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Novembro 2020


Ano XXVII - Nº 81

81-Ano XXVII-AVB-NOVEMBRO de 2020
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Neste Boletim:



  • Ferramentas Espirituais

  • “Recados do Pai”

  • Excertos d’O Grande Evangelho de João

  • Dádivas do Céu

  • Atravessar a Ponte

  • Um Pouco de História …

  • À Procura da Água




FERRAMENTAS ESPIRITUAIS

O título desta nossa reflexão baseia-se nas palavras que nos foram ditadas pelo Pai. Em qualquer trabalho, principalmente o artesanal, as peças de ferramenta são de grande utilidade e sem elas nenhuma obra pode ser feita com perfeição.

Disse-nos o Senhor:

Dei-vos ferramentas que vós não usais; instrumentos que estão dentro do vosso coração mas que vos são de pouca utilidade.

Sabemos que estes utensílios de trabalho mencionados pelo Senhor não são físicos, mas espirituais.

Então, como devemos usar estas “ferramentas” na divulgação da doutrina de Cristo - o Evangelho.

O livro de Eclesiastes tem diversos conselhos sobre o bom uso das ferramentas e também quanto ao perigo do seu manuseamento negligente. Destacamos dois conselhos que visam o trabalho físico, mas também têm aplicação espiritual.

É dito: “Quem acarretar pedras, será maltratado por elas, e o que rachar lenha expõe-se ao perigo. Se estiver embotado o ferro, e não se afiar o corte, então se devem pôr mais forças; mas a sabedoria é excelente para dirigir.” [1]

Jesus, o divino Mestre, na Sua sabedoria, deu também directrizes aos Seus discípulos no uso das “ferramentas”, bem como sobre o seu comportamento futuro no seu manuseio, pois a tarefa de proclamar a o Evangelho num mundo adverso à verdade é árdua e comporta os seus riscos.

Disse o Senhor: Eis que vos envio como ovelhas ao meio de lobos; portanto sede prudentes como as serpentes e símplices como as pombas. Acautelai-vos, porém, dos homens; porque eles vos entregarão aos sinédrios e vos açoitarão nas suas sinagogas. [2]

Precavidos pela informação do Mestre, vamos procurar seguir o Seu conselho, iniciando o nosso trabalho no preparo de todas as ferramentas que vamos usar; usando o bom senso do trabalhador experiente, antes de iniciar o trabalho, vamos afiar as ferramentas.

Comecemos por enumerar as ferramentas que precisamos para este grande trabalho na Vinha do Senhor:

1 – Primeiramente, temos de nos munir da credencial que nos capacita a exercer a nossa função como divulgadores do Verbo. Esta credencial é o Poder de Deus, pois sem ele não conseguiremos nada que possa perdurar. Essa foi a razão por que Jesus advertiu os Seus discípulos: Eu sou a videira, vós as varas; quem está em mim, e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer.”; “E eis que sobre vós envio a promessa de meu Pai; ficai, porém, na cidade de Jerusalém, até que do alto sejais revestidos de poder. [3]

Ao longo dos séculos, o homem tem procurado substituir esta Escola de Cristo, em que o aprendizado é transmitido por milagre do Alto, por outro tipo de ensino coadunado com o saber mundano – escolas bíblicas, seminários e até escola de profetas.

Embora possa ser proveitoso o ensino sistemático da palavra do Senhor, Ele nunca alterou a forma como chama os Seus mensageiros, nem tão pouco como estes devem falar em Seu nome: Proponde pois em vossos corações não premeditar como haveis de responder; porque eu vos darei boca e sabedoria a que não poderão resistir nem contradizer todos quantos se vos opuserem. [4]

Esta é a norma dada por Jesus, que só funciona naqueles que verdadeiramente estão Nele. Mas muitas vezes a mensagem destes pregadores não é do agrado dos ouvintes; essa é a razão por que substituem as pessoas dotadas da unção de Deus, por outro tipo de mestres, conforme o que foi profetizado por Paulo: “Porque virá tempo em que não sofrerão a sã doutrina; mas, tendo comichão nos ouvidos, amontoarão para si doutores (ou mestres) conforme as suas próprias concupiscências.” [5]

2 – Outras “ferramentas” são a oração, o jejum, as vigílias e outros exercícios espirituais como a meditação; estes meios de graça são a forma de manter em actividade contínua tudo o que aprendemos na “escola especial” em que Jesus é o Mestre e a própria escola, como Ele disse. Não precisamos alongar-nos em explanações, pois Jesus é e será sempre o nosso exemplo: E, levantando-se de manhã muito cedo, fazendo ainda escuro, saiu, e foi para um lugar deserto, e ali orava. [6]

Cremos que todos os Seus discípulos seguiram este princípio, mas é na experiência do apóstolo Paulo que podemos confirmar esta verdade, pois ele ao longo do seu ministério experimentou todas as agruras da luta espiritual, conforme descreve em Efésios 6:12.

