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Maio 2020


Ano XXVII - Nº 75

75-Ano XXVI-AVB-MAIO de 2020
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Neste Boletim:


  • O Filho Pródigo;

  • “Recados do Pai”;

  • Excertos d’O Grande Evangelho de João;

  • Dádivas do Céu;

  • O Alerta de Deus;

  • Tempo de Perdão.


O FILHO PRÓDIGO


O Filho Pródigo descrito na parábola de Jesus (Lucas 15:11-32) é uma figura usada normalmente para descrever aquela pessoa que, arrependida, se volta para Deus; mas convém reflectir sobre o motivo que a levou a tomar essa atitude.

No ditado que este mês nos serve de inspiração, vemos que é muitas vezes o sofrimento que nos move a tomar a decisão acertada de nos voltarmos para o aconchego e protecção do Senhor:

O Meu povo é assim: precisa do grito para sentir vontade de Me sentir no temor, precisa da dor para clamar o Meu nome.


Nunca da parte do Criador houve a intenção de colocar as Suas criaturas em situações desagradáveis, nem tampouco fazê-las sofrer. Antes pelo contrário, Deus criou o primeiro casal, Adão e Eva, e colocou-os num lugar denominado Paraíso. Mas foi o pecado, ou seja, a desobediência motivada pelo uso indevido do livre-arbítrio, que levou o homem a se afastar da ordem divina e a criar a sua próprio ordem e destino.

Nesse caminho escolhido pelo homem surgiu tudo o que é desagradável, conforme foi dito pelo Senhor: “… maldita é a terra por causa de ti; com dor comerás dela todos os dias da tua vida. Espinhos, e cardos também, te produzirá, e comerás a erva do campo. No suor do teu rosto comerás o teu pão, até que te tornes à terra …” [1]

Ao longo dos seis milénios de história da Humanidade, após a criação de Adão, em que este mundo sofreu grandes catástrofes, motivadas sempre pelo pecado e afastamento do homem do seu Criador, chegamos aos nossos dias, em que a ciência, o conforto (para alguns) e o aparente controlo das forças da natureza, levam o ser criado a desdenhar do Criador, como dizendo: “Eu consigo pela minha força e sabedoria.”

São muitas as “Torres de Babel” criadas pelo homem, mas bastou um simples vírus para desencadear em todo o planeta uma pandemia que está dizimando milhares de vidas e causando o pânico entre os vivos. Porquê?

Porque Deus nos ama e quer novamente chamar muitos filhos Seus que andavam desgarrados do Seu aconchego, para junto de Si. Assim sendo, podemos dizer que esta pandemia, ao invés de ser prejudicial, torna-se numa grande prova do Amor de Deus.

Lembramo-nos de uma palavra que nos foi transmitida pelo Pai, no passado mês de Março:

Quanto a esta praga, ela ainda está a começar. No entanto existe muita alma no mundo que estava em sofrimento e que precisava de vir a Mim. Não é por acaso que ela toca nos idosos, pois estavam a tratar muito mal filhos Meus e esses vão subir até Mim.

Será que esta atitude de Deus não pode ser comparada à de um pai terreno, que vê o sofrimento de seus filhos e quer chamá-los para o aconchego de sua casa? Quanto sofrimento tem sido infligido à população idosa que é a maioria nos países ocidentais!

Então, o Senhor através desta pandemia está a chamar alguns. Libertando-os de maus tratos e a corrigir a maioria da humanidade através do medo e do sofrimento.

Em determinada altura em que o Senhor estava desgostoso com o Seu povo de Israel, a quem havia dado tudo, Ele diz zangado: “Irei, e voltarei para o meu lugar, até que se reconheçam culpados e busquem a minha face; estando eles angustiados, de madrugada me buscarão”. [2]

Não devia ser assim, mas infelizmente é o sofrimento que aproxima o homem de Deus.

Se a Humanidade tomar consciência da sua fragilidade e for levada a mudar algo em sua maneira de viver, procurando melhorar, para os filhos de Deus a exigência é maior, pois o convite formulado pelo Pai nas palavras que seguem, mostra que a fraternidade e o amor a dispensar a todos ao nosso redor deve ser a nossa futura norma de vida:


Apressai-vos na ligação a Mim e no perdão que tendes de espalhar à vossa volta. Que o Amor seja semente que vos traz até Mim e que seja dia após dia, hora após hora, tratada por vós com todo o cuidado e na força da caridade.

