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Junho 2021


88-Ano XXVII-AVB-JUNHO de 2021
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Ano XXVII - Nº 88


Neste Boletim:






O AMOR COMO MANANCIAL DE VIDA

O manancial da vida está somente em Jesus e o Amor incondicional de Deus para com a Humanidade está na dádiva do Seu Filho unigénito, conforme é descrito por João no seu evangelho: Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigénito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. [1]

Este texto sobejamente conhecido de todos os cristãos só pode ser verdadeiramente entendido quando analisarmos a dádiva de Isaque, por parte do seu pai Abraão, a pedido do próprio Deus. Ele queria que este homem personificasse alguém, cuja fé e confiança fossem postas à prova de forma drástica e que servisse de exemplo para todas as gerações, do sofrimento de um pai contemplando a morte do seu filho, sendo ele próprio o instrumento da flagelação (Génesis 22:1-14).

Sabemos que Deus não permitiu que este sacrifício humano se concretizasse, pois Ele mesmo proveu um cordeiro para substituir Isaque, mas deixou que o limite do sofrimento de Abraão fosse alcançado. No entanto com o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo – Jesus Cristo, não aconteceu o mesmo, pois Ele diz de Si próprio: Por isto o Pai me ama, porque dou a minha vida para tornar a tomá-la. Ninguém ma tira de mim, mas eu de mim mesmo a dou; tenho poder para a dar, e poder para tornar a tomá-la. [2]

Vemos aqui a maior prova de Amor por parte de Deus o Pai e de Seu Filho Jesus, conjugando um esforço de Amor eterno, para que nós fossemos salvos, e Satanás (a matéria) subjugado e vencido. Aqui, podemos aplicar a Palavra do Senhor, destacando-a da revelação que incluímos neste boletim:


Assim também o verdadeiro amor é todo chama e fogo e assim é capaz de produzir luz.


Só este Amor pode produzir ”chama e fogo” aquecendo os nossos corações, mas também nas trevas do mundo produzir “luz”, pois em Jesus nos foi transmitida toda a sabedoria que aquece os corações e esclarece, iluminando qual lâmpada, os muitos recantos da nossa mente obscurecidos pelas tradições e dogmas religiosos.

Sejamos daqueles que se deixam ensinar pelo divino Mestre e possamos dizer que conhecemos verdadeiramente o Caminho a Verdade e a Vida: E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará. [3]

O apóstolo Paulo afirma: Toda a Escritura divinamente inspirada é proveitosa para ensinar, para redarguir, para corrigir, para instruir em justiça.” [4]

A Escritura, que hoje chamamos de Bíblia Sagrada, com o Velho e o Novo Testamento, e que na altura do apóstolo estava sendo “escrita”, na experiência da igreja que se estabelecia no mundo e em milhares de epístolas que eram trocadas entre as igrejas que proliferavam.

Mas destacamos as palavras “toda a Escritura”, pois se considerarmos a Bíblia como fonte única de ensino, estaremos contrariando a mesma, pois essa mesma Escritura diz: Mas, quando vier aquele Espírito de verdade, ele vos guiará em toda a verdade; porque não falará de si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido, e vos anunciará o que há-de vir. [5]

Estas palavras de Jesus pré-anunciavam que Ele voltaria e estaria continuamente connosco; não somente até ao Concílio de Niceia, onde se estabeleceu o cânon do Novo Testamento, mas sempre: Não vos deixarei órfãos; voltarei para vós. [6]

Por isso, nos nossos boletins e outros escritos, para além da Bíblia Sagrada incluímos revelações que têm sido transmitidas por séculos a servas e servos consagrados, dando ênfase àquelas transmitidas ao profeta Jakob Lorber, de onde extraímos a maioria dos textos apresentados.

Julgamos que com esta divulgação alargamos os horizontes espirituais dos irmãos e leitores, pois muita coisa que não está esclarecida na Bíblia é-nos apresentada de forma clara nestas revelações.

