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Janeiro a Maio de 2023


101-Ano XXXVIII-AVB-JANEIRO a MAIO 2023
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Ano XXVIII - Nº 101


Neste Boletim:






Disse Jesus:

Está escrito nos profetas:

Todos serão instruídos por Deus. Todo aquele que ouviu e aprendeu

do Pai vem a Mim.

(Evangelho de João 6:45)




”LEVANTA-TE E ANDA”


Há algum tempo, o Senhor num ditado que nos foi dirigido comparou a nossa comunidade Betânia ao paralítico que esperou trinta e oito anos por alguém que o empurrasse para dentro da piscina de Betesda, quando as águas se movimentavam, pois sempre havia cura para o enfermo que ali fosse colocado nesse momento. (João 5:1-9)

Ficámos surpresos, pois a Betânia fez precisamente em Fevereiro, coincidindo no tempo, trinta e oito anos de existência; esse foi o motivo de nos ligarmos à mensagem recebida.

Vamos transcrever a mensagem que o Senhor nos deu e que vai servir de mote à nossa reflexão.


«Trinta e oito anos é muito tempo para esperar um milagre, talvez até profetizado, mas é porque Eu ainda não tinha passado por ali.

Todo aquele que Me vê, viu, e conhece a Minha Voz, a Voz do Mestre, a ele chegará o dia de dizer: “Levanta-te, toma a tua cama e anda.” Num instante.»


Nestas palavras que nos foram dirigidas, vemos a história da nossa comunidade e a espera pelo milagre para o qual já não havia fé, pela longa demora.

A Betânia teve o seu início em 1985, quando duas famílias, um casal e três filhos ainda crianças, e duas irmãs, mãe e filha, sentiram a necessidade de se reunirem fora das suas habitações, para cultuarem a Deus, pois naquela altura não estavam ligados a nenhuma congregação; então resolveram procurar um lugar para se juntarem com regularidade.

Todos brincávamos com a situação caricata, pois dizíamos que estávamos a pagar uma renda, quando todos cabíamos no veículo que nos conduzia ao local onde se realizavam os cultos. Era uma rua central do Porto, num prédio novo destinado a escritórios. Fomos os primeiros inquilinos, e como a nossa sala ficava nas traseiras de um quarto andar, tínhamos de usar as escadas, pois os elevadores ainda não funcionavam.

Mas foi nesse lugar que nasceu o desejo de uma obra fraterna, que sabíamos ser possível, tal como aconteceu no longínquo princípio da igreja em Jerusalém: “E era um o coração e a alma da multidão dos que criam, e ninguém dizia que coisa alguma do que possuía era sua própria, mas todas as coisas lhes eram comuns.” (Actos 4:32)

Daí nascer no coração de todos dar o nome à comunidade de BETÂNIA, pois sabíamos que este lugar, habitação de Marta, Maria e Lázaro, era um lugar de eleição para Jesus; ali Ele descansava entre amigos, recuperando as Suas forças para o trabalho penoso do Seu ministério terreno.

Mesmo sem fazermos qualquer tipo de publicidade sobre a nossa existência, começaram a chegar outros irmãos que se encontravam nas mesmas condições que nós; passado pouco tempo já não cabíamos na sala, que tinha só dezasseis cadeiras.

Desta forma nasceu a Betânia, fruto do nosso esforço e vontade.

Mas o Senhor tinha outros planos para nós, os quais foram amadurecidos nestes trinta e oito anos de espera.

Essa a razão por que tomamos para nós as palavras da mensagem do nosso Pai, como já dissemos acima.

Esta mensagem fez-nos reviver o passado e podemos constatar que Deus não se esquece das Suas promessas.

Hoje, até o Senhor reconhece que o tempo de espera foi longo: Trinta e oito anos é muito tempo para esperar um milagre, talvez até profetizado…

Na verdade, já poucos esperavam que algo do que havia sido profetizado se cumpriria.

Mas Jesus entrou em “Betesda” e viu que precisávamos do Seu milagre.

Outros passaram adiante de nós quando as “águas eram agitadas” e beneficiaram do milagre, porque alguém os ajudava a entrar na água.

Não que nós não víssemos as águas se agitarem, mas humanamente não tínhamos essa ajuda, e por isso muitos sonhos firmados em promessas do Senhor surgiam e desvaneciam-se de seguida.

Mas Jesus chegou e neste momento só esperamos a Sua ordem: Levanta-te, toma a tua cama e anda.

Ainda esperamos outro acontecimento que segue a esta ordem de Jesus: Num instante.

