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Junho a Dezembro de 2023


102-Ano XXXVIII-AVB-JUNHO a DEZEMBRO 2023
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Ano XXVIII - Nº 102


Neste Boletim:


  • A Casa do Pai

  • Recados do Pai

  • Excertos d’O Grande Evangelho de João

  • Natal e Luto







Disse Jesus:

Está escrito nos profetas:

Todos serão instruídos por Deus. Todo aquele que ouviu e aprendeu

do Pai vem a Mim.

(Evangelho de João 6:45)




A CASA DO PAI


No decorrer de uma reunião de oração, já lá vão alguns anos, o Senhor mostrou-nos em visão o mapa de Portugal continental. Nesse mapa, preenchendo a parte norte, estava colocada a estrela de Sião (ou estrela de David); e foi-nos dito: “A Casa do Pai”.

Convém atentar que espiritualmente a estrela, significa a Divina Verdade espiritual que é a verdade da fé procedente da caridade, e Sião simboliza a igreja quanto à afeição pela Palavra ou o Verbo.

Assim, a nossa comunidade deve proclamar o amor à Palavra de Deus, o Seu Verbo, e também a fé e a caridade dela procedente, pois aceitamos que possuímos “A Luz Completa”. Esta expressão “A Luz Completa” foi proferida por Jesus n’O Grande Evangelho de João e surgiu no nosso meio no ano de 2007, aclarando-nos a Bíblia Sagrada e apontando o caminho da Caridade.

Procuramos divulgar na medida das nossas possibilidades O Grande Evangelho de João, que não contraria em nada o ensino transmitido nos quatro Evangelhos bíblicos, nem nos restantes livros da Bíblia Sagrada.

Assim, oramos pedindo discernimento ao Senhor sobre a revelação transmitida e entendemos que a nossa comunidade terá de se transformar realmente n‘A Casa do Pai’, para que possa ser um verdadeiro Refúgio, a exemplo da casa de Lázaro em Betânia, cumprindo a nossa missão na Terra.

A nossa zona geográfica de influência será o norte do país, embora através da Internet já tenhamos ultrapassado as nossas fronteiras e contemos, principalmente no Brasil, com muitos amigos e irmãos que perfilham connosco os ensinos de Jesus através d’A Nova Revelação Viva.

Por feliz ‘coincidência’, quando procurávamos um “recado do Pai”, deparámo-nos com uma mensagem que nos foi ditada pelo Senhor em 28 de Abril de 2012. Nessa mensagem é dito: Meus filhos sois; Meus filhos, vos tomarei na Minha casa e no Meu reino.

Esperamos que em breve possamos viver neste lugar que Jesus disse iria preparar-nos: Na casa de Meu Pai há muitas moradas; se não fosse assim, eu vo-lo teria dito; vou preparar-vos lugar. [1]

O lugar referido por Jesus é no Além, mas nós achamos que o Senhor quer que preparemos também na terra uma “casa” que seja verdadeiramente um lugar de aconchego espiritual e físico, a exemplo da casa dos três irmãos de Betânia.

Na casa de Simão o leproso, pai de Marta, Maria e Lázaro, vislumbramos profeticamente a plenitude da obra do Refúgio Betânia.

Como disse Jesus, falando profeticamente; em Marta, a trabalhadora incansável, vislumbramos a obra material (ou a criação natural), em Maria, aquela que se deslumbrava perante os ensinos de Jesus e parava para ouvir a Sua doutrina, vislumbramos a obra espiritual (ou a criação Celeste) e em Lázaro (após a sua ressurreição) vislumbramos o Novo Adão, na pessoa de Jesus Cristo que saiu da tumba, vencendo a morte para nos transmitir a Vida Eterna; a exemplo de Lázaro que ficou na tumba quatro dias, também o segundo Adão (o Senhor Jesus/representação da Divindade) foi esquecido pelos homens durante o mesmo período profético – pois são quatro mil anos que medeiam entre Adão e Jesus Cristo.

Da mesma forma como aconteceu com Lázaro, é necessário que façamos algo para que este Jesus (Salvador) Cristo (Ungido) saia da tumba ressuscitado, para beijarmos os Seus pés, como fez Maria Madalena.