Passamos a citar aquilo que o próprio Jesus diz sobre a importância destes escritos para o nosso tempo:


Eis a razão, porque agora transmito a Luz Completa, para que ninguém venha a desculpar-se numa argumentação errónea de que Eu, desde a minha presença física nesta terra, não me tivesse preocupado com a pureza integral de Minha doutrina e de seus aceitadores. Quando voltar novamente, farei uma grande selecção e não aceitarei quem vier escusar-se. Pois todos os que procurarem com seriedade acharão a verdade.[7]


Estamos vivendo uma época que sabemos ser muito especial: no aspecto religioso, no aspecto social, no aspecto económico, no aspecto político, podemos dizer até, num aspecto Cósmico, pois com a volta de Jesus, segundo Ele, também este Universo será tocado, como é dito: As virtudes do céu serão abaladas”.

Nesta altura crucial, precisamos da revelação de Deus atempada, mostrando aos fiéis o verdadeiro caminho no emaranhado das opções humanas.


Fraternalmente em Cristo.

Irmão Egídio Silva


[1] João 3:16 [2] João 10:17-18 [3] João 8:32

[4] II Timóteo 3:16 [5] João 16:13 [6] João 14:18

[7] O Grande Evangelho de João – I– 91-19-20






DÁDIVAS DO CÉU


Do fogo e do sal do Amor


“Porque cada um será salgado com fogo, e cada sacrifício será salgado com sal. Bom é o sal; mas, se o sal se tornar insípido, com que o adubareis? Tende sal em vós mesmos, e paz uns com os outros.” (Marcos 9:49-50)


«Em primeiro lugar escreve a seguinte afirmação:

“Senhor, nós nada sabemos e o nosso coração é mais obtuso que uma pedra, pois o endurecemos com a nossa ilimitada torpeza, e maldade ímpar, e sem a Tua misericórdia não o conseguimos abrandar ou amolecer.

Sê pois, Tu, bem amado Senhor Jesus, o nosso único refúgio em todas as ocasiões e abranda o nosso coração endurecido qual pedra com o fogo do sal do Teu infinito amor, para que nós possamos amar-Te a Ti, eterna bondade, cada vez mais, por toda a eternidade. Amém”.


Bem, agora escreve a explicação:

Quão fraco é o vosso amor, pois não conseguis entender o que é o sal e muito menos o que é o fogo do Sol.

Aquele que achar que o sal é a sabedoria, esse é ainda muito ignorante. Não aprendestes o seguinte: “O oxigénio é o ar da vida na atmosfera.”? Se este não existir, vós bem sabeis que a chama da tocha se apaga e que o fogo não se expande no ar rarefeito.

Dizeis que se a lenha não está bem seca ela não absorveu bastante oxigénio, e por isso não queimará facilmente e não produzirá chama; também sabeis que no oxigénio puro até o ferro se queima com faíscas; sim, até sabeis que o fósforo é um ácido e que possui uma chama esverdeada e branca.

Vede, tudo isto vós sabeis. Mas não sabeis nada, nem o que é o fogo do sal da vida.

Como acontece isto?

Cegos e surdos, olhai e escutai bem! O fogo do sal não é nada mais nem menos do que o verdadeiro Amor por Mim com o qual deveis ser totalmente salgados, se desejardes entrar no Meu Reino.

Pois, tal como o sal, o tempero vital de todas as criaturas é ao mesmo tempo o conservador de todas as coisas, devido ao seu factor adstringente, e é também o puro Amor do espírito por Mim, como o sal do fogo de toda a Vida, o único mantenedor da força da vida eterna.

Mas como somente o oxigénio é incandescente e produz chamas luminosas que iluminam qualquer local por mais tenebroso que seja, assim também o verdadeiro amor é todo chama e fogo e assim é capaz de produzir luz; esta luz é a verdadeira luz, pois é o produto luminoso final de Minha eterna Luz da Sabedoria.

Mas como um sal insípido é inútil e não serve para acirrar a chama, mas somente produz uma brasa completamente deteriorada, pois a oxigenação tornou-se impura, o mesmo acontece com um amor morno que não pode ser inflamado. Ele não passa de um braseiro mortal que produz o monóxido de carbono e que, num ambiente fechado, ao contrário do sal da vida, traz a morte a todos que dele se aproximam para se aquecer.