Pela revelação do Senhor, que pode ser lida na transcrição do texto deste milagre descrito n’O Grande Evangelho de João, sabemos que as águas nunca se movimentavam num sábado e é por essa razão que esperamos que Jesus faça connosco algo novo, que contrarie aquilo que humanamente é possível.

Nada temos para Lhe dar, além de um forte desejo de O servir e ajudar aqueles que necessitam de ajuda física e espiritual, e levá-los a conhecer o Salvador.

Lembramo-nos das palavras de Lázaro, em Belém, quando Jesus curou muitos enfermos. Após a cura todos pediram ajuda, pois não tinham trabalho para se sustentarem; então Lázaro disse: “Ide a Betânia, lá há trabalho para todos e ninguém passa mal.”

Esse será o nosso lema e convite, pois Jesus disse-nos um dia: Colocareis em lugar de destaque as palavras O REINO DOS CÉUS ESTÁ AQUI.

Betânia - casa do aflito - é nosso desejo que verdadeiramente o seja.

Quanto a Betesda - casa de misericórdia - onde o Senhor nos encontrou, Ele não mais quer que alguém espere ali um milagre por tantos anos; a Sua misericórdia irá mudar todas as coisas.

Ele mesmo substituiu a piscina em que as águas se moviam de vez em quando, fazendo com que fossem águas curadoras em todo o tempo, como é dito na sequência da mensagem:

Na Minha piscina cura-se o corpo e baptiza-se a alma.

Não queirais resolver sozinhos aquilo que tem de ser feito com muitos e até de maneira sobrenatural.

Não haverá velhice, vestígios de reumatismo; tudo é novo e não há desgaste.


Que o Amor do nosso Pai nunca nos abandone, pois foi Ele que trouxe tudo à nossa memória, fazendo reviver a fé, ligando os factos actuais a outras experiências que aconteceram no passado, e que a seu tempo daremos testemunho.

Hoje ainda estamos no preparo e na constância da fé nas promessas do Senhor, mas brevemente tudo será uma realidade física, palpável, mostrando que nos nossos dias ainda é possível ver a concretização de obras que nascem por milagre dos Céus, pois para Deus nada é impossível.

Mas será no nosso tempo (dos mais velhos)?

Um dia foi-nos dito pelo Senhor directamente: Não te esqueças que o Meu tempo não é o teu tempo; e na ausência desta dimensão de eternidade … Deixamos o restante da frase para o Senhor completar com relação a esta obra.

Moisés, servo do Senhor, teve toda a revelação sobre a Terra da Promissão, mas a viu pela fé, sem nela entrar: “Esta é a terra que jurei a Abraão, Isaque e Jacó, dizendo: à tua semente a darei; mostro-ta para a veres com os teus olhos, porém para lá não passarás.”(Deuteronómio 34:4)


Fraternalmente em Cristo,

Irmão Egídio Silva




RECADOS DO PAI



«De gerações em gerações Eu visito o Meu povo e Me faço presente através da revelação viva - a Minha palavra.

Mas vós, vil povo Meu, nem sempre Me sabeis ouvir e muito Me entristece nem sequer me dares um pouco de crédito. Por isso Eu peneiro o Meu povo e faço arder no Meu fogo os escolhidos; e das cinzas nasce o carvão que há-de fazer a Minha obra viver, depois de ela nascer e crescer.

Para atingir o ponto do carvão, o corpo tem de padecer e perceber que o dono de tudo Sou Eu, e nas Minhas mãos tudo se transforma em ouro espiritual.

Nem um cêntimo importa, nem uma sombra amedronta, nem uma desgraça vos desvia, nem o amor de mãe vos faz sair do Meu caminho.

Só no Meu Amor vós protegeis os vossos. E só renegando, conseguis o Céu.

O vosso coração terá de dizer: nada tenho, nada quero, a não ser o Amor eterno do Pai. Aí atingistes o ponto do carvão e os vossos sentirão a vossa pequenez terrena e a vossa grandeza espiritual; e por contágio, aprenderão a ser melhores. Vós sois o Meu testemunho na terra para os vossos. Segui-Me.

De uma árvore podemos enxertar outra, de forma a termos duas a dar fruto. Por isso, trabalhai, porque da obra a nascer iremos fazer um enxerto que vai dar a obra grande, mas só na comunhão Comigo podemos trabalhar.

Planeai a vida em conjunto, na consagração plena da base e da entrega dos vossos. Sereis juntos por vontade própria e comungareis na nossa casa do primeiro amor.