Demos então os passos necessários para que o Senhor surja ressuscitado nas nossas vidas.

Ouçamos a Sua ordem - tirai a pedra - e comecemos por retirar os impedimentos que fazem parte da nossa vida, comparados à pedra que esconde o nosso pecado ou o corpo morto da carne. Depois, disse o Senhor a respeito de Lázaro: Desligai-o e deixai-o ir. [2]

Possamos nós também ter a força de tirar as ataduras que nos impedem de deixar Jesus caminhar e viver através das nossas vidas, e retiremos o pano grosseiro que cobre o nosso rosto para que, a exemplo de Lázaro ressuscitado, possamos mostrar ao mundo o nosso novo rosto, reflectindo a Luz do Poder de Deus. Por último, desenfaixemos as nossas mãos e pés, para que nesta terra possamos trabalhar e caminhar na presença de Deus e dos homens, amando-O acima de tudo e fazendo a caridade ao nosso próximo como Ele nos ordenou, tal como Lázaro fez ao longo da sua existência terrena.

Desta forma, estamos prontos para viver n’A Casa do Pai aqui na Terra, preparando-nos para a outra casa que nos está reservada na Eternidade. Mas, enquanto vivermos neste planeta destinado ao preparo dos filhos de Deus, temos por incumbência fazer uma ligação entre a Terra e o Céu, ajudando os nossos irmãos a adquirirem a capacidade de, por si sós, buscarem o Senhor em espírito e em verdade; transmitindo-lhes os ensinos do Mestre, nunca esquecendo que também é necessário proporcionar os meios materiais para que possam superar qualquer contingência que os impeça de buscá-Lo.

Como nos disse o Senhor um dia: “A continuidade de Mim está em Mim e passa por vós, no aperfeiçoamento contínuo.

Que Jesus, o nosso Mestre, Senhor e Deus, possa contar connosco e que em breve n’A Casa do Pai’ possamos convidar a todos os necessitados, usando as mesmas palavras que Lázaro proferiu na presença de Jesus: “Porque não viestes a Betânia? Ali há trabalho de sobra e ninguém passa mal.”

Fomos recrutados por Ele para esta obra que ultrapassa a nossa capacidade a todos os níveis, mas com o Seu auxílio vamos procurar fazer o melhor, estimulados pelas Suas palavras: Vos recrutei para Me ajudardes a pescar almas e a recuperar espíritos.

Para executarmos esta tarefa árdua, mas grandemente compensadora, temos de enfrentar o mundo. A nossa única arma é o Amor de Deus e, usando-a neste trabalho, iremos superar a incompreensão de muitos (alguns até, chamados irmãos na fé) e a maldade do mundo que nos nossos dias parece ultrapassar todos os limites. Lembremos as palavras do Pai que nos foram transmitidas como incentivo: “A minha justiça é a purificação, o Meu castigo é o Amor.

Em cada vida que cruza connosco, sempre que houver oportunidade de testemunhar do Amor de Jesus, saibamos que espiritualmente afogueamos uma “tocha” que estava apagada pela incredulidade; agora, de posse do conhecimento da Verdade, ela própria irá irradiar a luz do Evangelho, permitindo que a sua chama seja visível do Alto e seja vista pelo Senhor: “Vos escolhi para Me enviardes luz, a Minha luz que cada filho Meu tem.

Nesta obra não pode haver desfalecimento, pois ela é comparada na Escritura ao lançamento do pão sobre as águas, para que os “peixes” (as criaturas do mundo) possam ser alimentados, não somente com o pão físico, mas também com a Palavra de Deus, o Pão espiritual. Diz a Escritura: “Lança o teu pão sobre as águas, porque depois de muitos dias o acharás. Reparte com sete, e ainda até com oito, porque não sabes que mal haverá sobre a terra (…) Quem observa o vento, nunca semeará, e o que olha para as nuvens nunca segará.” [3]

Podemos perguntar: – Até quando Senhor devemos divulgar o Teu Verbo, as Tuas Boas Novas, pois a maldade do mundo é grande e as pessoas não querem ouvir?