Não é o vosso hábito dizer aos vossos serviçais que perfumem os vossos lares, mas antes espalhem sal sobre as brasas? Pois fazei o mesmo com o sal do Meu Amor. Espalhai o mesmo sobre as brasas mortais deterioradas, para que a chama do Amor as encubra e destrua o verme da morte que habita em vós, vos ilumine e vos aqueça para a vida eterna.

Este “verme” é Satanás e a sua ira é a brasa deteriorada, mas ela não possui nenhuma chama e, como consequência, nenhum amor, nenhuma luz e nenhuma vida. Este é o motivo por que cada um de vós deve ser salgado com o fogo do Meu Amor, o mesmo também deve ser feito a todo e qualquer sacrifício a Mim oferecido, para que se torne agradável ao Meu coração.

Eu vos afirmo: todos deveis ser Meus filhos. Como o sal é um dos temperos do alimento, vós deveis tornar-vos o tempero do Meu Amor eterno.

Assim fala Jesus, a vida eterna. Amém.»



(Texto revelado a Jakob Lorber em 12 de Setembro de 1840)

EXCERTOS D’O GRANDE EVANGELHO DE JOÃO



A NATUREZA DE DEUS E A SUA ETERNA SATISFAÇÃO CRIADORA


«Responde o fariseu: Senhor e Mestre, quanto a isso não há mais nada a objectar. Se, todavia, as almas deste planeta no final se tornam deuses, onde terão espaço para se movimentar e agir livremente? Um espírito também precisa de lugar e tempo, muito embora se ache acima de ambos devido às suas qualidades divinas.

Digo Eu: Acaso nunca viste um Céu estelar? Ignoras o que sejam as estrelas incontáveis? Se cada átomo terrestre se transformasse em doze mil almas – número tão colossal jamais calculável – não daria para distribuí-las uma em cada mundo solar no enorme Espaço, muito menos para povoar os planetas em número ainda maior, que não raro giram aos milhares em redor do mesmo mundo.

Calcula o Espaço infinitamente maior dos Céus divinos, o seu imutável número de agrupamentos que, comparados aos planetas, equivalem a mil biliões a contar do aparecimento do orbe até esta data. Só Deus sabe quantas raças humanas ainda se formarão desta Terra, pois tem diante de Si os números infinitos como unidade. Se assim é, quantos mais não surgirão de todos os mundos incontáveis, dos quais muitos são tão grandes que a Terra lhes pode ser comparada a um grão de areia?

Reflectindo a respeito, chegarás à dedução se realmente um número colossal de filhos verdadeiros de Deus poderá avolumar-se em demasia nos Céus eternos. Julgas ser um número limitado pelo teu intelecto suficiente para Deus eterno? Conta as criaturas deste planeta, calcula a fertilidade e capacidade reprodutora de flora e fauna, e deduzirás que para Deus tudo abrange o infinito, e ninguém poderá dizer ser algo inútil.

Se Ele não tivesse concedido tal capacidade a plantas e animais, em breve não teríeis pão, carne, leite, vinho e frutos; como o grão de trigo lançado no solo produz fruto centuplicado, tendes pão de sobra.

Se Deus age constantemente do infinito, dentro da Sua sabedoria e omnipotência infinitas, acaso alguém poderia afirmar ser tal Criação eterna, algo inútil? As vossas próprias necessidades diárias provam o contrário, pois não podeis subsistir sem alimento. Compreendeste?

Responde o fariseu, surpreso: Sim, Senhor e Mestre, e admiro a Tua profunda sabedoria; apenas tenho que confessar certo pavor da grandiosidade e poder do Criador e desejava saber se Deus criará eternamente.

Digo Eu: Poderias ter chegado a tal conclusão. Se Deus é Eterno, certamente terá criado desde eternidades; pois o que deveria ter feito antes da Criação deste mundo, do Sol, da Lua e de todas as estrelas, se sempre foi perfeito?