Seja muito, seja pouco, tudo vai para o mesmo fundo comum. (Actos 4:32-37)

Eu, tudo vos direi. Nada será oculto se houver comunhão; mas vós sois poucos, mas e estes poucos outros se acrescentarão. A todos darei o júbilo da Minha presença em reunião diária, se assim o quiserem.

Deixai-vos de mundanices, crendices, medos e práticas religiosas.

Limpai o espírito, porque sois donos da Minha sabedoria na quantidade necessária.

Tudo vem por Mim, por comunhão, por ligação, por Amor, por limpeza da dureza do coração.

Lançai os barcos na água e deixai-os navegar no Meu mar e não tenhais medo de entrar, porque vós sois timoneiros, vós abrigais a Minha direcção.

O tempo começa a chegar-se.

Tudo vos disse para fazer sem sofrimento. Mas todos, todos vós recuastes. Aí, dei-vos tristeza, dei-vos melancolia, deixei-vos sós; fostes enfermados, operados, apertados por Mim; porque deixei que chegásseis ao ponto de clamar o Meu Nome, suplicar a Minha ajuda, agonizar na Minha procura.

Chegastes e Eu vos acolho de braços abertos e vos peço obediência, Amor e entrega, e tudo vos darei.

Tudo vos posso dar, porque sois Meus herdeiros.

No Amor tudo se vence.

No Amor tudo se consegue.

E Amor é obediência ao Pai, porque Ele é amoroso para vós.

Eu Me compadeço de vós e apesar do percurso e do sofrimento, a vitória vos acompanha.

Eu estou em vós.

Iniciemos mais uma etapa e que cada um abrace a sua tarefa com responsabilidade na ligação aos Céus.

Aqui Me faço presente para vos encher com o Meu Espírito.

Amém.»


***


EXCERTOS D’O GRANDE EVANGELHO DE JOÃO



A CURA DE UM ENFERMO NO LAGO DE BETESDA


«Naquele dia caminhei com os Meus discípulos até aos arrabaldes de Jerusalém, pernoitando numa hospedaria conhecida. Satisfeito com a nossa chegada, o hospedeiro manda preparar uma boa ceia e relata vários acontecimentos chocantes naquela cidade.

Então Eu digo-lhe: Vai amanhã ao Templo e verás a Minha atitude para com os fariseus, que saberão, sem restrições, com quem estão lidando.

Ele se alegra com tal perspectiva e nos serve mais pão e vinho. Não obstante ter ouvido muitos comentários sobre a Minha Pessoa, ignorava a Minha verdadeira identidade, motivo por que os discípulos o orientam. Em seguida nos recolhemos.

Na manhã de sábado subimos a Jerusalém, situada numa encosta rochosa, assim como o próprio Templo com os seus vastos átrios, os muros cerrados e terraços. Somos acompanhados pelo hospedeiro.

Nas proximidades do Templo passamos pelo Lago Betesda, ao lado do estábulo de carneiros, que possuía cinco dependências. Nestes recintos sempre havia grande número de enfermos, tais como, cegos, coxos, entrevados e outros, esperando que a água se movimentasse, pois de acordo com um velho dito da época de Melquisedeque, e segundo a crença firme, mormente dos pobres, um anjo vez por outra descia do Céu para movimentá-la. Ninguém havia visto o anjo; mas pressupunha-se a sua presença pela movimentação estranha do Lago.

Os próprios fariseus eruditos não acreditavam no fenómeno do Lago, considerando-o dotado apenas de faculdade curadora, sendo esta também a opinião de romanos e gregos; no entanto, os templários sabiam manter o povo nessa antiga crença, em benefício do Templo. Tão logo a água se movia – o que se dava uma a duas vezes por semana – transmitia um poder de cura tão formidável, ao ponto de curar quem tivesse a sorte de ser o primeiro a nela entrar, não obstante a sua enfermidade. É natural terem os ricos e abastados este privilégio, enquanto os pobres, impossibilitados de pagar, esperavam anos a fio até que um guarda mais bondoso os mergulhasse primeiro, e eles saravam no mesmo momento.

O hospedeiro critica acerbamente tal organização, classificando-a de injusta e imoral. Aponta-Me em seguida um velho, coitado, à espera da cura desde trinta e oito anos, sem que um dos guardas tivesse a ideia de facultar-lhe esse privilégio.

Tão alterado fiquei que disse ao hospedeiro: Embora seja sábado, ele deve ser socorrido. Em seguida dirijo-Me ao doente e digo: Queres curar-te?

Com tristeza ele diz: Bom senhor, não tenho quem me faça entrar na água quando ela se mexe; ao me aproximar, um outro, mais considerado, toma a dianteira. Como poderei curar-me deste modo?