A resposta encorajadora do Senhor está nas Suas palavras: “Tudo Farei pela obra, estarei sempre ao vosso lado, caminhai em santidade e tudo brotará do Meu espirito, do Meu exército, da Minha luz como a água brota das nascentes. A Minha fonte nunca seca, é eterna. Ámen.

Fraternalmente em Cristo Jesus.


Irmão Egídio Silva



[1] João 14:2 [2] Explicação de textos da Escritura sagrada – 24;

I Coríntios 15:45 e João 11:39-44 [3] Eclesiastes 11:1-4.




RECADOS DO PAI



«Telha a telha se constrói um telhado e pedra a pedra, um muro. Na perfeição da obra se vê o mestre e na mestria se avalia o professor. E assim, Eu analiso os Meus filhos que da experiência da caminhada vão aprendendo a construir os seus muros.

A protecção de tudo que é do mundo vem da forma como cada um Me vê e Me vive.

Na fé, a construção se torna simples e mais rápida, embora mais plena de solidão e de paz. Não podeis construir, distraídos com o mundo. Para avançardes tendes de vos concentrar no trabalho do espírito e assim edificar a caminhada.

Para vós, um novo ano começa. Para Mim, a eternidade continua e os objectivos se mantêm e a estrada é só uma. A obra avoluma-se e vós não notais as diferenças. Mas, vez após vez, cada rosto que convosco cruza leva consigo a vossa imagem. O vosso espírito se espalha como semente. Já sois esperados, sois a Minha rotina junto dos Meus. Eles ainda não aprenderam a juntar pedras, quanto mais a construir muros. Falta-lhes força, faltam-lhes as pedras. Vós dais-lhes alento, revigorais as suas forças e, de quando em vez, mostrais-lhes onde buscar as pedras. Sois assim, aprendizes do Mestre e cada vez fazeis melhor o vosso trabalho.

A corrida se faz a passo lento, mas o vencedor não é aquele que ultrapassa os outros na força e na velocidade, mas sim o corredor de fundo que, na paciência, na dedicação e na persistência, continua. Por vezes quer desistir, porque o caminho lhe parece longo, mas o anjo o reabastece e fortalece na fé e a motivação aviva como chama ateada com o Meu amor.

Nada mais sois senão Eu em vós que, mesmo na inferioridade da carne, vos visito em Espírito porque renegais ao que vos afasta de Mim. Esse é o caminho do poder, do Espírito, da Luz.

Um dia comecei a revelar o que no Meu Espírito se desenhava, mas o inimigo logo se contrapôs no caminho e as trevas se revoltaram e acidentaram a caminhada; o livro se apagou e a estratégia mudou; tudo se desfez menos o templo. Esse é Meu, apesar de posse indevida.

Tudo a seu tempo virá, e no virar da ampulheta os tempos se contarão até ao número para isto aparecer. Nesse dia soarão sinos e trombetas e o inimigo ficará surpreso porque tudo aconteceu.

As marés se sucederão e a Lua várias vezes aparecerá no vosso Céu e Eu convosco estarei repleto de Amor, Compaixão e Poder para vos revestir com a Minha Luz. Até lá, esperai, porque agora no segredo que a Arca guarda, integro a execução da Minha obra na Terra e vós sereis uma centelha dessa obra neste mundo.

Orai a Mim, intercedei pelos vossos irmãos e, em comunhão, senti o Meu calor.

Eu estou em vós, Meus filhos.

Amém.»


***


EXCERTOS D’O GRANDE EVANGELHO DE JOÃO



O SENHOR E OS FARISEUS CONVERTIDOS


1. Após este debate e a noite já se apresentando, os fariseus que há algumas horas haviam chegado a Betânia, mandam recado a Lázaro para saberem se a sua vinda fora inútil.

2. Viro-Me para o amigo, dizendo: “Eles muito discutiram acerca da Minha Pessoa e resolveram não mais Me enfrentar como inimigo. Por isso, vamos Eu, tu e os romanos ao encontro deles. Os outros ficarão aqui e Raphael os esclarecerá sobre a nossa palestra.”