Deus é, em Espírito, Eterno e Infinito. Tudo surge Dele e se mantém por Ele; tudo está Nele como a plenitude infinita dos Seus pensamentos e ideias, das mais diminutas até às mais grandiosas. Se Ele os projectar na Luz claríssima da Sua consciência e quiser que se tornem realidade – a Sua projecção se evidencia. Em seguida, deposita a semente germinadora do Seu amor nos pensamentos e ideias surgidos da Sua personalidade, vivifica-os a fim de que existam como seres individuais, conduzindo-os através da Sua constante insuflação elevada, até ao mais alto grau de indestrutível independência.

Tais seres são, em virtude do Amor divino os guiar e conservar, cheios de força criadora, e reproduzem-se até ao infinito e cada produto é – como os filhos idênticos aos pais – não só semelhantes ao Autor, mas também, dotados com as mesmas capacidades, destinadas ao ingresso da matéria ao espírito, do Criador e da Criação, pelo fácil aumento do Amor Divino, podendo apurar-se na semelhança de Deus, entretanto de independência individual.

Deste modo, as projecções de Deus voltam a Ele, mas não como foram emitidas, e sim como seres inteiramente vivos, conscientes e emancipados, podendo existir, agir e criar independentes do Criador, razão pela qual eu falei: Sede tão perfeitos, como é perfeito o Pai do Céu!

Opero actualmente coisas grandiosas diante de vós; entretanto fareis maiores, em Meu nome, ou seja, pelo amor divino em vossos corações sem o qual ninguém poderá realizar algo para a Vida Eterna, por ser o Amor de Deus a própria vida indestrutível na divindade e no próprio ser.

Toda a criação material terá um fim, quando houver passado ao espírito pelo aperfeiçoamento do amor divino na criatura, de sorte que esta Terra não existirá eternamente, mas passará gradualmente ao estado espiritual.

Dentro do cálculo terrestre, a época dista muito para o vosso intelecto, até que o fogo do Amor divino haja dissolvido toda matéria em elemento de origem espiritual.

A dissolução de um planeta far-se-á de modo semelhante a qualquer outro ser, onde a morte externa se evidencia pouco a pouco. Uma árvore velha torna-se oca, apenas alguns galhos apresentam vida, outros estão porosos e caem do tronco. Este processo continua até que todo o vegetal esteja morto; entretanto tem ele elementos de vida. Por certo já observastes a quantidade de plantinhas de musgo e outras que surgem num tronco apodrecido; além disso, o seu interior é carcomido por vermes, insectos que corroem a matéria da árvore enquanto ela existir, até que em alguns séculos, não vemos mais nada que lembre a sua existência material.

O mesmo, em escala maior, sucederá com um planeta moribundo e morto. A árvore é substituída por outra. O mundo é substituído por vários, recebendo os elementos de vida para o seu tratamento e educação futuros.

Deste modo, a Criação propriamente dita não tem fim, porque Deus jamais deixa de pensar, querer e amar, em virtude do Seu Amor e Sabedoria ilimitados.

A quem tiver dificuldade de compreensão, acrescento: Imagina-te vivendo eternamente com força juvenil. Acaso poderás deixar de pensar e querer? Porventura pretendes ficar inactivo e nada mais gozar? Certamente que não. A tua actividade aumentará e farás de tudo, a fim de proporcionar-te o maior conforto na vida; pois é indispensável ao amor e à vida constante actividade, por ser a vida nada mais que acção.

Por isso, nenhum de vós deverá imaginar encontrar-se no Além em doce repouso, pois seria a morte da alma.

Quanto mais espiritual se tornar a matéria, tanto mais activa se tornará. Se isto é comprovado na Terra, quanto mais no Além onde não há físico para perturbar a alma.»


OS SETE ESPÍRITOS ORIGINAIS DE DEUS


«Diz Rafael: É apenas um quadro correspondente àquilo que te esclareci sobre a criação e sucessiva formação de um corpo cósmico. Os grandes Espíritos originais de Deus, justamente os Seus pensamentos e as Suas ideias subsequentes.