Aparentemente este servo de Deus parecia carente de muita coisa material, mas era detentor de bens espirituais riquíssimos, como afirma: “Antes, como ministros de Deus, tornando-nos recomendáveis em tudo: na muita paciência, nas aflições, nas necessidades, nas angústias, nos açoites, nas prisões, nos tumultos, nos trabalhos, nas vigílias, nos jejuns, na pureza, na ciência, na longanimidade, na benignidade, no Espírito Santo, no amor não fingido (…) Como contristados, mas sempre alegres; como pobres, mas enriquecendo a muitos; como nada tendo, e possuindo tudo.” [7]

3 – O ministério de proclamador das Boas Novas é um privilégio de poucos, pois é fruto de uma selecção feita pelo Senhor (João 16:15). Ao sermos escolhidos por Ele somos também expostos perante o mundo para sermos observados, analisados, contraditados e até rejeitados, mas nunca devemos esmorecer na nossa tarefa que se projecta na eternidade. A Escritura diz-nos isso mesmo: “Portanto nós também, pois que estamos rodeados de uma tão grande nuvem de testemunhas, deixemos todo o embaraço, e o pecado, que tão de perto nos rodeia, e corramos com paciência a carreira que nos está proposta.” [8]

Este ministério é confrontado muitas vezes com impedimentos de autoridades do mundo, sejam elas religiosas sejam seculares. Mas se a Verdade está do nosso lado, devemos resistir, considerando sempre que a ordem que recebemos veio de Deus.

Isso aconteceu logo no início da igreja, quando Pedro e João, após a cura de um paralítico, foram proibidos de proclamar a doutrina de Cristo que estava causando alvoroço entre o povo e abalando os alicerces da religião farisaica que se sentia ameaçada. A resposta dos discípulos tem de ser a nossa, pedindo também a Deus, como eles o fizeram, que nos outorgue o Seu poder: “… Julgai vós se é justo, diante de Deus, ouvir-vos antes a vós do que a Deus; porque não podemos deixar de falar do que temos visto e ouvido (…) Agora pois, ó Senhor, olha para as suas ameaças, e concede aos teus servos que falem com toda a ousadia a tua palavra; enquanto estendes a tua mão para curar, e para que se façam sinais e prodígios pelo nome do teu santo Filho Jesus.” [9]

4 – Na maturidade da caminhada em direcção à eternidade com Deus, o servo fiel pode dizer como o apóstolo: “acabei a carreira, guardei a fé” e, pela experiência dele (sempre Paulo), podemos observar como a sua vida em tudo estava totalmente na dependência de Deus, reflectindo uma ligação íntima com o Senhor, pois até nos dois textos que citamos a seguir vemos semelhança.

Eis o que disse Jesus: Eu não posso de mim mesmo fazer coisa alguma; como ouço, assim julgo; e o meu juízo é justo, porque não busco a minha vontade, mas a vontade do Pai que me enviou.E estas são as palavras de Paulo: “E agora, eis que ligado eu pelo espírito, vou para Jerusalém, não sabendo o que lá me há-de acontecer, senão o que o Espírito Santo de cidade em cidade me revela …” [10]

Se conseguirmos manter a nossa vida nesta dependência do Senhor, labutando pela Obra sem esmorecer e mantendo sempre as nossas “ferramentas” de trabalho aparelhadas, podemos estar cientes do agrado do nosso Pai, tal como foi dito na mensagem em análise:

Abri os olhos, olhai à vossa volta, e reconhecei-Me em tudo. O empenhamento é um esforço individual, o trabalho de cada um de vós.

Fraternalmente em Cristo Jesus,

Irmão Egídio Silva

[1] Eclesiastes 10:9-10 [2] Mateus 10:16-17

[3] João 15:5; Lucas 24:49 [4] Lucas 21:14-15 [5] II Timóteo 4:3 [6] Marcos 1:35 [7] II Coríntios 6:4-10 [8] Hebreus 12:1

[9] Actos 4:19,20,29,30 [10] João 5:30; Actos 20:22-23.





RECADOS DO PAI


Dei-vos ferramentas que vós não usais; instrumentos que estão dentro do vosso coração mas que vos são de pouca utilidade.

Pairais à superfície das águas, distraídos, boiando ou nadando, e não mergulhais fundo, onde existe um mundo sereno e belo, desconhecido para vós, que vos daria outra compreensão de Mim, onde ficaríeis a conhecer melhor o alcance do Meu poder.

E porque não o fazeis, a comunhão que deveríeis ter Comigo existe só para uns poucos. Mas Eu quero mais.

Se me conhecêsseis na profundidade das águas, o vosso coração se expandiria. Nasceria em vós um espírito novo que transformaria as vossas vidas; teríeis mais poder e seríeis mais felizes. Passaríeis a ter o desejo espontâneo de estar em comunhão Comigo todos os dias, e a oração e o louvor a Mim brotaria dos vossos lábios naturalmente. Eu dei-vos tudo, mas vós aceitais pouco.

A ligação a Mim fortalece o vosso corpo, alimenta a vossa alma, e o Espírito se deleita. Que mais vos posso dizer se falo continuamente convosco e me manifesto em tudo o que vos rodeia.

Abri os olhos, olhai à vossa volta, e reconhecei-Me em tudo. O empenhamento é um esforço individual, o trabalho de cada um de vós. Eu nada posso forçar, mas olho com pena que não utilizais aquilo que coloquei no vosso coração. Mas vós continuais ocupados com o mundo, não querendo mergulhar na profundidade do conhecimento de Mim e a estar permanentemente em conexão Comigo.

Estais em tempo de transmutação, e continuais passivos. Despertai para Mim e tende a Minha presença em vós. Então vos sobrevirá uma felicidade que o mundo não conhece. Tereis paz no meio da guerra, e serenidade nos momentos de aflição que se avizinham. A vida terá para vós outro sentido. E ligados pelo mesmo amor encontrareis a bem-aventurança que vos prometi.

Mergulhai nas águas, Meus filhos! Mergulhai na profundidade do Meu ser! Vivei em Mim!


Amém.