Eis que lhe digo: Então levanta-te, apanha o teu leito e vai de onde vieste.

No mesmo instante ele recupera a saúde, pega na esteira e, de acordo com o hábito, aproxima-se de um sacerdote para apresentar-se como curado; a sua cura causa espanto porque a água nunca se movimentara num sábado. Os judeus não se teriam manifestado; mas o facto de ele carregar a sua esteira num sábado é prontamente criticado.

Ele, porém, diz: Aquele que me curou, mandou que eu o fizesse e caminhasse. Possuindo tamanho poder e tendo-me feito tão grande benefício, também lhe obedeço. Durante trinta e oito anos ninguém me fez um favor tão grande quanto ele.

Perguntam os templários: Quem te disse tal coisa?

Ignorando o Meu Nome, não pôde responder, e tampouco apontar-Me, porque Eu rapidamente Me havia afastado do local, em virtude da aglomeração do povo.»


O SENHOR DÁ TESTEMUNHO DE SI

E DA SUA MISSÃO


«Decorrida uma hora, fui com os apóstolos ao Templo, após termos falado a respeito da Minha doutrinação com a família de Lázaro de Betânia, que conhecia desde os Meus doze anos e costumava visitar anualmente durante as peregrinações a Jerusalém. Todos nos acompanham e quando entramos no átrio, encontramos o curado, que forçando a passagem, se aproxima para louvar-Me e agradecer-Me.

Eu, então, lhe digo: Como adquiriste a saúde, trata de não pecares no futuro, para não te suceder coisa pior.

Ele o promete e descobre o Meu Nome, porque muitos Me conhecem de épocas passadas. Assim informado, ele procura os judeus enraizados e lhes conta ter sido Eu, Jesus, quem o curou. Enraivecidos por Eu ter feito isto num sábado tão importante, eles viram-se para Mim, a fim de Me prender e matar. Percebendo o momento de perigo, o hospedeiro aconselha-Me a fugir quanto antes destes judeus odiosos.

Eu o acalmo, dizendo: Não receies nada, pois não poderão atacar-Me, se Eu não o quiser. Dir-lhes-ei indubitavelmente quem Sou e poderás ver o seu verdadeiro ódio, que ninguém precisa temer.

Enquanto assim falo a sós com o hospedeiro, os outros perguntam-Me bruscamente: Por que fizeste tal coisa num feriado tão importante, ultrajando-o diante do povo? Não podias ter esperado até amanhã?

Fitando-os com rigor, digo simplesmente: Até agora o Meu Pai no Céu tem agido, e Eu também o faço.

Ainda mais irritados, os judeus procuram cercar-Me nesse momento, gritando em altos brados: Não basta ter vilipendiado o sábado, ele também ultraja Deus, porquanto O chama de Pai, igualando-se a Ele! Manietai-o para que seja imediatamente estrangulado!

O tumulto no Templo é enorme e muitos tentam agredir-Me.

Levantando a Minha Voz, ordeno silêncio e dirijo-Me aos judeus enraivecidos: Em verdade vos digo: Eu, como Filho, nada posso fazer a não ser aquilo que vejo ser feito pelo Pai. Faço, pois, o mesmo que Ele. O Pai ama o Seu Filho e Lhe demonstra tudo que faz e ainda apontará obras mais importantes, provocando grande admiração entre vós. Assim como o Pai desperta os mortos, dando-lhes vida, também o Filho ressuscita a quem quer. Cegos, Eu vos digo: O Pai no Céu não julga, pois entregou o julgamento a Mim, Seu Filho, a fim de que todas as criaturas, judeus e pagãos, honrem o Filho como veneram o Pai. Quem, entretanto, não honra o Filho, deixa de honrar o Pai, que o enviou!

Enquanto assim falo, o silêncio é completo, pois Eu queria que os judeus se calassem.

Por isso prossigo: Realmente, quem ouve o Meu Verbo e crê convictamente Naquele que Me enviou a esta Terra, já possui a Vida Eterna e a sua alma jamais cairá em julgamento, ou seja, na morte da matéria, pois passou da morte para a vida, em virtude da sua fé viva e vigorosa.

E digo mais: Virá a hora e já chegou, onde os mortos de corpo e alma ouvirão a Voz do Filho de Deus, e quem Lhe der crédito receberá a Vida Eterna! Pois assim como o Pai possui a própria Vida, Ele faculta ao Filho a mesma posse. Além disto, legou-Lhe o poder de fazer o julgamento sobre todos os homens, e isto porque o Eterno Filho de Deus é nesta época também Filho do homem!»