Este alerta deve ser tomado muito a sério, pois estamos a experimentar durante os dias de reclusão forçada esta aproximação ao Senhor. Hoje, temos mais fé, mais prazer na leitura da Escritura e outras obras de cariz espiritual, dedicamos tempo à oração intercessória, pois sofremos com a dor dos outros, e partilhamos com alegria, entre nós, as muitas experiências espirituais que estamos vivendo.

Por que isto não existia anteriormente e a nossa relação com Deus se limitava a uma ida semanal aos cultos comunitários?

A resposta não é difícil: Porque estávamos em liberdade e vivíamos a nossa vida segundo o nosso padrão estabelecido, numa rotina de “normalidade” e, mesmo comos cristãos, seguíamos o ditado popular: “Primeiro a obrigação, depois a devoção”.

Mas Jesus nunca avalizou este ditado, mas sim o seu oposto: “Mas buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas. Não vos inquieteis pois pelo dia de amanhã…” [3]

Quando está máxima espiritual for aceite como verdade absoluta, e cada um de nós fizer uma experiência para ver se funciona, então o testemunho cristão ao mundo será levado a sério por todos os que estão à nossa volta; e o desprezo e escárnio motivados pelos escândalos de muitos que se dizem cristãos serão reprimidos, não pela força, mas pela convicção do testemunho presenciado. Essa era a forma de viver da Igreja Primitiva. Nem todos aceitaram o evangelho de Cristo, mas eram obrigados a reconhecer que naquela gente havia algo diferente: “E perseveravam unânimes todos os dias no templo, e partindo o pão em casa, comiam juntos com alegria e singeleza de coração, louvando a Deus, e caindo na graça de todo o povo…” [4]

Creio que chegou a hora de toda a igreja “cair na graça de todo o povo”. Este alerta do Alto que nos chama a cerrar fileiras contra o pecado, deve levar-nos a viver em plenitude a doutrina do Divino Mestre, este Jesus que deu a Sua vida por cada um de nós.

As palavras que seguem devem ser agora o nosso lema:


Todos os Meus filhos têm de se elevar para que Eu possa sentir que o infinito se perde na junção com a eternidade e aí a Nova Jerusalém desce com todo o esplendor.


Não devemos temer nada do que ainda possa vir, pois a Escritura nos estimula na caminhada, dando-nos a garantia de protecção plena: “Que diremos pois a estas coisas? Se Deus é por nós, quem será contra nós?” [4]

Citamos algumas palavras do Pai, que nos mostram a importância do sofrimento na moldagem do carácter espiritual de cada um, levando-nos a caminhar na Sua direcção, tal como o pródigo da parábola, pois Ele já vem ao nosso encontro. Breve Jesus voltará e enxugará todas as nossas lágrimas.


Mas, até lá, muita lágrima, muita dor, muita provação tereis de passar para que todo o pecado se possa expiar; e que em vós o próprio príncipe das trevas possa ser transformado em filho pródigo.


Terminamos esta reflexão, com o cântico de um servo valoroso e vitorioso, que já goza as bênçãos eternas com Jesus a quem tanto amou – o apóstolo Paulo: “Quem nos separará do amor de Cristo? A tribulação, ou a angústia, ou a perseguição, ou a fome, ou a nudez, ou o perigo, ou a espada? (…) Mas em todas estas coisas somos mais do que vencedores, por aquele que nos amou”. [5]

Fraternalmente em Cristo Jesus,

Pr. Egídio

[1] Génesis 3:17-19 [2] Oséias 5:15 [3] Mateus 6:33-34

[4] Romanos 8:31 [5] Romanos 8:35-37



RECADOS DO PAI

«Dia após dia vou crescendo dentro de vós e a luz se intensifica, quer na dor quer na necessidade. O Meu povo é assim: precisa do grito para sentir vontade de Me sentir no temor, precisa da dor para clamar o Meu nome.

Em tudo Eu estou presente. E mais um ciclo terreno passa e Eu me aproximo de vós para vos dizer que mais um grão de areia se solta, contando os anos para a Minha vinda.

Apressai-vos na ligação a Mim e no perdão que tendes de espalhar à vossa volta. Que o Amor seja semente que vos traz até Mim e que seja dia após dia, hora após hora, tratada por vós com todo o cuidado e na força da caridade.

O Meu Espírito se completa com a junção do vosso. Todos os Meus filhos têm de se elevar para que Eu possa sentir que o infinito se perde na junção com a eternidade e aí a Nova Jerusalém desce com todo o esplendor. Mas, até lá, muita lágrima, muita dor, muita provação tereis de passar para que todo o pecado se possa expiar; e que em vós o próprio príncipe das trevas possa ser transformado em filho pródigo.