No número sete se baseia a perfeição divina em cada pensamento elaborado e em cada ideia fixada e projectada.

A causa primária em Deus é o Amor. Acha-se em todas as coisas, pois sem ele, nada seria possível.

O segundo é a Sabedoria como luz surgida do Amor. Encontrá-la-ás na forma de todos os seres; pois quanto mais acessível à luz, tanto mais desenvolvida, perfeita e bela será a forma.

O terceiro, provindo do Amor e da Sabedoria, é a Vontade activa de Deus (Omnipotência). Por ela, os seres imaginados recebem a realidade, de contrário, todos os pensamentos e ideias de Deus seriam como os do homem, jamais postos em acção.

O quarto, como emanação dos três, é a Ordem. Sem ela, ser algum teria forma constante, nem determinada finalidade. Se, por exemplo, fosses emparelhar um boi no arado e ele mudasse de forma, atingirias alguma finalidade? Que benefício teria o fruto que em tua boca se transformasse em pedra? Ao caminhares pela estrada, se ela se tornasse água, que utilidade teria? Tudo isto é impedido pela Ordem Divina, como quarto Espírito de Deus.

O quinto chama-se Rigor, sem o qual não seria possível a consistência de coisa alguma, porque é semelhante à eterna Verdade em Deus, dando a todos os seres estabilidade real, poder de procriação, germinação e aperfeiçoamento final. Sem tal espírito em Deus, a situação de todos os seres seria insustentável: seriam visíveis quais ilusões que dão a impressão de existirem; dentro em breve se modificam as condições que lhe deram origem e as formações maravilhosas e belas se desvanecem.

Prossigamos: Onde existem Amor e Sabedoria, elevadíssimos, Omnipotência, Ordem perfeita e Rigor imutável, forçosamente se apresenta a Paciência mais perfeita e jamais atingível, como sexto; pois sem ela, tudo se precipitaria, passando à pior confusão dos sábios da antiguidade.

Se um engenheiro pretende construir um edifício, não pode prescindir da paciência, além de outras qualidades; esta lhe faltando, jamais terminará a construção.

Afirmo-te, se Deus não tivesse este Espírito, de há muito não mais haveria Sol para iluminar a Terra, e o mundo dos espíritos teria aspecto estranho. A Paciência é mãe da Misericórdia, eterna e imutável de Deus, e caso não existisse, onde e o que seriam todos os seres em face de Deus Omnipotente?

Se, pois, falirmos e nos expusermos deste modo à maldição aniquiladora de Amor, Sabedoria, Omnipotência, seguidos pelo Rigor em virtude da Ordem precedida, infringimos a divina Paciência que, todavia, no devido tempo, tudo leva ao equilíbrio; sem ela, todos os seres, por mais perfeitos que fossem, estariam sujeitos à eterna condenação.

A Paciência divina poderia, em conjunto com os cinco espíritos precedentes, criar inúmeras criaturas nos planetas e conservá-las constantemente; teriam, porém, que viver épocas infinitas num corpo pesado, sem poderem cogitar da final libertação da alma dos laços da matéria. Além disso, a procriação e germinação não teriam fim, e no final, estabeleceriam tamanha acumulação a impossibilitar uma desviar-se da outra. Subentende-se, no caso que um corpo cósmico amadurecesse pela Paciência divina, a ponto de manter flora, fauna e seres humanos. A Criação de um planeta apenas com a ajuda dos seis Espíritos seria muitíssimo lenta e até mesmo duvidosa.

Mas, como já disse, é a Paciência a mãe da Misericórdia divina, o sétimo espírito a que vamos chamarBrandura. Ela ajusta tudo: organiza os Espíritos precedentes e efectua a maturação oportuna de um corpo cósmico, bem como dos seus habitantes. Fixa para tudo determinada época, e os espíritos evoluídos podem aguardar, seguramente, a sua libertação para ingressarem na emancipação completa.