3. Na saída, encontramos Judas, que Me pergunta onde vou. Eu respondo-lhe: “Onde tu não irás! Podes colher informações dentro de casa!” Prosseguimos, e Lázaro toma a dianteira. Raphael o acompanha, enquanto Eu e os romanos ficamos na entrada. Ambos são amistosamente cumprimentados pelos templários, que, sem mais delongas, abordam o problema, sendo que um escriba, convencido da sua sapiência, e que nos conhecia desde o Monte das Oliveiras, diz a Lázaro: “Amigo, certamente ainda te lembras da nossa polémica de ontem; por isto, aqui viemos bastante cedo. A recepção não foi muito agradável, porquanto os cães nos teriam despedaçado não fossem os teus empregados!

4. Todavia, não nos perturbamos por isso. Tu nos prometeste um encontro com o Messias. Nada disto aconteceu, pois esperamos há algumas horas e, além do mais, não nos recebeste com a mesma hospitalidade de sempre, fazendo-nos acomodar no albergue para forasteiros. Também te lembramos esse facto, pois aqui estás em companhia do milagroso adolescente.

5. Diz-nos se o Messias aqui se encontra – pois esta é a nossa opinião a respeito do Nazareno! Hoje à tarde tivemos uma forte discussão no sinédrio, que, por pouco, abalou a nossa convicção. Pesando bem os prós e os contras, libertamo-nos das dúvidas. Dá-nos oportunidade de falar-Lhe, que continuaremos os amigos de sempre!”

6. Diz Lázaro: “Se na vossa chegada estivésseis tão firmes como agora, o vosso desejo ter-se-ia cumprido. Prevaleceu a opinião de se experimentar a integridade do Messias pela prisão e condenação, pois O sendo, ninguém O poderia matar. Caso contrário a vossa dúvida se justificaria. Eis o motivo por que não vos recebi em casa, tampouco apresentei o Messias.

7. Desistindo da vossa suposição maldosa, tereis a felicidade de vê-Lo. Não o enfrenteis de coração e olhares perscrutadores, mas com fé e amor, que Ele fará o mesmo. Se assim não agirdes, Ele vos enfrentará com a Sua Sabedoria penetrante e nada poderíeis responder. Pois se Ele sabia quais as vossas intenções que ora vos revelo, conhece também todos os vossos pensamentos, por mais ocultos que sejam!”

8. Diz o escriba: “Disseste-nos novamente coisas extraordinárias e seguiremos o teu bom conselho. Agora leva-nos à presença do mais Sábio de todos os sábios!” Nisto, Raphael abre a porta e diz: “Senhor, aproxima-Te dos que anseiam por Ti!”

9. Acompanhado dos dez romanos, entro no salão e digo: “A Paz esteja com todos de boa vontade, portanto, também convosco, cujo íntimo se modificou! Por que Me procurais e qual o vosso desejo?”

10. Diz o templário: “Senhor e Mestre, sabes isso, tanto quanto soubeste das nossas intenções anteriores! De maneira alguma, duvidamos que sejas o Messias; mas, desejávamos ouvir de Ti o que fazer para merecermos a Tua Graça e Misericórdia.”

11. Digo Eu: “Se Nicodemos e José de Arimateia se acham no Conselho, podeis fazer o mesmo que eles. Por diversas vezes falei abertamente no Templo e, pelas Minhas Acções, provei Quem sou. Se nisto credes e agirdes como ensino, vivereis felizes; assim não o fazendo, aniquilareis a vossa vida espiritual e a bem-aventurança.

12. O Templo actual não é mais uma Casa de Deus, pois tornou-se antro de ladrões e assassinos. Fostes vós, escribas, sumo sacerdotes e fariseus, a transformá-lo; razão por que ninguém dele poderá receber a salvação da sua alma. Sou Eu a Arca Viva da União, o próprio Templo, a Salvação, a Verdade e a Vida Eterna! Quem crer em Mim e viver dentro de Meus Ensinamentos, receberá a Vida Eterna e a bem-aventurança no Meu Reino.

13. O Meu Reino não é deste mundo, mas de um outro, jamais por vós visto. Se conhecêsseis aquele mundo, também teríeis reconhecido a Mim quando estive no Templo; e, se assim fosse, teríeis igualmente reconhecido Aquele que Me enviou, do Qual afirmais ser vosso Deus. O Pai Que Me enviou, não o fez como se manda um homem na Terra! Fê-lo de forma tal, que o Emissor e o Enviado são Unos.