Tudo no mundo se transforma, regado pelas Minhas lágrimas e pela dor que sinto, vendo os Meus filhos se afastando. Mas no mesmo momento Eu me alegro pela fidelidade e esforço de filhos como vós.

Lutais e enfrentais a provação sabendo que o Meu caminho é o fogo que vos molda em carácter. O fogo é a dor, é a humilhação, é a tortura do mundo em que viveis.

Nenhuma dor que chegue a vós é mais forte do que a vossa força, e tudo é feito para vossa salvação.

Sois filhos eleitos na escolha e no espírito que vos concede fé renovada e fortalecida.

Procurai-Me e eu sempre vos acolherei, porque vos amo.

Tudo se encontra como a natureza em invernação, pronta a despertar ao raiar do sol. Assim é convosco e com a Obra.

E na mudança tudo se renova, sendo o princípio e o fim o mesmo.

O caminho faz-se percorrendo, e na busca se encontra e Eu já estou em vós e permaneço.

Que este dia seja um fechar de ciclo de prova, pois Eu vos sinto prontos e em Mim sereis aconchegados, apoiados e abençoados.

Descansai e esperai porque o Sol vai renascer em vós. Eu vos amo. Continuai o caminho que vos coloquei à frente. Enfrentai os obstáculos, pois só assim conseguireis na terra aquilo que nós aspiramos aqui no céu.

Eu estou em vós, Meus filhos. Amém."


EXCERTOS D’O GRANDE EVANGELHO DE JOÃO

A VOLTA DO FILHO PERDIDO

A este Meu conselho, Cirénius indaga a respeito de Satanás, o seu fim, e se era possível considerar sobre a sua volta à Casa do Pai.

Eu dou-lhe a resposta, audível no seu coração: Todos os acontecimentos têm o seguinte objectivo - procurar aquele que se perdeu e oferecer remédio ao enfermo, considerando sempre a sua livre vontade; impedi-lo em seu livre arbítrio seria transformar a infinita criação material e todos os seus elementos, em pedra duríssima incapaz de sentir a menor vibração de vida. Todo o Cosmos representa este grande espírito caído e desagregado em inúmeros mundos. Deste único ser são tiradas miríades de criaturas, na maioria iguais às deste planeta e transformadas, pela Omnipotência, Poder, Amor e Sabedoria divinos em seres semelhantes a Deus – o que, em síntese, não deixa de ser uma volta do grande anjo caído.

Quando, porém, todos os planetas e sóis se tiverem transformado em criaturas, nada mais sobrará “daquele”, a não ser o seu puro “eu” que, no completo abandono em épocas vindouras, se prontificará para a volta, caso não queira ser entregue ao eterno definhamento. Então não mais haverá Sol nem terras materiais girando no Espaço infinito, e sim, uma nova e maravilhosa Criação espiritual com seres felizes e livres que preencherá o infinito e Eu serei o Deus e Pai de todos os seres, por toda a Eternidade. Haverá então um rebanho, um aprisco e um Pastor!

Porém, esta época jamais poderá ser determinada. Mesmo se Eu te desse a era precisa não a poderias assimilar, porquanto não te seria possível somar os anos, contando os grãos de areia do mar e da Terra, as ervas em todos os campos e matas, as gotas do mar, dos lagos e dos rios, das cascatas e fontes – a fim de determinar o tempo da salvação definitiva.

Por isso, satisfaz-te com o seguinte: Trata, antes de mais nada, da conquista do Reino de Deus e da Sua verdadeira justiça, que serás despertado por Mim após a tua morte para a vida eterna, e naquele reino de espíritos puros, mil anos passarão como se fora um dia.

E lá, Meu amigo, no Meu reino cheio das maiores bem-aventuranças, com facilidade aguardarás aquilo que aqui te parece eterno. Por ora, nem tu nem um dos Meus discípulos podereis ser iniciados em toda a sabedoria dos Céus – somente depois, quando fordes baptizados, daqui a alguns anos, pelo Espírito Santo de Deus. Ele vos conduzirá a toda a sabedoria divina e verás então, numa luz completa, tudo aquilo que ora te parece tão incompreensível. Guarda o que te revelei, pois deverá ser segredo ainda por muito tempo.