EXCERTOS D’O GRANDE EVANGELHO DE JOÃO

OS LAVRADORES NA VINHA DO SENHOR

A NATUREZA, DESTINO E EFEITO DAS REVELAÇÕES

«Digo Eu a Lázaro e a todos, pois os demais discípulos compartilham da opinião reaccionária deste: Dar-vos-ei uma parábola como resposta às dúvidas do nosso amigo - Houve um senhor que contratou empregados para a sua vinha. Apresentaram-se de manhã e ele combinou pagar-lhes um dinheiro por dia. Ao chegar ao campo algumas horas mais tarde, encontrou outros, ociosos e disse-lhes: Que fazeis aqui, parados? Ide ao meu campo e dar-vos-ei o que é justo. À tardinha viu ainda outros, desocupados e perguntou-lhes: Por que estais ociosos? Responderam: Ninguém nos contratou. Disse ele: Ide igualmente à vinha e trabalhai esta última hora do dia, que recebereis o que vos couber.

À noite, o proprietário chamou os que trabalharam e entraram cedo, dando-lhes a importância combinada. Assim pagou o mesmo valor aos que trabalharam a metade do dia, e aos que somente se esforçaram durante uma hora.

Eis que os primeiros reclamaram por terem recebido a mesma importância dos que trabalharam apenas meio-dia. E ele respondeu: Que vos importa eu ser bom e misericordioso? Acaso sou injusto por ter pago aos últimos tanto quanto a vós? Não combinamos uma moeda? Vós mesmos não exigistes mais. Acaso não sou dono da minha fortuna para aplicá-la como quero? Sem mais argumentos, eles se deram por satisfeitos com o seu pagamento.

Afirmo-vos fazer o mesmo, o Meu Pai que está em Mim; os últimos serão os primeiros, e os primeiros serão os últimos.

A vinha são as criaturas desta Terra que, quais videiras, devem ser trabalhadas. Não têm contrato firmado Comigo e existem apenas para produzir bons frutos para Deus, o Senhor.

As almas de todos os profetas – assim como as vossas – não se originam desta Terra e sim, são trabalhadores contratados no Alto, tendo firmado contrato Comigo para a conquista da filiação divina, apenas possível nesta Terra.

Todos os grandes profetas desde o início até agora – incluindo-vos entre eles – que receberam uma grande revelação, representam os primeiros trabalhadores na vinha do Senhor.

Os pequenos profetas, incumbidos da metade da tarefa – a manutenção da revelação dada – são os que vos seguirão em Meu nome; trarão igualmente pequenas revelações de onde profetizarão; porém, não possuem aquela força e poder que Eu vos transmito agora. Receberão o mesmo prémio, porque a sua fé tem de ser mais forte; não recebendo o que ora vedes e ouvis, a sua fé espontânea tem que lhes ser levada em conta a um mérito maior. Quando receberem o mesmo que vós, considerai terem tido maior dificuldade para crer, o que ora ocorre para salvação de todas as criaturas, pois não foram testemunhas como vós de todos os Meus feitos.

Finalmente serão em épocas futuras inspirados e admitidos outros profetas, bem próximo do grande julgamento, com a tarefa cansativa e pesada de purificar a deturpada doutrina, a fim de que seja conservada e não repelida pela Humanidade mais inteligente, como se fora uma antiga mistificação sacerdotal. Este terceiro grupo de trabalhadores na Minha seara não agirá com grandes milagres, mas apenas pela palavra e a escrita verdadeira, sem receberem outra especial revelação, a não ser pelo Verbo interno e vivo no sentimento e pensamento. Serão plenos de fé lúcida e racional, erguendo deste modo, sem provas, as videiras humanas ressequidas da vinha do Senhor e receberão de Mim o mesmo prémio que vós, trabalhadores do dia inteiro; pois terão muito mais dificuldade em crer firmemente naquilo que há mais de mil anos aqui sucedeu.

Se, portanto, as grandes revelações distam muito entre si, Deus sempre cuida em despertar novos profetas, tão logo os ensinamentos comecem a ser vilipendiados, e isto de modo tal a impedir qualquer coacção do livre arbítrio.

Quando posteriormente o mundo tiver desviado as criaturas da rota espiritual, só resta tomar medidas para uma grande revelação, que naturalmente é seguida de julgamento. Enquanto não puseres a madeira seca no fogo, não se incendiará; isto será feito pelo fogo. E vê, aquilo que o fogo representa para a madeira é a revelação para o homem. Compreendeste?»


OS PROFETAS COMO PORTADORES DAS REVELAÇÕES

«Diz Lázaro: Sim, entendo-o bem; tenho, todavia, uma dúvida, difícil de dissipar. Acaso todas as criaturas que recebem directamente uma grande revelação devem ser consideradas vítimas do julgamento, ou somente as que compartilham pela fé recebem as bênçãos da mesma?

Os transmissores de uma revelação já se encontram em grande desvantagem, pois que desde a sua origem são de índole mais pura, para se capacitarem como recebedores e interpretadores de um ensino do Alto; pois as criaturas materialistas jamais compreenderiam tal graça.

Respondo: Por que pensas que se devem considerar atingidos pelo julgamento os transmissores da grande revelação? Não duvidarás Eu saber a quem escolher para tal fim, para que não seja prejudicado?

Moisés foi portador da grande revelação; entretanto, muitos havia que dela somente participavam de modo indirecto, e no final estavam mais firmes na fé do que ele, receoso da Minha promessa em dar aos israelitas a Terra Prometida, onde fluía leite e mel. Justamente devido à sua dúvida, o profeta só pôde vê-la de longe, mas não chegou até lá.