14. Quem crer que o Pai está em Mim, e Eu Nele, poderá dizer que viu e falou ao Pai e ao Filho. O pleno conhecimento somente virá quando Eu em breve estiver de novo no Meu Reino, de onde espargirei o Meu Espírito sobre aqueles que crerem em Mim e agirem segundo a Minha Doutrina.

15. Diz o escriba: “Senhor e Mestre, as Tuas Palavras são incisivas! Se fossem expressas por uma criatura, seriam consideradas a maior blasfémia contra Deus, pela qual Moisés ordenou pena de morte. Jamais um judeu se arrogou Dignidade e Honra divinas, com excepção de Nabucodonosor; por isso, foi castigado por Deus.

16. Tu não temes a Lei e muito menos os homens, e as Tuas Ações provam estarem sujeitas à Tua Vontade todas as forças e poderes do Céu e Terra. Isto nos leva a crer em Ti como Messias e também estamos certos de que nos libertarás – como na época da prisão babilónica – do jugo ainda mais duro dos romanos, voltando a ser um povo livre e poderoso. Não sendo assim, poucos Te acreditarão!”

17. Digo Eu: “Felizes serão apenas os que não se aborrecerem Comigo, crendo ser Eu o Messias! Não vim à Terra para fixar um reino terreno e perecível para os judeus, mas um espiritual no amor para com Deus e ao próximo, portanto um Reino de Luz e Verdade de Deus, sem mentiras e mistificações.

18. Engana-se muito quem suponha que Eu tenha vindo fundar um reino mundano. Os romanos são os vossos soberanos na Terra e o serão enquanto Deus o quiser. Se reagirdes contra eles, sereis aniquilados.

19. Quem se encontrar no Meu Reino, actualmente também proporcionado aos romanos, não necessitará temer um poder mundano, igual a Mim. Aqui a Meu lado se acham dez dos mais altos dignitários de Roma; poderão testificar se Eu visei um poder do mundo e o que pensam de Mim!” Encabulados, os fariseus não sabem o que dizer.


O TESTEMUNHO DO ROMANO MARCOS


1. Marcos, então, se aproxima dos fariseus e diz em grego, idioma mais comum a eles do que o romano: “Amigos, não fiqueis temerosos pelo desejo manifesto em vos livrar do nosso domínio, aceitando como Messias quem vos fizesse um povo poderoso sobre a Terra! Tais expressões da vossa parte nos são conhecidas e mantemos o velho ditado: Leo non capit muscas (um leão não pega moscas).

2. Confessastes perante o Senhor que O aceitariam como Messias, caso Ele não modificasse as condições mundanas não somente para os judeus, mas para todas as criaturas; tal assertiva foi inteligente e perdoamos a vossa opinião não muito elogiosa. O que nos admira é que apenas agora começais a compreender o que nós, há tempos, aceitamos como Verdade.

3. Jesus de Nazaré, nascido em Belém no ano quatro mil cento e cinquenta e um, após o aparecimento de Adão – de acordo com a vossa contagem do tempo – no mês de Janeiro, à meia-noite do dia sete, é tanto como vós, judeu. [*]

4. De há muito estamos informados de tudo que se relaciona com o Seu Nascimento e acontecimentos posteriores, razão porque não O perdemos de vista, como Personagem excepcional. As primeiras informações foram-nos dadas por Cirénius e Cornelius, e hoje, que beiramos os sessenta anos, compreende-se o nosso vasto conhecimento.

5. Embora pagãos, por vós considerados ignorantes, supúnhamos ser o milagroso Nazareno o Prometido Messias, porquanto temos estudado as profecias. Agora não mais alimentamos dúvidas da Sua Divindade. Se assim é, indubitavelmente – não obstante ser simples judeu – o que vos impediu em aceitá-Lo? Acaso não constitui honra para vós que os romanos, poderosos, O reconheçam e louvem como Senhor e Mestre, pelo que confessamos ter Ele vencido os pagãos, confissão esta da qual jamais nos envergonharemos, pois é a maior honra, Ele ter-nos aceite como filhos? Vós, judeus, continuais a engendrar meios para prender e matar o Senhor de toda Glória! Explicai-nos como é possível tamanho horror?” Os templários não podem responder nada; Marcos, porém, insiste, porque são livres e não precisam temer castigo.


