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Julho 2021


89-Ano XXVIII-AVB-JULHO de 2021
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Ano XXVIII - Nº 89


Neste Boletim:






A PROTECÇÃO DO SENHOR

Começamos por citar um pequeno excerto da longa explicação do Senhor sobre os terramotos, que incluímos neste boletim em ‘Dádivas do Céu’. É dito:


Podeis estar totalmente certos que se em algum lugar, entre milhões de pessoas, existir um único que Me reconhece e que está no Meu amor, então aquele lugar, mesmo que a sua crosta fosse tão fina como uma folha de papel, mantém-se firme e forte, como se o seu subterrâneo fosse de milhas e milhas de rocha compacta.


Realmente, por amor a um, o nosso bondoso Pai abençoa aqueles que se encontram ao seu redor; lembramo-nos das palavras de Paulo, quando o navio em que ia preso para Roma estava prestes a soçobrar, e lhe foi dito por um anjo do Senhor: “Porque esta mesma noite o anjo de Deus, de quem eu sou, e a quem sirvo, esteve comigo, dizendo: Paulo, não temas; importa que sejas apresentado a César, e eis que Deus te deu todos quantos navegam contigo.” [1]

Vemos aqui manifesta a misericórdia do Senhor; por amor a um só dos Seus servos fiéis, foram salvas 276 pessoas.

Nestes dias que vivemos, o temor das pessoas as leva a procurar um lugar “seguro” - e nestas também se incluem muitos servos do Senhor. Lembramo-nos de uma família crente em Jesus, que há quarenta anos, procurou sair da cidade e viver no campo. Hoje na acalmia que o tempo trouxe, o seu testemunho já não é de medo, mas de confiança. O patriarca dessa família actualmente diz: “A pessoa pode estar segura no campo, mas se não tiver Jesus vai perecer na mesma; mas aquele que está morando na cidade, e tem o Senhor em seu coração e vida, vai prevalecer e ser salvo.”

Não é fugindo de um lugar para o outro que encontramos protecção divina, mas é na fé e na confiança em Sua palavra. Esta é a realidade que não podemos escamotear, pois tem respaldo na Escritura, que diz: “Aquele que habita no esconderijo do Altíssimo, à sombra do Omnipotente descansará. Direi do Senhor: Ele é o meu Deus, o meu refúgio, a minha fortaleza, e nele confiarei.” [2]

Sabemos que algumas alterações surgirão na nossa vivência, e neste mundo; mas nunca nos devemos precipitar, tomando atitudes que não estejam orientadas pelo Senhor e comprovadas por sinais claros de que foi Ele que falou.

Noé preparou a arca para salvação da sua família e as espécies de animais que Deus quis preservar para habitarem numa terra purificada, mas tudo foi feito sem pressa; pois antes, o Senhor, pelo Seu amor, mandou os Seus profetas, por mais de um século, alertar a humanidade pervertida para que se arrependesse e se voltasse para Ele.

Também na nossa comunidade, tal como em muitas outras à face da Terra, nos foram transmitidas orientações para nos prepararmos para dias especiais, mas devemos ter cuidado com as atitudes precipitadas.

A Palavra é enfática, quando assim nos adverte:

"Portanto assim diz o Senhor Jeová: Eis que eu assentei em Sião uma pedra, uma pedra já provada, pedra preciosa de esquina, que está bem firme e fundada; aquele que crer não se apresse.[3]

Cremos que a nossa fé está alicerçada nesta Pedra que é o Senhor, portanto devemos deixar que Ele mesmo fixe o Seu tempo, exercitando a paciência, para que tudo possa surgir sem atropelos, pois em revelação fomos alertados para estar nesta fé confiadamente. Foi-nos dito pelo Pai:

Fazei o Meu Refúgio, para que a profecia se cumpra e sereis cumpridores da Minha obra. Estou tão próximo de vós e não conseguis Me alcançar. Vivei pela fé e não pela visão; confiai na Minha presença (…) Eu ausculto os vossos corações e os sinto; as vossas varas estão a ser limpas para nascer a flor e fruto. Mas o tempo ainda demora no vosso tempo e se apressa no Meu.


Na paz e na total confiança, sabendo que “para Deus tudo é possível”, devemos continuar a viver o dia-a-dia, tendo sempre como alvo maior os dois mandamentos do Amor. Primeiramente amar a Deus sobre todas as coisas, não nos apegando a nada que é material e procurar dentro das nossas capacidades ajudar o nosso próximo, quer espiritualmente, orando por todos, quer fisicamente ajudando na medida das nossas capacidades.