Justamente o sétimo espírito fez com que Deus Mesmo encarnasse, a fim de libertar todos os espíritos algemados do julgamento necessário da matéria, no mais breve tempo, de sorte que se pode classificar a Sua obra – a Salvação – a reformação dos Céus e dos mundos, portanto, a maior obra de Deus, porque nela agem os sete Espíritos perfeitamente uníssonos, facto anteriormente impossível em virtude do Espírito da Ordem em Deus. Pois anteriormente, este Espírito somente colaborava com os demais na realização dos pensamentos e ideias de Deus; de agora em diante age mais poderosamente e a consequência disso é a completa Salvação.

Eis os sete Espíritos Divinos, e toda a Criação, deles correspondendo as sete tendências individuais do Criador. A Sua projecção eterna e constante é justamente o que os sábios da antiguidade chamavam de “As Guerras de Jeová!”»


OS PERIGOS DO CULTO

E DAS ORAÇÕES CERIMONIOSAS


«Digo Eu: Amigo, falaste bem e o Meu coração alegrou-Se com o sentido das tuas palavras. É justo que o homem grato se porte conforme expuseste; deveria ele continuar em tal sentir e considerar apenas o valor intrínseco da vida, julgar o exterior como certo fardo sujeito à sua força interna e, deste modo, os pedidos, agradecimentos e venerações seriam justos.

Os homens, porém, não continuam como sois actualmente; começam a dar maior valor a gestos do que merecem, considerando o verdadeiro interior como insuficiente e sem valor; neste proceder acontece que certos sacerdotes, dizendo-se escolhidos por Deus, seduzem o povo a respeitar apenas as cerimónias externas. Pois as palavras internas e dirigidas pessoalmente a Deus seriam sem valor diante Dele, e até mesmo de Seu desagrado, porquanto é atrevimento e ultraje à divindade.

Qual é o resultado? Os homens afastam-se cada vez mais de Deus, em vez de se aproximarem Dele no coração, no amor, na fé viva e na confiança. O verdadeiro amor, puro e confiante, é transformado em pavor, e a fé viva dentro da verdade, em superstição pagã, situação favorável ao sacerdócio preguiçoso e capaz de todas as fraudes, enquanto a plebe padece sem orientação na sua aflição espiritual, ignorância, pobreza e cegueira. Muitas vezes nem o corpo consegue o alimento necessário, porque os tais escolhidos por Deus açambarcam do povo tudo o que podem sob ameaças de castigos horrendos e eternos no inferno, e pela descrição dos prazeres celestes no além-túmulo.

Tudo isto surge pouco a pouco em virtude das cerimónias externas, e Deus vê-Se obrigado a clamar pela boca de um novo profeta: Este povo honra-Me com os lábios e cerimónias tolas e fúteis, mas o seu coração está longe de Mim!

Lembrai-vos sempre: Deus é, em Si, um Espírito cheio de amor, verdade, sabedoria e poder, imutável desde eternidades, e só pode ser adorado em espírito e verdade, no íntimo da criatura.

Alguém desejando que Deus, Criador e Pai de todas as criaturas e anjos, venha em seu socorro, não deve dirigir-se a um templo ou sinagoga, nem tampouco a um sacerdotemas procure retrair-se no recôndito do seu coração, ore e peça a Deus, como Pai amoroso, ajuda certa. E o Pai, que tudo ouve e vê o mais oculto, com prazer dará ao pedinte sincero o que desejou. A um pedido externo, no qual muitas vezes o coração pouco participa, o Pai Celeste não pronunciará o Seu amém.

Entendei-o bem e agi deste modo, caso não queirais que os vossos descendentes passem a um paganismo pior do que o actual. Os gestos externos podem ter valor perante pessoas vaidosas, ignorantes, orgulhosas e ambiciosas; para Aquele que é o eterno Amor e a própria Verdade, e sempre penetra o íntimo da criatura, eles de nada valem.