Isto é a prova mais que evidente de que profeta algum era coagido, e a partir de agora o será ainda menos, e sim, a sua liberdade de crença e acção será completa, proporcionando plena felicidade; o facto de alguém transmitir uma revelação não o torna feliz, mas somente a sua convicção e maneira de viver.

O mesmo acontece convosco. Através das Minhas acções sois muito mais levados a crer ser Eu o Cristo e as Minhas palavras divinas, do que aqueles a quem ireis passar o Evangelho verbalmente; em compensação, sereis acometidos de grandes dúvidas, recebendo oportunidade para fortificar a vossa fé. Pois quando o Pastor for abatido, as ovelhas fugirão e se dispersarão. Porém, no tempo oportuno, Eu as reunirei e fortificarei a sua fé. Deste modo, nenhum transmissor de revelação é atingido pelo julgamento. Primeiro, é tal pessoa do Alto e não há missão constrangedora (…) tornando-a mais firme e sólida do que uma alma concatenada dos elementos terrestres. Segundo, enfrenta uma alma missionária provas de fé muito mais difíceis que uma alma da Terra, de fé simples. Esta se satisfaz com o Verbo e dispensa as provas. As almas do Alto necessitam mais, por serem dificilmente convencidas e precisam de provas fortes, até que a sua fé se complete e aja.

Se Me dirigisse à Pérsia, Índia, Grécia ou Roma e desse lá provas como as dadas perante vós, ninguém se atreveria a agir contra a Minha determinação. Tais almas materialistas ficariam completamente tolhidas, anulando a oportunidade do seu livre-arbítrio. Vós não sois prejudicados por tais meios, por não serdes de fé fácil; é preciso efectuar muitos milagres para vos levar à convicção e, ainda assim, sois tomados de dúvidas e insistentes inquirições. Quem age deste modo é livre em sua fé; pois exige compreender e assimilar o que acredita, e enquanto isto não se der, não crê.

Prova disto é Eu ter que explicar e exemplificar os Meus ensinamentos. Sabeis quem sou e poderíeis acreditar em Mim sem maiores elucidações; entretanto, não o fazeis e já demonstrastes, por diversas vezes, não terdes crido em Mim, em virtude de um ensino oculto, dizendo-Me abertamente ser dura a Minha doutrina. Não faz sete dias que abandonastes a Minha pessoa, pelo motivo acima.

Isto prova serem as vossas almas mais fortes do que as dos filhos deste mundo. Sempre haverá pessoas como vós, e Eu irei inspirá-las, dando-lhes – como a vós – a voz interna do espírito. Ensinarão os filhos do mundo, deixando a sua vontade inteiramente livre.

Os doutrinadores, porém, não devem julgar-se mais importantes do que os outros; pois para Mim prevalecerá sempre: Deixai vir a Mim os pequeninos e não os impeçais disto. Quem não se tornar semelhante a eles, não entrará no Meu Reino; pois pertence a eles e foi feito por sua causa. Quem for sábio e, por isso, doutrinador de todo o coração, humilde e meigo, estará lá, onde Eu estarei como verdadeiro Pai entre os Meus filhos, de eternidades em eternidades.»


EXISTEM DUAS ESPÉCIES DE CRIATURAS NA TERRA ENSINOS E MILAGRES E OS SEUS EFEITOS DIVERSOS

«Somente Lázaro se faz ouvir: Senhor e Mestre, acaso também sou do Alto?

(…) Vê, se não fosses do Alto, não serias capaz de pensamentos desta ordem, e Eu não teria agido aos teus olhos como fiz, para poupar o teu livre-arbítrio. Os que moram lá em baixo não são do Alto, e sim desta Terra, motivo por que não posso agir como fiz diante de ti e dos demais. Podem ouvir somente os comentários; pois os milagres os aniquilariam. Assim, devem deglutir apenas o Meu discurso.

Receberão, entretanto, uma prova idêntica à do profeta Jonas; assim como ele ficou três dias no ventre do grande peixe e em seguida foi posto na margem com vida, também ficarei durante três dias na sepultura, a fim de ressuscitar para o pavor e o julgamento dos templários.

Lembrai-vos bem: os filhos desta Terra só podem ser conquistados para o Meu Reino, através de palavras de vida. Pois a maioria – quando não for viciada por provas falsas – é de fé fácil, inteligente e pode ser convencida à verdade por uma doutrinação equilibrada. Milagres importantes tolheriam a sua razão e vontade. Sabes agora de onde és?

Responde Lázaro: Compreendo, Senhor, ser eu do Alto; como, porém, sabermos se as criaturas que nos abordam são do Alto ou da Terra?

Digo Eu: Sendo necessário, o próprio espírito vos transmitirá. Existe, todavia, um facto externo dificilmente enganador, pelo que se reconhece a origem da pessoa.

Vê, a alma conserva, ainda que envolta pela carne obscurecedora, um sentimento certo da sua origem, dirigindo a audição e mormente a visão ao seu berço espiritual. As criaturas inclinadas a dirigir o olhar para o alto, galgar montanhas, prestar ouvidos aos sons das alturas, originam-se de lá. Outras, geralmente de olhares pregados ao solo, onde procuram desenterrar tesouros e mui raro erguendo os olhos e ouvidos para o Alto, são de baixo. Eis uma orientação que vos servirá para saberdes com quem estais lidando.