Terminamos, reflectindo nas palavras de Jesus, depois de anunciar os muitos acontecimentos ligados com a Sua segunda vinda: Mas não perecerá um único cabelo da vossa cabeça. Na vossa paciência possuí as vossas almas. [4]


Fraternalmente em Cristo.


Irmão Egídio Silva



[1] Actos 27:23-24 [2] Salmo 91:1-2 [3] Isaías 28:16 [4] Lucas 21:18-19






DÁDIVAS DO CÉU


OS TERRAMOTOS E A SUA CAUSA

«Na natureza ainda acontecem coisas, grandes ou pequenas, das quais os cientistas não têm o menor conhecimento.

A estes fenómenos naturais pertencem, por exemplo, o magnetismo do pólo norte, a aurora boreal, o raio e os assim chamados fenómenos rápidos como a estrela cadente, nuvens no céu azul, as formações de cristais, as marés dos mares, a revolução da Terra, um prolongado tremor, ou abalos que, como é do nosso conhecimento, já arrasaram totalmente regiões em poucos segundos. A estes fenómenos também pertencem os deslizamentos, as líridas [chuvas de meteoros], a destruição total de montanhas ou ilhas e, ainda mais, o partir da Terra, o secar das fontes e até de rios e poços, o retraimento do mar e, nestas ocasiões, o aparecimento de fogo e fumo dos abismos da Terra. Ainda existem muitos mais, alguns já conhecidos e outros que ainda não foram observados por ninguém.

Mas hoje só quero referir-Me aos terramotos, como também aos movimentos e aos abalos da Terra.

O conhecido “terramoto” não é um acontecimento isolado, mas sim a consequência de um abalo sísmico que aconteceu em algum lugar do planeta.

(…) Ao observardes estes fenómenos que acontecem em toda a superfície da Terra, com toda a sua terrível violência e grandeza furiosa; como por exemplo, a destruição de Lisboa, da ilha de Java e locais parecidos, da região próxima ao Monte Ararat, esta última acontecendo seguindo fielmente os ensinamentos que hoje vos dei e que pudestes sentir um pouco até aqui em vossas casas, como também toda a América sentiu. Isto acontece da seguinte maneira:

Quando uma placa contínua (sem mesmo qualquer interrupção) se estende até ao ponto do abalo, então este abalo reflete-se em lugares bem distantes. Seria o mesmo que colocásseis uma série de estacas de forma contínua, e o abalo que causardes no ponto inicial A se estenderá sucessivamente até B, no fim das estacas. Vede, é assim que este abalo pode estender-se a regiões bem distantes.

Estes abalos, como vemos, têm consequências naturais, mas estas não são as únicas nem as mais importantes, pois se elas fossem sem alguma utilidade para Mim, seria muito fácil evitá-las. Mas como elas são de grande utilidade e originando-se no Meu Amor e Sabedoria, elas são enviadas a tais localidades como “mensageiros” de advertência, pois nesses locais as pessoas nada mais sabem de Mim, conhecendo menos que uma árvore na floresta sabe de Mim. Estes “mensageiros” então comunicam a tais pessoas que Me esqueceram tão completamente que Eu ainda não morri, mas sim que ainda existo com todo o Meu poder e força. E que só é necessário um pequenino aceno da Minha parte para que em todo o planeta aconteça o mesmo que aconteceu na região do Ararat (o pico mais elevado na Turquia).

Pois saibais que a vossa região está minada em suas profundezas (a cerca de 3.900 metros profundidade) de tais câmaras de água. As vossas montanhas, bem como as vossas planícies, encontram-se, pois, flutuando sobre estas águas e são de certa forma ligadas ou ancoradas por enormes pilastras de rochas.

Só é necessário que Me esqueça um pouquinho, e podereis estar certos que Eu também conseguirei apresentar-vos um espetáculo bem maior que aquele que foi visto no Ararat. Porém Eu vos digo: Ai das pessoas às quais Eu preciso dedicar este tipo de espetáculo.