O SENHOR FALA DO TESTEMUNHO

DAS SUAS OBRAS


«Alguns arregalam os olhos de estupefacção, enquanto outros são de opinião ser ultraje jamais visto, o que acabo de dizer. Ainda outros afirmam ser certamente verdade, pois homem algum havia dito coisas semelhantes.

Eu, porém, lhes digo: Hora virá em que todos, até mesmo os que estão nos túmulos (refiro-Me aos pagãos, mas os judeus não compreenderam), ouvirão a Minha Voz; os que fizeram o bem surgirão à verdadeira ressurreição da vida, mas os que praticarem o mal despertarão à ressurreição do julgamento, ou seja, a morte verdadeira da alma.

Então alguns começam a resmungar, dizendo: Este homem excede-se e começa a delirar, pois fala como se ele e Deus fossem idênticos. Quem teria ouvido coisa tal?

Eu, porém, lhes digo: Enganais-vos com este critério sobre a Minha pessoa, pois como simples homem nada consigo fazer. Ouço, entretanto, constantemente a Voz do Pai em Mim e ajo, falo e julgo de acordo; deste modo o Meu julgamento é certo, porque cumpro não a Minha vontade humana, e sim a do Pai que Me enviou a este mundo. Se como homem fosse testemunhar de Mim, tal testemunho seria falso; existe um Outro, que desconheceis e jamais conhecestes, que atesta a Minha pessoa através das acções conhecidas por todos, razão pela qual sei positivamente ser o Seu Testemunho verdadeiro, e que Me deu desde sempre.

Enviastes mensageiros para João Baptista, certificando-vos atestar ele a Verdade. Como vedes, não aceito testemunho dos homens: pois atesto de Mim mesmo através do Pai, e isto, para que vos torneis realmente felizes. Por que não vos agrada?

Alguns respondem: Se João, a julgar pelas tuas palavras, provou a Verdade, o seu testemunho era suficiente; para que fim nos serviria o teu testemunho especial? Pois de acordo com as palavras dele, já conseguimos a bem-aventurança.

Digo Eu: Não resta dúvida ter sido João uma luz flamejante e iluminadora, no entanto, apenas o procurastes para vossa distracção. Eu, porém, tenho uma prova mais poderosa a Meu favor do que ele; pois as Obras que o Pai permitiu fossem unicamente por Mim efectuadas diante de todos, provam evidentemente ter o Pai Me enviado como Seu Filho.

Este mesmo Pai que Me enviou junto de vós, de há muito testemunhou de Mim pela boca dos profetas, não obstante nenhum de vós ter ouvido a Sua Voz e visto a Sua Pessoa. Bem ouvistes o Seu Verbo pelas Escrituras dos profetas; não o tendes, porém, dentro de vós porque não credes Naquele que vos foi enviado. Pesquisai na Escritura que, a julgar pela vossa opinião, contém a vossa vida eterna, e justamente ela prova de Mim, centenas e milhares de vezes.

Que tendes contra Mim? Acaso não é justo Eu ter vindo sem pompa externa para não vos deixar receosos e apavorados? Acaso Elias viu Jeová passar na tempestade ou no fogo, quando recebeu em espírito a profecia da Minha Vinda Espiritual, ou quando se achava oculto na gruta? Não, Jeová passou num sussurro delicado. Por que não credes? As Minhas acções praticadas diante de milhares não dão prova autêntica? Teria alguém no mundo feito coisa semelhante?»


(O Grande Evangelho de João – VI – 1,2,3)






O REINO PECULIAR

(Salvadora pérsica)


«Outra parábola lhes propôs, dizendo: O reino dos céus é semelhante ao grão de mostarda que o homem, pegando nele, semeou no seu campo; o qual é, realmente, a menor de todas as sementes; mas, crescendo, é a maior das plantas, e faz-se uma árvore, de sorte que vêm as aves do céu, e se aninham nos seus ramos.» (Mateus 13:31-32)

Jesus anunciou um reino peculiar. Imagino os seus contemporâneos a vê-lo e ouvi-lo, inclinando a cabeça para um lado e para o outro, várias vezes, em pouco tempo, como fazem, graciosamente, os cães. Chamava-lhe “Reino dos Céus”.

Era estranho este reino. Começava de algo muito pequeno, como um grão de mostarda, e tornava-se em algo muito grande, como a Salvadora pérsica, a árvore da mostarda. Começava, não havendo lugar para ele (como quando Jesus estava para nascer), mas uma semente germinava e transformava-se no Lugar. Um espaço grande, estruturado, abrigado do sol escaldante, onde apetecia fazer ninho, morar.