[*] Data do nascimento de Jesus – 7 de Janeiro de 4151, segundo o calendário judaico.


MOTIVOS DA ACTIVIDADE DOS TEMPLÁRIOS


1. Um ancião, finalmente, anima-se e diz: “Mui prezados dignitários de Roma, nossos soberanos! A vossa acusação se justifica, pois nos achamos na fonte mais pura e não queremos usá-la! De quem seria a culpa? O dono de um tesouro não o considera tanto quanto aquele que precisa se esforçar pela sua conquista. Se nos falam de inspirados e sábios estrangeiros, temos desejo de conhecer a sua sabedoria; enquanto pouco ligamos às acções dos profetas conterrâneos, porque os conhecemos desde nascença. O homem em geral, mormente os judeus idosos, não reagem contra inovações, por mais extraordinárias que sejam e fogem do trabalho que prejudicaria a indolência habitual.

2. Os romanos, senhores de vasto Império, também se entregam ao ócio, em época de paz. Quando informados do levante de um povo sujeito ao regime, não indagam se lhes assiste direito para tanto, mandando forte exército como medida de castigo. Porquê? Por ter perturbado o seu bem-estar. Por que não enviais emissários de paz a fim de estudarem a causa da revolta? Não, um exército poderoso tem de aceitá-lo, ainda que fosse tal povo encabeçado por um deus.

3. Deste modo, o homem não pergunta pela Verdade e Justiça, mas reage com ira contra quem o tenha perturbado em seus direitos imaginários, não obstante reconheça, há tempos, agir injustamente, alimentando apenas mentira e mistificação, em prol do seu conforto.

4. Eis a situação da maioria dos templários. Reconhecem o seu erro contra a Lei de Moisés e o povo, e que o grande Mestre de Nazaré tem toda a razão. Ele, porém, os perturba no seu sossego e conforto, por isto O odeiam e querem matá-Lo, como quem mata uma mosca que lhes incomoda o sono.

5. Certamente perguntareis se os templários não têm fé em Deus e na Sua Palavra, pela boca dos profetas. E eu respondo por experiência; não há no país dos judeus, um leigo com fé mais fraca, do que um templário, mormente o idoso. Os mais jovens alimentam, às vezes, vislumbre de uma fé autoritária; quando percebem que os chefes não crêem em nada, eles igualmente perdem a crença e lançam-se secretamente, aos sábios da Grécia. Gozam a vida à medida do possível, e Jehovah, Moisés e os profetas não são mais nada do que simples tabuletas de propaganda, que lhes trazem farta renda.

6. Eis a organização do Templo, de onde os seus adeptos souberam afastar todo o empecilho. Assim se explica porque reagem contra o Nazareno, o qual nós, já O reconhecemos como Messias Prometido. Enquanto permanecermos no Templo, nada poderemos fazer contra as suas maquinações. Já será muito, se conseguirmos abrandar a sua ira!”

(O Grande Evangelho de João – VIII – 85-87)








NATAL E LUTO


O Natal é a celebração em que os cristãos lembram o nascimento de Jesus, o Messias prometido. Para muitos o Natal é sinónimo de reunião familiar em torno de uma mesa abundante, iguarias típicas, alegre rebuliço das crianças, troca de presentes, músicas icónicas, programas especiais durante o culto na igreja. Porém, para quem perdeu um ente querido, a época natalícia pode trazer contrastes dolorosos. Um lugar vazio à mesa, sentimentos de tristeza, saudade e/ou revolta, entre outros, podem desvitalizar a vivência (passe a redundância) desta festividade.