Lembrai-vos, porém, diante destes acontecimentos que não cai uma gotinha de uma nuvem sem que antes ela tenha passado pelo Meu Amor e sido criado pelo mesmo. E podeis ter a certeza que, quando vos envio uma chuva como a de ontem, que veio das mais altas pastagens da vida, toda a manutenção da Terra depende desta primeira gotinha que mal consegue humedecer um grãozinho, o qual teria explodido sem ela e teria levado os elementos que o sitiam a uma atitude similar, e estes aos seus vizinhos e assim por diante até ao último grãozinho da Terra. Podeis ter certeza que nos próximos segundos a Terra estaria envolta em chamas destruidoras. E da mesma maneira que o grãozinho de areia poderia ter despertado o seu vizinho para a destruição, assim também uma Terra despertaria a outra e um Sol ao outro e assim por diante até ao infinito. E tudo seria a obra de um instante, o mesmo que se vós tomásseis um grãozinho da vossa odiosa pólvora e o incendiásseis; mesmo que ele fizesse parte de um montão do tamanho da Terra, todos os grãozinhos que o compõem se inflamariam instantaneamente.

Mas se este grãozinho de pólvora tivesse sido humedecido pela gotinha que caiu da nuvem, o que será que aconteceria, quando a centelha da chama o atingisse? Nada. O grãozinho de pólvora humedecido não se inflamaria e o restante estaria seguro, não haveria perigo algum de explodir e estaria protegido da destruição.

Vede, tudo o que vós conseguis ver ou compreender, mesmo aquela pequena poeira solar que se mexe, não depende de forma alguma do acaso, mas tudo – absolutamente tudo – já foi por Mim programado em eternidades; tudo foi pesado e tudo foi medido. Se um ser humano, ou mesmo o espírito de um anjo, conseguisse realizar alguma modificação e se o Meu eterno cuidado não estivesse sempre presente, poderíeis ver o desastre que aconteceria, mesmo só com a modificação desta pequenina poeira solar.

Eu, porém, vos digo: O centro de gravidade de um sol central depende, no seu mais íntimo, do rumo de uma poeirinha não visível aos vossos olhos. Pois a Minha Ordem é tão exactamente dirigida a tudo, que desde o maior até ao menor, tudo e todos existem para a preservação do Todo.

Agora vós vos perguntareis: Porque existem estes enormes depósitos de água debaixo das montanhas e planícies, onde toda a superfície está sempre em perigo de afundar nas profundezas enormes destas águas?

Eu digo: Está tudo assim organizado, para que exista desta maneira eternamente. E assim seria, se não houvesse a maldade voluntária dos humanos que perturbam a Minha eterna Ordem, esta maldade na qual Eu não posso interferir, pois o livre arbítrio de um único ser humano Me é mais valioso do que um cosmo solar e todos os seus sóis, luas, planetas e estrelas.

Se Eu retirasse a água dos depósitos subterrâneos, dizei-Me com o que o grande fogo que está no interior da Terra poderia ser suavizado e amenizado?

Se a visão da região do Ararat vos causa tanto horror, ela, no entanto, é bênção para a conservação do todo. Se não acontecesse da maneira que já foi mencionada, em vez da destruição de uma região pequena, aconteceria a completa destruição da Terra no momento seguinte.

Eu sou o eterno e supremo Amor em tudo o que os vossos olhos conseguem ver e os vossos ouvidos conseguem ouvir. Sendo Meu, tudo foi criado pela Misericórdia do Meu Amor e assim continua a existir no Meu Amor, e sendo algo desintegrado, o será suave e amorosamente no Meu Amor. E mesmo a matéria visível representando – e é de facto – a ira da Minha divindade, esta só é mantida calma pelo Meu Amor enquanto a Minha eterna Ordem assim achar necessário.

Podeis estar totalmente certos que se em algum lugar, entre milhões de pessoas, existir um único que Me reconhece e que está no Meu Amor, então aquele lugar, mesmo que a sua crosta fosse tão fina como uma folha de papel, mantém-se firme e forte, como se o seu subterrâneo fosse de milhas e milhas de rocha compacta. Mas lá, onde entre milhões não se encontra um único que deseja conhecer-Me e amar-Me como o único conservador de todos os mundos e de todos os seres, lá nem mesmo uma crosta tão grande quanto um sol e dura quanto um diamante será frágil demais para se opor à destruição, se esta for necessária para a conservação da Minha Ordem.

Mas como suponho que Me amais em verdade, não tendes que temer nada, mesmo que a Terra se despedace debaixo dos vossos pés. Em verdade, Eu vos digo: Também se estivésseis caminhando sobre destroços fumegantes da Terra, deveríeis saber reconhecer-Me em espírito, verdade e no amor dos vossos corações.