Cirénius assusta-se muito e diz, após alguma reflexão: Sem dúvida ouvi a Tua palavra no coração; mas é preciso que a advertência final deva ser considerada tão rigorosamente? Não seria possível transmitir algo a pessoas honestas e devotas?

Digo Eu: Meu amigo, este conhecimento não prejudica quando é assimilado pela voz do espírito, como tu o acabaste de fazer, mas carnalmente recebido, seria de grande dano. Como e porquê, já te falaram os Meus anjos, portanto deixemos este assunto. Temos outras coisas que resolver para já, enquanto a tua pergunta toca a Eternidade.»

A APARIÇÃO DE JERUSALÉM, ANTIGA E NOVA

«Ao pronunciar estas palavras, todos vêem o Céu tingido de púrpura e, em solo incandescente, a cidade de Jerusalém, sitiada por soldados romanos, e dos portais flui sangue. Logo em seguida, ela está em chamas e grossas colunas de fumo envolvem o horizonte. De súbito, não se vê mais esta cidade, e sim, um montão de escombros. Estes escombros também desaparecem e no final, vislumbra-se um deserto, onde hordas selvagens procuram edificar. Em seguida, desaparece a visão e de Jerusalém ouvem-se gritos de pavor. Então, Nicodemos opina ter irrompido uma revolta.

Eu o acalmo dizendo: Ainda não; mas daqui a quarenta e cinco anos dar-se-á tal facto no país e aquela cidade será arrasada por não querer aceitar a graça do Alto. Esperemos o final, depois voltaremos a casa.

Novamente todos observam o firmamento, onde a coluna luminosa vem descendo à terra, porém do lado oposto, quer dizer, no Oeste e com claridade ainda mais intensa. Divide-se em inúmeras partes, as quais formam uma cidade enorme, cujas muralhas consistem em doze espécies de pedras preciosas, emanando brilho multicor por todos os lados. Tem ela igualmente doze portais, por onde afluem inúmeras criaturas de todos os pontos do globo.

Acima da cidade, no ar, vê-se a seguinte inscrição em hebraico antigo, como se fora feita de rubis e esmeraldas: “Eis a Nova Cidade de Deus, a Nova Jerusalém que descerá um dia, dos Céus, para os homens de corações puros e de boa vontade; lá habitarão com o Senhor para sempre e louvarão o Seu nome.”

Tanto a visão quanto a inscrição celeste são vistas somente por aqueles que se acham Comigo no Monte.

Após terem expressado o seu júbilo e querendo adorar-Me, a visão desaparece e Eu aconselho todos a adorarem a Deus no silêncio dos seus corações, e não em palavras retumbantes quais fariseus, pois não tinham valor para Ele. Eles então silenciam e se entregam a meditações.

Depois de algum tempo prossigo: Chegou a meia-noite; vamos entrar para tomar algum pão e vinho. Em seguida darei a explicação de tudo.

Após isto feito, Nicodemos analisa os diversos hóspedes no refeitório e percebe os sete templários, em companhia dos traficantes de escravos, e diz, constrangido: Senhor, vejo sacerdotes do Templo àquela mesa e temo a sua denúncia! Como chegaram aqui?

Digo Eu: Quem está Comigo não tem mais ligação com o Templo. Se bem que foram enviados por ele, a fim de Me observarem, disfarçados, reconheceram a Verdade e abandonaram o sinédrio. Dentro de alguns dias partirão para Roma, em companhia de outros, e lá serão tratados; por isso não há motivo para receios.

Diz Nicodemos: Senhor e Mestre, prometeste esclarecer-nos o fenómeno e tomo a liberdade de te lembrar.

Digo Eu: Assim farei, mas que ninguém prossiga com indagações quando tiver terminado, e cada um procure meditar em benefício da sua alma.

O SENHOR EXPLICA O FENÓMENO LUMINOSO

(O Senhor): «As doze colunas de fogo a Leste representam realmente as doze tribos de Israel e o tronco do centro foi Judá, os laterais, Benjamin e Levi. Através dos vários acontecimentos os doze se juntaram ao de Judá, e este é representado por Mim, pois vim para unificá-los em Mim como único tronco verdadeiro de Judá, para torná-los unos, assim como Eu e o Pai no Céu somos Um só, desde eternidades.

As sete colunas são os sete Espíritos de Deus que, ao se reduzirem a três, representam em Benjamin, o Filho; em Levi, o Espírito, e em Judá, o Pai. E vede: Pai, Filho e Espírito Santo se tornaram Um, sempre o foram e sempre serão Um só. Este Um sou Eu mesmo, e quem ouvir o Meu Verbo e o aplicar, estará Comigo e dentro de Mim. Subirá ao Céu, como Eu, e terá a vida eterna em Mim. Eis em resumo a significação verdadeira da primeira visão.