Fazendo pedidos ao Pai, não sejam relacionados a bens terrenos, pelos quais cobiçam os pagãos ignorantes e tolos, os judeus ateístas e fariseus, mas sim, pedi os tesouros imperecíveis para a alma e espírito, que jamais vos serão negados. Quanto aos bens terrenos indispensáveis à subsistência, serão dados por acréscimo a todos os que se esforçarem na conquista do Reino de Deus e Sua justiça amorosa.

Quem se tornou forte em espírito, portanto no Reino de Deus, será senhor igualmente sobre coisas do mundo e nunca sofrerá grandes necessidades físicas; todavia, é melhor para o iluminado em espírito gozar os bens dos Céus de Deus e suportar pequenos atropelos materiais.»


(O Grande Evangelho de João – VI – 226 – VII – 18 – IX - 209)

***




UM POUCO DE HISTÓRIA



O ANO SEM VERÃO


O título deste artigo parece um paradoxo, mas foi mesmo uma realidade.

O ano de 1816 (apenas há 205 anos) foi um dos piores que a raça humana já atravessou e um dos mais catastróficos.

O que aconteceu? Uma conjugação de anormalidades climáticas severas - entre elas, um inverno vulcânico e actividade solar anormal - destruíram a maioria das plantações por todo o planeta, dando origem a uma crise de subsistência sem precedentes.

Uma das causas foram grandes erupções vulcânicas em países asiáticos. Foram erupções fora do normal; de tal ordem, que grande parte da poeira vulcânica se acumulou na atmosfera. Esta acumulação originou que muito menos luz solar passasse pela atmosfera e chegasse à Terra. Havia mais frio e muito pouco ou nenhum calor. As temperaturas caíram abruptamente, fazendo com que o que havia sido plantado não crescesse, nem tão pouco germinasse. Lembremo-nos que nesta altura não existiam armazéns frigoríficos para guardar os alimentos como hoje temos. Consumia-se o que se produzia.

O mundo passou por efeitos terríveis. A América do Norte teve na época de Verão temperaturas muito próximas dos zero graus. Como resultado, nevou quando devia ter havido sol. Rios e lagos gelaram. As produções foram queimadas.

Na Ásia o Inverno foi muito rigoroso destruindo árvores, colheitas de arroz e muitos animais. Houve também muitas enchentes que arrasaram povoações e plantações.

Em resultado das erupções vulcânicas, muitas colheitas foram más durante vários anos. Alguns países viram as suas populações serem dizimadas.

Em alguns países da Europa nevou durante o Verão. Em vez da habitual brancura, a sua cor era mais escura.

A própria Europa estava a recuperar das Guerras chamadas Napoleónicas. Além disso, como é natural, grassou uma grande falta de alimentos o que originou muitos distúrbios com grande violência.

Devido a temperaturas muito baixas, quer no Verão, quer no Outono, a fome generalizou-se em muitos países.

Com a morte generalizada, não havia mão-de-obra suficiente para a agricultura.

Mesmo com as estações do ano voltando ao seu normal, a Europa e o resto do mundo, demoraria alguns anos a voltar à produção normal de provisões para os seus habitantes.

Hoje, temos outras ferramentas para ultrapassar esta situação se a mesma voltasse a acontecer, mas não poderíamos esperar resultados substancialmente melhores.

Mesmo com toda a tecnologia de ponta que temos hoje ao nosso dispor, talvez possamos vir a passar por uma situação semelhante ou talvez pior.




Irmão Tomaz Correia






Leia A Bíblia e  ‘O Grande Evangelho de João



“A Luz Completa

Mas, quando vier aquele Espírito de verdade, ele vos guiará em toda a verdade; porque não falará de si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido, e vos anunciará o que há-de vir.” (Evangelho de João 16:13) Eis a razão, porque agora transmito a Luz Completa, para que ninguém venha a desculpar-se numa argumentação errónea de que Eu, desde a minha presença física nesta terra, não Me tivesse preocupado com a pureza integral de Minha doutrina e de seus aceitadores. Quando voltar novamente, farei uma grande selecção e não aceitarei quem vier escusar-se. Pois todos os que procurarem com seriedade acharão a verdade.

(O Grande Evangelho de João – volume I –)


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