Eu afirmo que destruirei sóis, e os destroços do mundo voarão quais raios de um lado ao outro e se inflamarão com o fogo da Minha ira por todo o infinito, e mesmo assim nenhum cabelo será tocado naqueles que Me amam. Eu sou e sempre serei um bondoso e carinhoso Pai para os Meus filhos. Amém.»



(Texto revelado a Jakob Lorber em 27 de Setembro de 1840)

EXCERTOS D’O GRANDE EVANGELHO DE JOÃO



TERCEIRO E QUARTO FOGO DE PURIFICAÇÃO



(O Senhor): «Uma terceira qualidade de fogo consistirá em Eu inspirar, alguns séculos antes, videntes, profetas e servos que, em Meu nome, esclarecerão todos os povos, clara e verdadeiramente, sobre todas as coisas, libertando-os de mentira e mistificação, pelas quais os próprios falsos profetas, em Meu nome, iniciaram o caminho da perdição, até mesmo na Minha época.

Farão falsos milagres e sinais como fazem sacerdotes pagãos, seduzindo muitas criaturas para angariar tesouros, riquezas, poder e grande conceito; através do terceiro Fogo e da sua Luz claríssima, tudo perderão, sendo aniquilados. Os regentes tentando socorrê-los, perderão poder, bens e trono; pois Eu inspirarei os Meus reis e chefes de Estado, dando-lhes a vitória, e a antiga noite do inferno e os seus mensageiros na Terra terão fim.

Assim como essa noite consiste na cerimónia pagã, ignorante e tola, chamada culto a Deus, também existirá naquela época, sendo dizimada pelo terceiro fogo dos Céus. A mentira não poderá ser vencedora na luta com a Luz da Verdade celeste, assim como a noite natural não poderia enfrentar o Sol: terá que fugir para a sua cavernas e profundezas, e aqueles que se encontram na Luz não mais procurarão a treva.

Agora demonstrarei a quarta espécie de fogo, pela qual toda a Criação será purificada na Minha Segunda Chegada. Essa espécie consistirá em grandes convulsões terrestres de várias categorias, mormente naqueles pontos onde foram construídas as metrópoles sumptuosas, em que dominam o pior orgulho, desamor, maus costumes, falsos testemunhos, poder, honrarias, ócio, ao lado da maior pobreza, miséria e sofrimento gerados pelo excessivo epicurismo dos ricos.

Em tais cidades surgirão, por ganância, fábricas em grandes proporções e, em vez de mãos humanas, trabalharão fogo e água em união com milhares de máquinas artísticas de aço. O aquecimento será feito por meio do remoto carvão que, em tal época, será extraído das minas em grandes massas.

Quando tais máquinas, pelo poder do fogo, tiverem atingido a sua culminância, a atmosfera terrestre será tão fortemente carregada com gazes incendiáveis, que se incendiarão cá e acolá, reduzindo tais centros e arrabaldes em cinza e poeira, inclusive os habitantes. Tal será uma purificação enorme e eficaz. O que não for atingido pelo fogo será feito por tempestades várias, onde for preciso; pois, sem necessidade, nada será queimado nem destruído.

Por esse meio, o ar será liberto dos vapores nocivos e dos elementos da Natureza; haverá influência benéfica sobre todos os seres da Terra e a saúde dos homens, a ponto de terminarem várias moléstias malignas, atingindo o género humano idade avançada e saudável.

Como as criaturas purificadas se acharão na Minha Luz, respeitando para sempre as Leis do Amor, os bens terrenos serão de tal forma distribuídos, que cada um terá o suficiente, aplicando justo zelo. Os chefes da comunidade, bem como os regentes igualmente agindo sob a Minha vontade e luz, farão com que jamais haja qualquer carência no povo. Eu Mesmo visitarei as criaturas, para soerguê-las e fortificá-las onde existir a maior saudade e o amor mais forte para Comigo.

Obtivestes resposta compreensível para os gregos. Trata-se de uma profecia para futuro distante, mas que se realizará; pois tudo poderá desaparecer, inclusive esta Terra e o Céu visível; jamais, porém, as Minhas palavras e promessas deixarão de se realizar. Compreendestes?»



CONDIÇÕES PARA A VOLTA DO SENHOR



«Diz o velho hospedeiro: Sim, Senhor e Mestre, compreendemos esta Tua profunda revelação. Quanto às quatro espécies de fogo para a purificação das criaturas e do globo, não soam agradáveis e poderia se perguntar por que Deus os permite. Sendo sábio e bom, terá os Seus justos motivos. Agradecemos pela revelação e estamos contentes por vivermos na Tua Primeira Chegada à Terra, pois sinto que esta época é muito mais grandiosa do que a da Tua Volta.