Almas do Alto são geralmente engenhosas e produzem obras de arte e ciência; não se deixam convencer com facilidade, pois querem ter prova de tudo. O mesmo se dá com todos os cínicos. Podereis criar mundos à sua frente, que não terá outro efeito do que transmitirdes uma ordem vulgar a um habitante da Terra, que dificilmente perguntará pelo porquê, executando-a por ter sido dada por pessoa inteligente. Espera saber oportunamente o motivo. Uma criatura do Alto perguntará qual a razão e exigirá explicação acertada.

Digo-vos haver vários factores para se analisar a índole das pessoas e quais as videiras da Minha vinha, abordáveis pelos doutrinadores; a mesma explicação pode ter os melhores ou piores efeitos, caso não for transmitida de acordo com o carácter do ouvinte.

Os filhos pequeninos e fracos desta Terra crêem com facilidade o que se lhes apresenta como prova de fé e só necessitam de explicação posterior, quando tiverem adquirido grande capital de princípios doutrinários. Deve-se, portanto, tratar de lhes pregar a pura verdade, e ai de quem procurar aborrecê-los com dogmas e exemplos falsos, como vos demonstrei em outra ocasião, na Galileia. Aos filhos do Alto a explicação deve ser dada antecipadamente, de contrário não aceitarão algo de genuíno.

Por várias vezes fostes testemunhas da Minha atitude para com gregos e romanos; fazei o mesmo, que será mais fácil conquistá-los, porquanto podeis referir-vos a Mim e às Minhas obras. Em caso de necessidade, também podereis operar milagres; sede, porém, moderados neste sentido, fazendo-o tão-somente quando o espírito vos der uma revelação. Uma prova não deixa de ser benefício; uma palavra verdadeira e sincera é muito mais vantajosa, porque não impõe coacção ao coração humano.

A palavra esclarece primeiro o intelecto; este desperta a vontade e o amor no coração. O amor se torna uma chama poderosa que ilumina e vivifica a vontade; esta age, então, às determinações da razão e aquilo que o homem fizer, livre deste modo, é acção própria e meritosa, encontrando ele a sua fonte de vida.

Ao passo que o milagre abate por certo tempo a razão da criatura e incita apenas o amor e a vontade à acção. Tal acção é idêntica a uma pedra atirada ao ar, movimentando-se somente pelo tempo que a força arremessadora estiver em contacto com o peso; tão logo cesse, a pedra cai, imóvel, e fica no solo dentro do seu julgamento.

A alma de uma criatura convertida pelo milagre assemelha-se à pedra arremessada ao ar, agindo cegamente de medo; a prova, com o tempo, perdendo a sua força, esmorece o amor e a vontade, mormente nos descendentes que não assistiram ao milagre; entregam-se ao ócio, considerando aquilo como feitiçaria, ou mera fraude e invenção dos antepassados. Pois se a alma inquirir a razão, esta não lhe poderá dar explicação, pois também não a recebeu e concluirá: Acaso não merecemos o mesmo que os nossos ancestrais? Devemos acreditar o que não entendemos, e as provas relatadas deveriam servir de móvel para a fé? Isto não é possível. Se Deus existe, não poderá exigi-lo. Por isso, também queremos prova ou ao menos explicação razoável sobre o que devemos crer e fazer.

Deste modo opina o intelecto humano, e com razão. Pois se o ensino não foi elucidado pelo exemplo, soçobra com todas as provas, e as criaturas perdem toda a fé, recaindo na vida anterior, desequilibrada e ociosa até que apareça um mago esperto, convertendo-as com falsos milagres.

Por isso, repito com insistência: Ensinai com clareza e sede parcimoniosos com as provas, que criareis discípulos efectivos e firmes. Pois a prova passa; a verdade pura e lúcida perdura eternamente e dispensa provas para a confirmação, pois ela mesma é a maior prova dada dos Céus, em todos os tempos e aos homens de boa vontade.

Haverá provas permitidas aos pobres e enfermos, sem distinção de raça e crença, um benefício justo e não prova especial para a origem divina da Minha doutrina.

A doutrina tem que se provar a si mesma como puramente de Deus, dando a prova interna e viva na sua genuinidade plena, àquele que a pratica. Se considerardes isso, tereis bons adeptos; não o fazendo estritamente, tereis aberto as portas ao anticristo, resultando a vossa própria fuga espiritual.»

(O Grande Evangelho de João – VI – 176, 177, 178)


DÁDIVAS DO CÉU


Sobre a visão espiritual e a sua compreensão

«Vede, ainda existem muitos segredos sobre os Meus ombros e muitas palavras no Meu peito sagrado, cheio de vida, força, amor, misericórdia e graça, dos quais não tendes a mínima noção e sobre os quais diríeis “O que eu não sei, não me atinge”. Sim, isso provavelmente está correcto e esta afirmação seria aplicável em muitas ciências mundanas, mas jamais para a Minha enorme misericórdia, infinita no infinito de todos os infinitos, a fim de dar-vos a cada dia a bem-aventurança que aumenta cada vez mais no íntimo de tudo e todos vós.

Amigos, acreditai, sou Eu quem vos diz tudo isto. Acreditai, mesmo que eternidades passem, um dia chegará em que direis: “Não haverá um único número, por mais ínfimo que seja, com o qual poderemos comparar o nosso conhecimento ao de Deus?” E uma voz sairá do vosso peito, esta voz que se origina no Meu coração, e responderá: “Não existe tal número. Por toda a eternidade a vossa sabedoria será nada, mas Eu sou tudo no todo. Vós podereis ser tudo em Mim e por Mim; por vós e em vós, porém, jamais.”