Quanto à segunda, demonstrou o excesso dos pecados horrendos deste povo que, muito embora na claridade do dia surgido entre ele, prefere caminhar em trevas, e assim fará. Por isso, colherá os frutos das suas acções na época por Mim mencionada, quer dizer, daqui a quarenta ou cinquenta anos; então terá chegado o fim deste povo para todo sempre.

Digo-vos: Céu e Terra desaparecerão e se tornarão ocos e rotos quais vestes velhas; as Minhas palavras, porém, cumprir-se-ão para sempre.

Eu sou o Senhor! Quem se atreverá a discutir Comigo e enfrentar-Me com lanças e espadas? Até isto farão, e o Meu corpo perecerá na cruz. Precisamente tal crime completará a sua medida e selará o seu extermínio. A ignorância pretende dominar e matar Deus. Isto será feito dentro em breve, e tal acto criminoso será permitido para asseverar um final para todo sempre. Mas aquilo que para o povo será motivo de aniquilamento, reverterá para a salvação e conquista plena da vida eterna.

Não vos impressioneis com esta revelação; pois aquela raça poderá matar o Meu físico, mas não Aquele que em Mim vive, age, cria e ordena eternamente. Não deixarei o Meu corpo dentro da tumba, pois será despertado no terceiro dia e assim privarei, até ao fim dos tempos, com aqueles que acreditarem em Mim, Me amarem e cumprirem o Meu Verbo. E vós, Meus irmãos, podereis ver e falar-Me como agora, onde caminho na carne não transfigurada.

Reflectindo a respeito, concluireis ter a segunda visão motivo importante. Que nenhum de vós diga: Senhor, poderias modificá-la através da Tua omnipotência, pois vos afirmo que estou fazendo o máximo, demonstrado pela Minha sabedoria eterna e divina; entretanto, de nada adianta ao povo pervertido. Ele é tão teimoso pela própria maldade inacreditável, não havendo poder divino que o salve.

Pensais que Deus possa tudo o que simplesmente quiser! Não resta dúvida. Todavia, não pode agir pela omnipotência, em virtude do livre-arbítrio humano; pois se o enfrentasse com o menor impedimento, o homem se tornaria em boneco dirigido pela vontade divina e jamais chegaria a uma determinação própria. Neste caso, não haveria bem-aventurança para a alma.

Precisa o homem estar de posse da sua plena liberdade que lhe trará vantagem por leis externas e obediência individual, no que a omnipotência divina nada pode influir, e por isso terá que permitir tudo o que deseja, inclusive o assassínio da Minha carne inocente.

E como as criaturas de Jerusalém se afastaram da Lei Divina, suplantando-a pelas instituições provindas dos seus interesses mundanos – contrários às leis que dei a Moisés e aos profetas – e Eu testificando a sua injustiça contra Deus e os homens, odeiam-Me e querem matar-Me a qualquer preço. Ser-lhes-á permitido; com isto a medida dos seus crimes estará completa, dando-se com o povo o que vistes na segunda visão.

Conjectura Nicodemos: Senhor e Mestre, creio que os fenómenos tenham despertado a consciência dos templários e certamente terão receio de qualquer acto violento. Ouvi pessoalmente a reprimenda popular contra os sacerdotes, por eles terem assassinado a maioria dos profetas, inclusive Zacarias e João. O próprio sumo-sacerdote calou-se e nada disse ao povo que exigia a devolução das oferendas, consideradas como crime. Além disto, recebeu o Templo, por parte do Governo romano, uma advertência severa em virtude do “jus gladii”, e assim terão perdido a coragem para condenar alguém à morte, sem autorização legal de Roma.

Digo Eu: Não o farão; entretanto, influenciarão o juiz romano de tal forma, apresentando número considerável de testemunhas pagas contra o Cordeiro, que no final o juiz fará o que exigirem. Há muitas pessoas que acreditam em Mim e na Minha doutrina; mas o Templo tem grande séquito, embora ignorante, com o qual tudo fará. Prova disto é a enorme afluência nas festas do sinédrio. Estas peregrinações testemunham o grande número de ignorantes na Judeia, convictos do agrado de Deus pela obediência ao Templo. Meditando a respeito, encontrareis reduzida garantia pela Minha vida entre os judeus