Não posso fazer ideia das grandes cidades futuras e como os homens irão aproveitar a força do raio para uso material. Eu, e certamente todos, estamos felizes por não o entender, vendo que os elementos estão debaixo da Tua directriz. Já que falaste na Tua Volta à Terra, poderias acrescentar onde se dará tal facto?

Digo Eu: Amigo, a esta pergunta não posso responder de modo compreensível, porque terão surgido, em tal tempo, locais, países e povos que actualmente não têm nome. Será claro que Eu somente possa voltar ao país onde existe a fé mais viva e o amor mais forte e verdadeiro para com Deus e o próximo.

Mas, quando voltar, não virei sozinho e sim com todos os Meus, que desde longa data estiveram no Meu Reino Celeste, em enormes falanges, para fortificar os irmãos que se encontrarem vivos, havendo destarte verdadeira comunhão entre espíritos bem-aventurados nos Céus e as criaturas desta Terra, para seu grande consolo. Agora sabeis o que necessitáveis. Agi de acordo, que colhereis a Vida Eterna; pois Eu despertar-vos-ei no Dia Final.

Diz Kado: Oh Senhor! Isso será amanhã? Pois todo dia é para nós o dia final.

Respondo: Não falo de um dia terreno, mas de um espiritual no Além. Quando tiveres deixado o corpo físico e entrado no Reino dos espíritos, será o teu dia mais recente e Eu te libertarei da condenação da matéria, despertando-te para o Novo Dia. Agora vamos deitar-nos, pois já é meia-noite e amanhã espera-nos longa viagem.»



(O Grande Evangelho de João – VIII – 186,187)





UM SÓ DEUS!


Quando a seara é grande e os imensos ceifeiros não se deleitam nem se apressam no trabalho, esperando que alguém o faça por eles, caímos numa letargia que voa ao sabor do vento e da preguiça.

Para os atentos, o tempo é escasso. Para os que vivem distraídos porque se habituaram à certeza de que alguém cuidará deles quando a hora de necessidade chegar, saboreiam a omissão e isenção de responsabilidade como aqueles que não crêem em nada.

Carpe Diem” como diziam os romanos. Eram os votos de que aproveitassem bem o dia, nas suas mais diversas conotações.

Para o crente, Carpe Diem deverá significar aproveitar o dia de forma construtiva, não adiando, ou perdendo as oportunidades que a vida nos oferece de ajudarmos o nosso amigo, vizinho, irmão ou desconhecido que necessite de nós.

A protecção divina está destinada àqueles que perseveram na fé através das suas obras, pois uma fé sem obras é morta. E as Sagradas Escrituras são muito claras nessa afirmação.

Novas igrejas proliferam como cogumelos em terreno propício. O tempo apropriado é o que estamos a viver, onde em vez de nos unirmos no Amor universal do Criador, egos inflamados criam cada vez mais confusão, dividindo através das redes sociais.

A sombra gosta da confusão e dúvida, porque nesse terreno tudo lhes é propício.

Ultrapassámos um ano de confinamento obrigatório. O mundo ficou em “suspenso” por um tempo. E nesse período emergiu a solidariedade e a fraternidade.

Porém, um ano volvido, a humanidade voltou à sua rotina, pensando como cada um pode sobreviver com os despojos que sobraram.

Onde estão a união e a partilha? Será que se esvaíram no tempo?

Pequenos grupos reduzidos estão-se formando por todo o mundo, buscando uma forma de vida mais condizente com os ensinamentos de Cristo. Porque o Senhor está avisando os Seus filhos que habitam em todo o lugar, sem atentar onde se encontrem ou do credo que pratiquem, dando instruções como devem proceder no futuro que nos aguarda a todos.

Não há separatismos. O que nos une é mais importante e forte do que aquilo que porventura nos possa separar.

Amar – essa é a lei!

O amor não é egoísta. Dá-se numa manifestação do amor de Deus, Criador do Universo que habita dentro de nós.

Porque há um só Deus, uma só Lei, uma única forma de amar.

Devemo-nos acautelar daqueles que se dizem crentes, com aparência de santidade; dos que O louvam com os lábios, mas os seus corações estão empedernidos de indiferença, apatia, egoísmo e comodismo. Pelas suas obras se darão a conhecer. A omissão é contrária ao Bem e à Lei Divina.