Vede, é por isto que Eu ainda tenho muito a vos dizer, coisas que não disse mesmo aos apóstolos, pois não o suportariam, já que eram quais frutos temporões, amadurecidos pela Minha presença física. Mas vós, que Me amais e tendes fé mesmo sem Me ver fisicamente, estais prontos para ouvir algo bem mais importante e maior. Por isto vos direi mais coisas, coisas que farão que o vosso espírito se espante e fique maravilhado. Observai bem o que vou dizer-vos e guardai-o bem em vossos corações.

Vede, tudo o que jamais pensastes ou sonhastes, o que estais a pensar ou sonhar e tudo o que pensareis ou sonhareis no futuro, jamais se perderá; tal como aconteceu no vosso íntimo, um dia vereis acontecer de facto e logo reconhecereis a acção, e isto vos alegrará ou entristecerá. É necessário que vos fale desta questão, para que o vosso entendimento futuro se concretize. Pois aquele que existe e actua em seu interior, este jamais conseguirá entender os seus próprios pensamentos, desejos e tendências.

Vede, no vosso espírito está enterrado todo o infinito na totalidade e cada partícula específica do mesmo. Esta é a razão por que podeis imaginar infinitas terras, sóis, árvores, pessoas, animais e muito mais. Quero dizer que conseguis multiplicar ao infinito todas as terras, sóis, animais, vegetais e outros; pois se não fosse assim, os vossos pensamentos em pouco tempo acabariam.

Vou explicar como isto acontece:

Se colocásseis dois espelhos bons, um na frente do outro, um se reflectiria totalmente no outro. Este reflexo se projectaria por sua vez no outro e assim por diante infinitamente. A em B, e B em A continuamente. O mesmo acontece convosco. A vossa alma é um tal espelho para o mundo exterior e o vosso espírito o é para o mundo interior espiritual. Esta é a razão por que cada coisa se encontra em vós infinitamente, como também para o espírito, o qual obtém rapidamente o que desejou ou pensou.

Vós, porém, sabeis que quanto mais limpo e polido o espelho, tanto melhor é o reflexo que ele apresenta. Assim, se polirdes o espelho da vossa alma com a humildade, para que ela se torne uma superfície lisa onde qualquer elevação lhe tenha sido retirada, logo começareis a perceber coisas maravilhosas em vós: Pela alma, as coisas exteriores; pelo espírito, tudo o que vem de Mim. Notareis também que de facto a alma e o espírito são o total conteúdo de cada objecto.

Vede um outro exemplo: Se vós pensais numa pedra, numa árvore, num animal ou qualquer outra coisa, conseguireis ver o seu exterior em primeiro lugar. Mas se a luz do espírito se derramar sobre a alma e iluminar esta figura completamente, vós podereis então ver este objecto na sua totalidade. Quando este espelho da alma se tornar brilhante pela luz do espírito, as partes internas começarão a reflectir-se na alma e se tornarão visíveis à vossa razão, como se as tivésseis vendo com os vossos olhos físicos. E se desejardes conversar com um destes objectos, o Meu espírito que está em vós – para o qual tudo, do maior ao mais infinito, não passa de pensamentos materializados – penetrará no objecto pensado e falará da sua fonte interna e original.

Eis a explicação clara e simples de como Adão, Abel e muitos outros conseguiam falar com toda a criação, e como vós podereis comunicar-vos com o mundo espiritual, se o desejardes de verdade.

Por isto deveis “polir” a vossa alma com muita vontade, pois ainda existem muitas coisas que vão dar testemunho de Mim. Mas ainda sois demasiado insensatos para verdes o Meu nome na Criação.

Por isso poli, limpai, lapidai a vossa alma, que em pouco tempo começareis a ver e entender o mundo de uma forma bem diferente, e a Minha maravilhosa Criação não terá fim aos vossos olhos.

Um escrivão vá com o Meu servo para junto de uma rocha ou outra coisa da natureza, e Eu farei com que ela fale por intermédio do Meu servo [Jakob Lorber]. O que for dito, o escrivão deverá anotar e redigir como testemunho da Minha palavra.

Pois nada importa; o lugar e o tempo que algo ocupa no espaço, mas sim tudo depende de como a vossa vida é fora do espaço e tempo, quero dizer, no eterno ser. Com os olhos físicos, vós conseguis ver as coisas que se encontram no vosso mundo exterior. Com os olhos da alma que se encontra em vós e com os olhos do espírito, vós observais tudo, desde o centro das coisas e também do centro do vosso lar. Mas somente com a aproximação do Meu Espírito, tudo se tornará vivo e falará convosco.

Eu, vosso Santo Pai, vos mostro muitas coisas. Por isso sede activos no vosso amor, para que a Minha misericórdia não fique no meio do caminho. Amém.»

(Revelação transmitida ao profeta Jakob Lorber em 24/07/1840)

ATRAVESSAR A PONTE

Quando nascemos, os dias que teremos para existir neste mundo são escritos no livro da vida. E o tempo que aqui passamos é como o atravessar de uma ponte.

Nesse hiato entre o nascer e o partir da nossa experiência terrena, teremos a possibilidade de viver da forma como desejarmos, num tempo de livre arbítrio em que tudo nos é permitido.

Isto de forma muito genérica, pois bem sabemos como condicionantes nos empurram muitas vezes para decisões contrárias ao nosso sentir, induzidos por influências socias e familiares que amputam ou bloqueiam o nosso desejo maior.

Todavia, devemos ter em mente que, apesar de todos os constrangimentos e obrigações que nos são impostos, sempre surgirá uma oportunidade para cada um de nós, nem que seja uma única vez.

