás e dos demónios. Compreendeste tudo, escriba?»



LOCALIDADE DOS DEMÓNIOS PERSONIFICADOS


«Responde o escriba: Sim, Senhor e Mestre, à medida que o meu entendimento o assimila, porquanto o simples conhecimento não faculta percepção penetrante. Tendo revelado assuntos tão complexos, acrescenta mais a localidade dos diabos personificados, para nos podermos precaver.

Digo Eu: Julgas mui materialmente. Que importa certo local, onde poderiam encontrar-se demónios em pessoa? A tua alma, tornando-se pura e forte por Mim, poder-se-á encontrar nos piores agrupamentos diabólicos, que nenhum dano sofrerá. Uma alma pura e forte pode, não obstante rodeada por inúmeras legiões de diabos, encontrar-se no Reino dos Céus, que não existe algures, com pompa externa, mas no coração da alma perfeita; deste modo, ela se torna criadora do seu reino, semelhante a Mim, no qual jamais um demónio poderá penetrar.

Por isso, a localidade menor ou maior de diabos personificados lhe é inteiramente indiferente; ela, para onde for, leva o Céu consigo, assim como o diabo personificado carrega inferno ou julgamento.

Mas, falando a respeito dos diabos, classificarei as suas moradas especiais. Observai as casas de comércio e negócios, inclusive o Templo; são localidades especiais para inúmeros diabos personificados. Igualmente o são os antros, nos quais se pratica a impudicícia e o adultério; montanhas e cavernas perfuradas pelos homens, com avidez e cobiça de ouro, prata e pedrarias; florestas e grutas onde se ocultam ladrões, assaltantes e assassinos; campos de guerra; estradas de caravanas; rios, lagos e mares nos quais se comercia.

Além disto, territórios e bens de raiz, campos, pastos, vinhas e matas de pagãos inclementes; as possessões de ricos e avarentos – são habitações apreciadas por demónios; inclusive o ar naquelas localidades, o fogo, nuvens, chuva, todos os templos pagãos e os seus oráculos. Eles também se localizam em grande número onde se apresenta luxo excessivo e orgulho subsequente.

Locais não habitados e não vilipendiados pelos pecados humanos não são por eles procurados, a não ser que ali passe uma caravana gananciosa. Assim, recebeste esclarecimentos nesse ponto.»



(O Grande Evangelho de João – VIII – 34,35,36)


A FÉ E SEUS BENEFÍCIOS

Tudo está sujeito à lei suprema da causa e efeito.

Se comprarmos uma bela flor e a colocarmos num vaso precioso, mas se não a regarmos, dando-lhe a água e os nutrientes de que necessita para crescer em graça e beleza, acabará por murchar e morrer.

Nas nossas vidas acontece precisamente a mesma coisa.

Poderemos viver num entorno maravilhoso onde nada nos falta, mas se não alimentarmos a nossa alma, regando o espírito com a água da vida através do desenvolvimento espiritual que nos é transmitido pela Palavra de Deus, em vão nos servirão de proveito os afagos exteriores, pois o nosso interior irá fatalmente acabar por murchar e morrer. Ou seja, passaremos ao mundo das trevas como resultado causal.

Onde está a possibilidade de existir de uma semente? Na atenção prestada para que possa germinar, crescer e florescer segundo as expectativas do seu cuidador.

Espiritualmente falando, a semente é a graça da vida que é dada por Deus a todos sem distinção alguma.

O que faremos dela depende da forma como será cuidada.

No início a responsabilidade recai sobre os nossos progenitores que vão incutindo em nós as suas crenças religiosas até começarmos a ter maturidade suficiente para discernirmos entre o bem e o mal. A partir dessa altura, dependerá das decisões que tomarmos ao longo da vida.

Se trilharmos o caminho que nos convém e é benéfico para a nossa alma, sabemos o que devemos omitir, para que a jóia em flor que o Criador colocou no nosso coração não murche e morra sem glória.

Como tratar de um bem tão precioso? Através da busca para o aperfeiçoamento da nossa vida interior; pela aprendizagem da Palavra de Deus e tudo quanto possa nutrir e elevar o nosso espírito.

O conhecimento é da maior importância, porque abre a nossa compreensão para o Divino em nós, para a grandeza do Altíssimo e consequentemente para a aceitação da Verdade sem quaisquer dúvidas. E assim a fé brota nos nossos corações com alegria.

Porém, a fé também necessita de crescer tal como toda a vida. E reconhecendo que ela ainda é muito débil, então debatemo-nos com um dilema e nos questionamos:

Como posso aumentar a minha fé?