Estranhíssimo. Quem quisesse fazer-se grande, deveria ser um serviçal. O líder deveria ser como o que serve. Numa de várias ilustrações vivas, Jesus lavou os pés aos discípulos. A reacção destes foi de perplexidade e um deles disse que não poderia aceitar ser servido pelo mestre. Seguiu-se mais uma frase desconcertante de Jesus a Pedro: Se eu não te lavar, não tens parte comigo. Para além disto, instruiu os seus seguidores a não deixarem tratar-se por “mestres” ou “doutores” e a olharem-se uns aos outros como irmãos.

Porém, cada um devia olhar para si e corrigir-se, em vez de apressar-se a apontar os erros do irmão ou da irmã. E deveria amar o outro como a si mesmo. Como? Sim, Jesus disse isto. Aliás, em resposta a um grupo de fariseus que o colocavam à prova, fez a seguinte síntese: Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração e de toda a tua alma e de todo o teu entendimento. Este é o primeiro e grande mandamento. E o segundo semelhante a este é: amarás o teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos depende toda a lei e os profetas. (Mateus 22:37-40)

A palavra “amar” é crucial, prevenindo o resvalar para a distorção de tantas irmandades ditatoriais de natureza religiosa ou política.

Sim, a estranheza não se esgota aqui. Jesus reinterpretou a Lei e os Profetas, ou, dito de forma mais abrangente, o Antigo Testamento, o Velho Pacto. Ressuscitou o espírito da Lei, que andava ressequida como ossos de um ritualismo vazio. Desafiou tabus, ousou aplicar os textos sagrados de forma nova ou a novos contextos e, como um esteta, trouxe um olhar cheio de luz, extraindo beleza de quase tudo. Ampliou o Pacto a todos os gentios, os não-hebreus, fazendo questão de propor a religação a Deus, honrando-os, com equidade, aos olhos de todos.

O reino que anunciava parecia um edifício ao contrário. A base estava nos Céus e crescia de cima para baixo e também transversalmente. Exacto, uma cruz.

A cruz é um elemento muito curioso em tudo isto. Na época em que Jesus viveu (7-2 A.C. a 30-33 D.C.), a Judeia era uma província do Império Romano. A crucificação era, então, uma forma usual de pena capital para criminosos, militares desertores, gladiadores, rebeldes, escravos e outros que não tivessem a cidadania romana. Ora a mensagem de Jesus era estranha, inquietante, revolucionária. Por outro lado, à luz da lei mosaica, ser crucificado (por ser pendurado) representava ser considerado “maldito”.

Como se não bastasse a dupla injustiça de que foi alvo, os discípulos já tinham ouvido de Jesus palavras sísmicas como: Se alguém quiser vir após mim, renuncie-se a si mesmo, tome sobre si a sua cruz e siga-me. Porque aquele que quiser salvar a sua vida, perdê-la-á, e quem perder a sua vida por amor de mim, achá-la-á.(Mateus 16:24-27). Isto significa, entre outras coisas, que Jesus aceitou submeter-se à injustiça e fez a apologia da renúncia do “eu” como forma de vida.

Anteriormente, tinha-se pronunciado acerca do que considerava ser “bem-aventurado”. E não, não era ser rico, influente, poderoso, eloquente, alegre, combativo, reivindicativo... No reino peculiar que anunciava, valorizavam-se os humildes, os sofredores, os injustiçados, os perseguidos, os que perdoavam, os conciliadores, os “limpos de coração”... Jesus propunha, assim, uma nova forma de as pessoas olharem para si próprias, para o sofrimento e a vulnerabilidade. Admitir o sofrimento como parte da vida e vivenciar a vulnerabilidade de uma forma esperançosa representava aceitar a morte, ou melhor, dispor-se a morrer, e, por conseguinte, superar a morte, viver acima da morte. Sim, palavras difíceis de engolir, que escandalizaram e continuarão a escandalizar de século em século.

Quem quisesse mudar-se para este reino peculiar, consentia em abdicar do controlo feroz de si, da sua vida e das circunstâncias e submetia-se ao “jugo suave” e ao “fardo leve” de Jesus, um professor “manso e humilde”. O estilo de vida preconizado baseava-se no depender de Deus e o resistir à tentação de competir com Ele. Isto por oposição aos jugos esmagadores e fardos pesados de outros estilos de vida, em que a luta pelo controlo e pelo poder acarretava, não infrequentemente, ansiedade, mesquinhez, maldade, violência.