Porque na verdade, todo o ser humano traz dentro de si a capacidade intrínseca de se tornar a expressão suprema da Divindade que coabita no nosso coração e à qual estamos unidos para sempre.

Todavia, há quem durante o seu percurso se esqueça para onde vai. Porque há muitas distracções, amores e paixões que nos fazem esquecer o caminho.

É o amor à carreira profissional, as distracções do mundo, a paixão por um determinado desporto pelo qual se prestam a muitos sacrifícios; a família e amigos que nem sempre cooperam para o nosso bem, embora procurem fazê-lo com a melhor das intenções.

Porém, nos jardins desta ponte feita natureza, poderemos sempre nos recolher para buscarmos e nos encontrarmos com o nosso Deus.

No entanto, é fácil perdermos o rumo, confundidos num labirinto sem saída, ao ponto de muitos saltarem da ponte, perdidos num percurso sem sentido. Por isso, é bom termos os pés bem firmados no chão que pisamos, para que as tempestades da vida não nos arrastem para o abismo onde nos espera uma morte certa e a perdição da nossa alma.

O desalento por vezes faz-nos esquecer que somos eternos, e portanto, aconteça o que nos acontecer, não terminamos aqui. Se todos estivessem absolutamente convictos de que estamos apenas a atravessar uma ponte entre um mundo que deixou de ser, e o outro que é eterno, seríamos diferentes e conscientes daquilo que realmente somos.

Quem se capacitar de que nascemos sem nada, e partimos nada levando, terá forçosamente de chegar à conclusão que não faz sentido viver como se nunca fôssemos morrer e acumular riquezas mundanas que não levaremos connosco quando atingirmos o final da nossa carreira – chegarmos ao outro lado da ponte.

A consciencialização desse facto irreversível induziria a humanidade a ser mais humana e menos feroz, respeitando o outro como aquilo que é – uma parte de si mesma, num todo indivisível. Seríamos mais felizes, independentemente do continente onde habitássemos e das suas diferenças.

A vida é demasiado curta para nos angustiarmos, esmagarmos ou escravizarmos o nosso semelhante para benefício pessoal, pois é mais forte aquilo que nos une, do que aquilo que nos separa.

O Altíssimo deu-nos tudo para vivermos em paz e perfeita harmonia.

Não o somos porque nos tornámos demasiado mesquinhos, egoístas e surdos, evitando escutar os gritos dos menos afortunados que clamam por justiça e misericórdia.

Também nos afastamos do Senhor, só o buscando nos momentos de angústia ou aflição, ao invés de torná-Lo no nosso melhor amigo e conselheiro fiel, porque Ele é o nosso bem maior.

Jesus deixou-nos todas as ferramentas para termos uma vida gloriosa. Mas o homem, ou não as usa por indiferença, ou as menospreza porque acha-as ridículas e não científicas, numa era evoluída como a que estamos a assistir.

Loucos! Os homens são loucos ao desprezar o Criador.

Nascemos equipados para a vitória, para atingirmos o final da carreira com as vestes brancas da alegria, prontos para nos apresentarmos perante o Senhor e, nessa certeza que é a força da fé interior que ultrapassa os mais dolorosos desafios, sentimos a paz e a presença de Jesus acompanhando-nos de perto.

O Pai revestiu-nos com o Seu poder para que expressemos o melhor de nós mesmos em todas as circunstâncias. Agindo com o dinamismo da fé actuante, ao invés de uma fé passiva onde o hoje é esquecido e a vivência adiada para um amanhã que não nos pertence.

Na certeza de que tudo aquilo que somos e temos vem do Alto, e como Seus filhos devemos honrá-Lo com reverência d’alma, praticando o bem e ajudando os que nos rodeiam, dando primazia aos companheiros dos momentos difíceis.

Então, a interajuda será um elo de ligação mútua, baseada no mesmo sentir, nos mesmos valores e na mesma fé em Cristo e em Deus Pai, Senhor do Universo.

Procuremos, pois, com diligência ser activos no testemunho, guiando suavemente quem não sabe bem para onde vai. Para que não saiam da ponte antes do tempo, nem sejam levados por alguma tempestade da vida.

No mundo há muita gente confundida, que perdeu o seu rumo, e sozinhos tornar-se-á difícil que encontrem o norte - JESUS.

Reconheçamos quão periclitante é a nossa existência na Terra, e tenhamos misericórdia daqueles muitos que atropelam os demais na ânsia de glória inexistente.

A partilha é um acto de amor. E o amor, o reflexo de Deus.

Só Ele nos guiará e manterá protegidos dos caminhos ventosos que possam fazer balançar a ponte que teremos de cruzar para atingirmos a outra margem – a eternidade com Ele.

Que pela Sua misericórdia encha as nossas candeias, para que se mantenham acesas sem interrupção, prontas a enfrentar os dias de maior escuridão que se aproximam. Estejamos prontos para a chegada de Jesus.

Que o Seu Amor nos conforte no trajecto que teremos de percorrer até à meta final.

E que a Sua Paz abunde no coração de todos nós, cientes de que só “aquele que se refugia no esconderijo do Altíssimo, à sombra do Todo-Poderoso descansará.”

Hoje e sempre.

Irmã Manuela Diniz


UM POUCO DE HISTÓRIA

AS GUERRAS ROMANO – JUDAICAS

(Parte 1)

É comum pensar-se, quando se fala do domínio do império romano sobre o território de Israel, que esse mesmo domínio começou algumas décadas antes de Cristo e terminou no ano 70 da nossa era.