É bem simples – pedindo ao Senhor, em oração, como um dia pediram os discípulos: “Senhor, aumenta-nos a fé”.

E Deus, que é um Pai infinitamente misericordioso e deseja o melhor para nós, dá-la-á de acordo com o nosso desejo profundo e sincero. Isso irá modificar-nos para sempre.

Na realidade, a fé é a certeza das coisas que os nossos olhos terrenos não vêem mas anseiam e, se o pedido foi feito na base da revelação Divina, então a convicção da sua concretização mantém-se até ao final.

Claro que o oposto da Luz surge para repudiar ou menosprezar tal crença, considerando-a imprópria da era em que vivemos onde reina a ciência humana, e tudo o que possa contrariá-la é tomado como um estado delirante ou de desvario.

Aqueles que pela graça do Senhor, na sua fé inabalável, experienciam milagres e maravilhas que são expressões naturais do amor do Altíssimo são grandemente abençoados.

Ao longo dos séculos, milhões e milhões de relatos que até poderiam ter sido considerados “loucura”, foram registados, e os hospitais estão cheios de acontecimentos inexplicáveis para o provar.

Perante tais evidências, o que poderemos dizer?

Ainda que muitos não o pretendam admitir, a realidade é que não existe nada mais forte do que a Fé, mais poderoso do que a Oração, e nada nem ninguém maior do que o nosso Deus!

A fé torna-nos confiantes em cada amanhecer feito esperança renovada, na certeza de que o Senhor cuidará de nós, e nos dará forças para prosseguirmos quando nos depararmos com perigos que não conseguimos evitar.

E a imensa gratidão, que brota em nossos corações, admirando as maravilhas que nos rodeiam e aguardam no Além. Relativizamos o que é terreno, quando sabemos que outra vida gloriosa nos aguarda com Jesus por toda a eternidade – e descansamos nas mãos amorosas e misericordiosas do Todo-Poderoso.

Estamos vivendo tempos de incerteza; tempos conturbados como são do conhecimento geral e afectam a humanidade.

Não estamos em época de rupturas, mas de união, porque a união faz a força; tempo de vivenciar o amor, a graça e a paz, firmes (acreditando) nas promessas de Jesus.

A vida, ainda que manifestada de formas díspares pelo cosmos, é infinita e eterna, mas limitativa para o espírito que habita neste corpo temporário que lhe serve de suporte. A qualidade do nosso futuro depende muito das escolhas que fazemos, dos caminhos que trilhamos e do nosso grau de evolução da consciência.

Que ela se expanda, para que todos possamos ter a certeza que somos mais do que este corpo que se esvai como o vento que passa, pois alberga um espírito eterno.

Aos que porventura ainda deambulam no mar da dúvida e insegurança, agarrem-se à bóia de salvação que o Senhor estende, e os braços que oferece a cada um de nós, pois Ele não quer que ninguém se afogue e pereça.

Reconheçamos que a Fé verdadeira é uma bênção de valor incalculável; um mar de benefícios sem fim.

Sendo nós as mãos e os pés do Senhor, comandados para irmos por todo o mundo e pregarmos o evangelho a todas as criaturas, cabe-nos a responsabilidade de o fazermos. Tocando docemente o coração daqueles que estão ao nosso redor, despertando as suas almas para que possam vislumbrar a Luz tal como alguém um dia fez connosco.

É nossa responsabilidade, alertá-los para que deixem de viver no vazio que traz uma imensa solidão e insegurança. E possam sentir que têm por chão essa rocha firme que suporta as suas vidas - Jesus!

Que o nosso Eterno Pai seja com todos nós, para que possamos realizar o propósito para o qual fomos chamados segundo a Sua vontade; dando a conhecer ao mundo o Amor de Cristo.



Irmã Manuela Diniz



LUGAR À POESIA

Vejo que reina o ódio, que reina o mal,

Que reina a ira e a perversão na Terra.

Vejo uma raça indigna que só erra.

Vejo terror e sordidez total.


Ter um mundo impoluto era o ideal,

Mas vejo que ele em podridão se enterra.

Vejo miséria e guerra atrás de guerra

E isso a nós todos pode ser fatal.


Na vingança do Céu eu acredito,

Pois uma vez o mundo destruira

Porque a vil raça humana tinha errado.


Lede, cegos mortais, o que está escrito

No Livro Santo e ponde um freio na ira,

Antes que seja o mundo às trevas dado!



David Vidal – 2014

(In memoriam)



Leia A Bíblia O Grande Evangelho de João