Uma outra frase estranha foi: A minha comida é fazer a vontade daquele que me enviou e realizar a sua obra(João 4:34-35). Como quem diz “alimento-me de obedecer a Deus”. Esta palavra – “obediência” – arrepia a pele de um habitante do século XXI, habituado ou instigado a exigir o que considera pertencer-lhe, o que, no limite, pode ser praticamente tudo.

Ainda a propósito de comida e de morte – que estranha combinação de conceitos caros ao Cristianismo – Jesus gostava de estar e de comer com as pessoas. A comida promove o encontro e a partilha. Na última Páscoa que celebrou com os discípulos, referida frequentemente como “última ceia”, quis que estes o vissem como pão e como vinho. “Tomando o pão, e havendo dado graças, partiu-o e deu-lho, dizendo: Isto é o meu corpo, que por vós é dado (Lucas 22:19). Este cálice é o Novo Testamento no meu sangue, que é derramado por vós (Lucas 22:20). Estas afirmações deixam entrever que Jesus estava ciente do que aconteceria após aquela refeição e que estava disposto a submeter-se a uma sequência de acontecimentos que teriam como desfecho a sua morte por crucificação. Considerava que o seu sofrimento não seria em vão. Desde que aceitassem a dádiva da sua vida (simbolizado no comer / interiorizar / assimilar o pão-corpo e o vinho-sangue), os discípulos e todos os que o seguiam ou viessem a seguir, beneficiariam de um sacrifício eterno que lhes permitiria o estar em vida de relação com Deus. Milénios antes, os holocaustos de animais executados por sacerdotes da tribo de Levi eram o meio de os hebreus expiarem os seus pecados e poderem manter-se em contacto com o “Eu Sou” (YHWH). Jesus fazia-se, assim, substituir ao cordeiro dos holocaustos, e simultaneamente assumia a função de sumo-sacerdote, que intermediava o povo e Deus. Passa a haver uma ênfase na adoração “em espírito e em verdade”, em vez de um ritualismo esvaziado.

O Cristianismo não se encerra na morte. Esta é um conceito fundamental, mas é um meio e não um fim. A finalidade é a ausência de fim, isto é, a vida eterna.

À crucificação, seguiu-se a ressurreição de Jesus. Depois ascendeu e deixou um substituto, o Espírito Santo. Há uma extraordinária beleza e coerência na narrativa cristã. Deus corporiza-se e vive entre a humanidade, na pessoa de Jesus. Este submete-se, resumindo-se aos limites do ser humano e, fazendo-o, transcende-se, estando aberto a manifestar o poder de Deus, o Pai, a quem obedece. Morre e ressuscita, vencendo a morte. Acrescenta: Convém-vos que eu vá, porque se eu não for, o Consolador não virá até vós; mas se eu for, enviar-vo-lo-ei. E quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, da justiça e do juízo. (João 16:7-8). O Consolador é o Espírito Santo. Acerca deste diz Jesus: Quando vier aquele Espírito de verdade, ele vos guiará em toda a verdade; porque não falará de si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido, e vos anunciará o que há-de vir. (João 16:13). Assim, Jesus ascende aos Céus, deixando de estar com a humanidade em corpo, mas Deus mantém-se presente espiritualmente (através do Espírito Santo).

Não admira que o ciclo de vida de uma planta como a Salvadora pérsica seja uma boa metáfora do reino peculiar. A pequena semente de mostarda é lançada à terra e germina, cresce, desenvolve-se, ramifica, floresce, frutifica. O fruto cai na terra e esta “morte” é necessária, para que a semente, debaixo da terra, germine, dando origem a uma nova planta (ressurreição). Os ciclos e ciclos que se repetem são uma forma de eternidade, à qual subjaz o Velho Pacto e a transformação deste em Novo Pacto.


Irmã Abigail Ribeiro







UM POUCO DE HISTÓRIA



UMA CURA IMPOSSÍVEL


Um dos sinais que Jesus deixou para os seus seguidores era de que imporiam as mãos sobre os enfermos e estes seriam curados. (Marcos16:18)

Aonde chegava, qualquer enfermo era curado ou liberto por Jesus. E esse poder Ele deixou para aqueles que o seguissem, como mandamento registado no Evangelho.

Independentemente de certas correntes teológicas aceitarem ou não esse mandamento, nós continuamos a crer que Jesus continua a operar da mesmíssima maneira: com ou sem imposição de mãos. O poder não está nas mãos, mas no Nome de Jesus.

Todos nós já temos experimentado este milagre. Não é estranho nem anormal para nós. Colocamos diante do Senhor os muitos enfermos que conhecemos e aguardamos que o Senhor opere. Por vezes é de imediato, outras vezes não. Nem sempre o Senhor cura. Porquê? Não temos resposta para isso.