Como pode alguém que se encontra em processo de luto viver o Natal? Haverá certamente diferentes formas de o vivenciar, relacionando-se esta diversidade com factores de ordem pessoal, familiar, sociocultural, religiosa, espiritual ou outros. Cada pessoa sente a sua dor e lida com esta como sabe ou como pode e merece da comunidade em que se insere todo o respeito, empatia e solidariedade. Com este artigo pretende-se que reflictamos um pouco acerca do tema “Natal e Luto”, enquanto corpo cristão, em espírito de humildade e cientes da universalidade da experiência de perda, dado que todos a vivemos ou viveremos ao longo do percurso vital.

O luto normal define-se como uma resposta emocional e comportamental a uma perda significativa. É um processo contínuo e, geralmente, limitado no tempo, durando, em média, três a doze meses. Elizabeth Kubler-Ross (1926-2004), psiquiatra suíça que publicou, em 1969, um livro intitulado “Sobre a Morte e o Morrer”, identificou cinco fases no luto: choque/negação (“Isto não está a acontecer!), raiva (“Porquê a mim? Não é justo!”), reconstituição (“E se eu tivesse feito algo diferente, terias morrido?”), depressão (“Estou tão triste. Porquê preocupar-me com o que quer que seja?”) e aceitação (“A vida continua… Levo-te no meu coração.”). A sequência das fases pode, contudo, ser diferente e alguma(s) pode(m) não chegar a ocorrer.

Geralmente, horas a dias após o falecimento de um ente querido, a pessoa experimenta um estado de negação da morte, descrença no sucedido e sente-se como que emocionalmente adormecida ou anestesiada. Semanas depois e até cerca de seis meses, o luto manifesta-se por tristeza, choro, ondas de saudade, sintomas somáticos de ansiedade, inquietação, insónia, diminuição do apetite, culpabilidade, sensação de presença, ilusões visuais e/ou auditivas, preocupação com memórias do/a falecido/a e tendência para o isolamento social. Semanas ou meses após a morte, os sintomas vão diminuindo de intensidade e a pessoa vai retomando progressivamente as suas funções e actividades. Gradualmente, vai-se sentindo mais apaziguada e a dor vai sendo substituída por memórias de bons momentos passados com a pessoa que partiu. Porém, é frequente ocorrer uma agudização dos sintomas de luto no aniversário da morte ou em ocasiões especiais, como é o caso do Natal.

No II Livro de Reis 4:1-2, lemos o seguinte: “ (…) uma mulher, das mulheres dos filhos dos profetas, clamou a Eliseu, dizendo: Meu marido, teu servo, morreu; e tu sabes que o teu servo temia ao SENHOR; e veio o credor, para levar os meus dois filhos para serem servos. E Eliseu lhe disse: Que te hei-de fazer? Diz-me que é o que tens em casa. E ela disse: Tua serva não tem nada em casa, senão uma botija de azeite.”

Para além da literalidade deste texto bíblico, que retrata o impacto financeiro/material da morte de um homem na sua família, creio que podemos colher metáforas valiosas sobre a vivência psicológica do luto no discurso da viúva. Que respostas surgiriam se perguntássemos a alguém enlutado: “o que há em ti?”? A escassez, “o nada em casa, senão uma botija de azeite”, é-o também na interioridade, em algumas fases do luto.

É interessante notar que Eliseu vai ao encontro do pedido de ajuda da mulher, partindo do pouco que ela reconhece ter. O profeta diz-lhe: Vai, pede emprestadas, de todos os teus vizinhos, vasilhas vazias, não poucas. Então entra, e fecha a porta sobre ti, e sobre teus filhos, e deita o azeite em todas aquelas vasilhas, e põe à parte a que estiver cheia.” (II Reis 4: 3-4). A mulher assim fez, com a ajuda dos filhos. “E sucedeu que, cheias que foram as vasilhas, disse a seu filho: Traz-me ainda uma vasilha. Porém ele lhe disse: Não há mais vasilha alguma. Então o azeite parou.” (II Reis 4: 6). Esta passagem remete-nos para os milagres da multiplicação operados por Jesus (o primeiro: Mateus 14:13-21; Marcos 6:31-44; Lucas 9:10-17; João 6:5-15; e o segundo: Mateus 15:32 e Marcos 8:1-9) e, mais reconditamente, para o milagre das bodas de Caná (João 2: 1-12). No Seu infinito poder, Deus pode preencher os espaços vazios, criando, transformando ou multiplicando o pouco “azeite” que há em nós.