Olhemos à nossa volta… E num exame de consciência, perguntemos ao nosso eu interior, de que forma poderemos contribuir para deixar este mundo um pouquinho melhor do que encontrámos quando aqui chegámos.

Acarreta algum sacrifício pessoal? É certo. Nada é gratuito. Mas tudo o que se faz com amor não é trabalho, é uma fonte de prazer e realização que satisfaz a alma. E dá-nos felicidade.

Temos de aprender, antes que seja tarde demais, que estamos todos unidos. Somos um Só no espírito unificador do nosso Pai Eterno.

O amor de Deus é Uno e pretende que o nosso amor, uns para com os outros, seja igualmente unificador.

Não esperemos que outro faça por nós aquilo que nós mesmos podemos fazer.

Não nos deixemos embalar pela preguiça gostosa, à custa de um sacrifício acrescido de outrem, quando um fardo partilhado seria muito mais leve, agradável de suportar, e nos manteria interligados no Seu amor.

O Senhor está a alertar espíritos sensíveis por todo o mundo, para muitas mudanças que irão ocorrer na Terra.

Estejamos atentos. Criemos grupos com verdadeiros Filhos de Deus, obreiros activos, orando em conjunto para que a nossa ligação se mantenha firme e incólume.

Acredito na sincronicidade do Universo. Ou seja, na forma como o Senhor guia os nossos passos, os acontecimentos, e aquelas pessoas que o Senhor coloca no nosso caminho. Nada é por acaso. Em tudo há um propósito superior, incompreensível para nós, mas que se encaixa maravilhosamente no plano supremo do Criador.

Por isso a vida não pode ser adiada, nem a forma de semear o bem e os gestos de amor deverão ser protelados.

Não percamos as oportunidades que o Todo-Poderoso nos oferece. Lembremo-nos de que somos os Seus pés e as Suas mãos na Terra que deverão estar sempre prontas para servir.

Numa época em que, mais do que nunca, ninguém sabe se o sopro da vida que existe em nós amanhã poderá ter deixado este corpo físico, restando apenas as cinzas que voltarão à terra à qual pertencem - é bom ponderar em tudo isto.

Que o Espírito Santo de Deus nos guie e conduza ao caminho que devemos seguir, às decisões certas e às obras que serão de proveito para a nossa alma.

As coisas do Espírito são do mundo espiritual.

Pertencem ao Deus Único que criou o Universo, e o governa por toda a eternidade.


Irmã Manuela




LUGAR À POESIA



A NATUREZA DO VENTO


Naquele ano levantou-se um vento

diferente dos outros ventos.

Como, de outra forma, se explica

Os estores esvoaçantes,

As suas barras metálicas a bater, insistentes, nas paredes,

As janelas escancaradas no Centro de Saúde,

Os corredores de vento no emprego?

O vento invadia todos os espaços.

Vinha de fora e tomava com dedos de espectro

Todos os prédios e as casas outrora impenetráveis.

Só os quintais e as quintas não estranharam.

Os seus habitantes já caminhavam com a queimadura do vento na cara

E os seus narizes já eram peregrinados por estradas

De ar, pólen e pó.

Não admira, pois, que, naquele ano,

o vento tenha partido os meus colares.

Quebrava-lhes as correntes de metal, valioso ou vil,

Na fragilidade dos seus pescoços e articulações.

Sucessivamente, todos,

Desembaraçando-me para ir e apanhar mais vento,

Correr e comer o vento, sim com a boca,

enquanto os passos comiam o caminho.

Ao lado o mar, à frente um caminho,

E atrás uma coluna de nuvem.



Irmã Abigail Ribeiro






Leia A Bíblia e  ‘O Grande Evangelho de João



“A Luz Completa

Mas, quando vier aquele Espírito de verdade, ele vos guiará em toda a verdade; porque não falará de si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido, e vos anunciará o que há-de vir.” (Evangelho de João 16:13) Eis a razão, porque agora transmito a Luz Completa, para que ninguém venha a desculpar-se numa argumentação errónea de que Eu, desde a minha presença física nesta terra, não Me tivesse preocupado com a pureza integral de Minha doutrina e de seus aceitadores. Quando voltar novamente, farei uma grande selecção e não aceitarei quem vier escusar-se. Pois todos os que procurarem com seriedade acharão a verdade.

(O Grande Evangelho de João – volume I –)


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