Poderia aqui relatar milhares de testemunhos sobre cura.

Mas quando pensava em relatar um caso em particular, os meus olhos pousaram sobre um livro que li em 1980 e reli em 2020 chamado “Missão Possível”; narra a saga do seu autor como cristão cujo trabalho era levar Bíblias para os países da chamada “Cortina de Ferro” e ajudar cristãos que viviam nesses países com dificuldades materiais, bem como ajudar outros cristãos numa fuga para a liberdade dado que eram perseguidos naqueles lugares.

A vida deste homem foi muito rica em bênçãos e em aventuras por sítios perigosos.

Mas apesar do seu trabalho abnegado, o Senhor não o poupou de algumas vicissitudes. E uma delas foi que teve um AVC, ficando paralisado do lado direito, tornando-o dependente da esposa e praticamente impossibilitado para o trabalho que estava a fazer.

Só que alguns meses depois deste incidente, ele teve de voltar a um desses países para resgatar uma família que estava na iminência de ser presa e passar longos anos numa prisão por causa da sua fé.

Tentou esquivar-se ao chamado (como Jonas) argumentando que não tinha condições para fazer esse trabalho, mas o Senhor dizia que tinha de ser ele a fazer aquela viagem de maneira que pudesse ir e regressar com aquela família.

Depois de alguma relutância, acabou por fazer a vontade de Deus.

De bengala, limitado no andar, com o braço direito paralisado, fez a dita viagem de encontro às pessoas que estavam à sua espera.

Depois de alguns sobressaltos, encontrou os irmãos em Cristo na Hungria; no regresso, perderam-se no caminho e foram de encontro a uma força do exército daquele país. Parecia que tudo estava perdido.

Empurrado pelos soldados com a espingarda encostada às costas, foi obrigado a andar como se fosse uma pessoa normal. Quando estava prestes a desistir, surge repentinamente uma tempestade. Quando um trovão passou directamente por cima deles, algo incrível acontece. São do próprio as palavras sobre o que aconteceu: “…de repente fui sacudido pelo que me pareceu uma carga eléctrica tremenda que percorreu todo o meu lado direito como uma explosão da própria vida, trazendo energia imediata a cada nervo e fibra. Verifiquei com assombro que já andava.”

As palavras do seu médico tinham sido muito claras: “Jamais vai andar como andava. Vai ficar paralisado para toda a sua vida.”

Passou muito tempo desde que tivera o AVC. E foi num país distante do seu e em condições adversas que o Senhor o curou (e não houve nenhuma imposição de mãos, mas antes uma arma bem encostada às suas costas).

Deus opera quando, como e onde quer.

Podia ter enviado outro. Mas não o fez. Podia ter enviado uma pessoa normal e forte. Mas não o fez. Enviou uma pessoa diminuída fisicamente, com problemas de saúde, mas fez triunfar o Seu Poder através de um simples trovão. (Quantos de nós fugimos deles quando os ouvimos).

Este homem, pastor dinamarquês de uma grande igreja (que não tinha a mesma visão que ele) experimentou Jesus em lugares nunca antes pensados e viu a coragem, a força, os milagres de Deus em muitas situações em que ele pensava que o Senhor estaria ausente.

O Senhor NUNCA abandona os que são seus.

Como podemos verificar, Deus continua a operar como operava na igreja primitiva. O Poder é o mesmo. A Sua Palavra é Fiel.

Este evento passou-se em 1969.

A título de curiosidade: foi numa tempestade assim que Lutero teve um encontro pessoal com Deus, pois estava com medo dos raios.



Irmão Tomaz Correia


Bibliografia:

- A Bíblia

- “Missão Possível”, H K Neersskov e Dave Hunt




Leia A Bíblia e  ‘O Grande Evangelho de João



“A Luz Completa

Mas, quando vier aquele Espírito de verdade, ele vos guiará em toda a verdade; porque não falará de si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido, e vos anunciará o que há-de vir.” (Evangelho de João 16:13) Eis a razão, porque agora transmito a Luz Completa, para que ninguém venha a desculpar-se numa argumentação errónea de que Eu, desde a minha presença física nesta terra, não Me tivesse preocupado com a pureza integral de Minha doutrina e de seus aceitadores. Quando voltar novamente, farei uma grande selecção e não aceitarei quem vier escusar-se. Pois todos os que procurarem com seriedade acharão a verdade.

(O Grande Evangelho de João – volume I –)


--Imagens de wix, freepick e pixabay--

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