No final da passagem, o profeta Eliseu diz à viúva: “Vai, vende o azeite, e paga a tua dívida; e tu e teus filhos, vivei do resto” (II Reis 4:7). O quase nada pode dar lugar a um excesso inesperado. A pessoa enlutada poderá ter ou não a expectativa do consolo e do suprimento das suas necessidades, mas a Providência, a família e os “vizinhos” – entenda-se os que estão ou se fazem sentir próximos – são companheiros no caminho do luto.

No Natal, lembramos o nascimento de Jesus, o Redentor. Começou por ser um bebé mas viria a morrer numa cruz, aos trinta e três anos, em cumprimento do plano do Pai, que visava toda a Humanidade e que ao amor não subtraiu o sofrimento e a morte. O Evangelho segundo João conta-nos que Jesus chorou, emocionado pela dor de Maria e das pessoas que a acompanhavam, após a morte de Lázaro, Seu amigo (João 11:32-35). A Marta, a outra irmã de Lázaro, Jesus disse: Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá; E todo aquele que vive, e crê em mim, nunca morrerá. Crês tu nisto? (João 11: 25-26).

Os Evangelhos relatam o caminho de Jesus até à cruz, Sua morte, ressurreição e ascensão. Um detalhe muito interessante diz respeito ao período em que Jesus esteve crucificado entre dois homens, também eles crucificados. Um deles blasfemava (“Se Tu és o Cristo, salva-Te a Ti mesmo e a nós”Lucas 23:39) e o outro repreendia-o, reconhecendo os seus crimes e a justiça da pena aplicada pelos romanos, em contraste com a pureza de Jesus e a incompreensibilidade da Sua crucificação. Seguidamente, dirige-se a Jesus e pede-lhe: “Senhor, lembra-Te de mim, quando entrares no Teu reino.” (Lucas 23:42). A frase proferida permite-nos perceber que, para além do mais, este homem reconheceu a autoridade, a natureza divina de Jesus, creu nas Suas palavras, e não se achava digno de entrar no Reino. Foi o bastante para que Jesus lhe assegurasse que, naquele mesmo dia, estaria com Ele no Paraíso (Lucas 23:43). Este homem recebeu, à hora da morte, o passe para o Céu. Isto vai de encontro ao que Jesus havia previamente dito: Quem crê na minha palavra e n’Aquele que me enviou tem a vida eterna, e não entrará em condenação, mas passou da morte para a vida. (João 5:24); e “Deus amou o mundo de tal maneira que enviou o Seu filho unigénito para que todo aquele que n’Ele crê não pereça mas tenha a vida eterna” (João 3:16). Assim, também aqueles que creram em Jesus e que de nós se separaram por via da morte, no mesmo dia em que morreram encontraram-se com o Senhor no Paraíso. A sua partida deixou-nos em dor, ainda que cientes de que reencontrá-los-emos um dia. A chegada aos Céus é, porém, motivo de júbilo pelo abraço com o Pai. “Preciosa é à vista do Senhor a morte dos Seus santos” (Salmo 116:15).

Parafraseando Agostinho da Silva, cada pessoa é um poema. Ainda que morra podemos recitá-lo de cor. Escrevamos um poema belo e eterno, com a tinta de Jesus que nasce.


Irmã Abigail Ribeiro





Leia A Bíblia e  ‘O Grande Evangelho de João



“A Luz Completa

Mas, quando vier aquele Espírito de verdade, ele vos guiará em toda a verdade; porque não falará de si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido, e vos anunciará o que há-de vir.” (Evangelho de João 16:13) Eis a razão, porque agora transmito a Luz Completa, para que ninguém venha a desculpar-se numa argumentação errónea de que Eu, desde a minha presença física nesta terra, não Me tivesse preocupado com a pureza integral de Minha doutrina e de seus aceitadores. Quando voltar novamente, farei uma grande selecção e não aceitarei quem vier escusar-se. Pois todos os que procurarem com seriedade acharão a verdade.

(O Grande Evangelho de João – volume I –)


--Imagens de wix, freepick e pixabay--

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