Ora, nada de mais errado. Israel (Palestina, Fenícia, Judeia e afins) foi sempre território que pouca paz teve, exceptuando-se o período em que Salomão foi rei. Antes e depois dele, Israel esteve sempre, ou quase sempre, em guerra com os vizinhos e vastos impérios.

Ainda hoje a situação pouco mudou.

Tirando os impérios que invadiram Israel e que estão registados no Velho Testamento (Assírios, Babilónicos, Egípcios), outros impérios entraram em Israel e dominaram o seu povo por muitos e muitos anos.

Como existe um hiato entre o Velho e o Novo Testamentos de cerca de 400 anos, as guerras e invasões não foram registadas na Bíblia, pelo que teremos de nos valer dos livros de história.

Israel foi invadido pelo império selêucida (império originário da herança de Alexandre, o Grande, oriundo da Macedónia). Quando Alexandre morreu, os generais seus herdeiros não foram capazes de se entender pelo que se originaram guerras intestinas e a existência de muitos reis pelo período de dois séculos.

Este império tinha cerca de três milhões de quilómetros quadrados de área em 301 aC. No ano 100 aC já só tinha cem mil quilómetros quadrados de área (um pouco mais do tamanho de Portugal.)

Em 167 aC, Antíoco IV invadiu e se apossou do território de Israel. Chamamos Israel para simplificar, pois este território era um conjunto de vários protectorados ou províncias como a Judeia, a Idumeia, a Pereia e outros.

O objectivo do império selêucida era impor a helenização forçada dos judeus. Impor usos e costumes, pela força militar, a uma terra estranha e particularmente aos judeus era algo impensável, pelo que não demorou muito que estes tivessem uma violenta reacção armada. As facções mais conservadoras da sociedade não permitiriam que a helenização imposta pudesse encontrar terreno favorável para a sua semeadura.

Essa reacção violenta teve como consequência a independência da Judeia sob a dinastia dos Asmoneus. (Para uma melhor compreensão, ler os dois livros de Macabeus).

A desestabilização que grassava nestes territórios não passava despercebida a Roma. Assim em 63 aC, Pompeu, general romano, foi enviado para a Judeia, conquistou e anexou este território para o império. Entre os anos de 63 aC e 6 dC foi um protectorado de Roma, como bem conhecemos das Escrituras. Foi nesta época que nasceu o nosso Salvador, Jesus Cristo, possivelmente em 4 aC.

Em 40 aC, Herodes, genro de Hircano II, fora nomeado “rei da Judeia” pelos romanos.

Teve bastante autonomia para governar. Os seus poderes eram quase ilimitados. Foi durante o seu reinado que a Judeia foi invadida pelos partos. Todavia, Herodes obteve grande ajuda das legiões romanas pelo que estes expulsaram os invasores.

Como podemos perceber, esta zona do Médio Oriente nada tinha de pacífica; bem pelo contrário. Quem gostava de bulício só tinha de marcar viagem e seguir até à Judeia para sair da rotina.

Em 37 aC Herodes tornou-se efectivamente rei da Judeia. Conquistou a cidade de Jerusalém. Alterou o país com grandes transformações profundas a nível de estruturas, erigiu cidades e fortalezas e reformou o templo.

Quanto ao seu carácter, nada em abono. Homem extramente ambicioso, não hesitou em assassinar seus familiares, e as crianças abaixo dos 2 anos conforme relatado no Evangelho de Mateus, quando se sentiu ameaçado pelo anúncio de uns magos do Oriente que pretensamente vinham adorar um Rei que havia nascido entre os judeus.

A partir de 6 dC, a Judeia tornou-se uma província romana sob jurisdição parcial do governador da Síria e a administração do território foi entregue a governadores romanos, chamados de prefeitos. Mais tarde foram chamados de procuradores.

No próximo artigo explicaremos o porquê das diferenças destes títulos.

Irmão Tomaz Correia

(Continua)

Bibliografia:

“A Guerra dos Judeus” de Flávio Josefo





À PROCURA DA ÁGUA

O nosso planeta visto do espaço chama a atenção pela grande superfície de água que contém e não pela sua atmosfera ou mesmo pelos continentes.

Na sua busca através do espaço, os astrónomos sempre concentram a sua atenção em procurar possíveis planetas que contenham água. Podem estes corpos celestes possuir todo o tipo de metais, mas é a água o alvo da preocupação científica, pois sabem que existindo este líquido precioso, aí existe possibilidade de vida.

O nosso corpo é composto de setenta por cento de água e o nosso sangue contém oitenta e três por cento da mesma. Porque a nossa essência física tem tamanha percentagem de água, qualquer ser humano só se aguentaria sem beber durante três a cinco dias. Por essa razão, vemos que a água é parte essencial da nossa subsistência e buscamos saciar-nos dela a todo o momento.

No Antigo Testamento, o Senhor prometeu e deu ao Seu povo a terra de Canaã, a qual disse que manava leite e mel, mas em contraste era parca em água; pois era Seu propósito mostrar ao povo que este líquido precioso e necessário à vida seria Ele que lho daria, como atestam as palavras de Moisés, lembrando isso ao povo: “Mas a terra que passais a possuir é terra de montes e de vales; da chuva dos céus beberá a água; terra que o Senhor teu Deus tem cuidado…” (Deuteronómio 11:11-12)

Foi também quando buscava a água preciosa do poço de Jacó, patriarca do povo judeu, que Jesus deixou o Seu maior conselho a respeito de Deus e da forma como o devemos adorar.

No diálogo entre Jesus e a mulher samaritana, Ele mostra-lhe que ela só precisa acreditar Nele para ser uma verdadeira filha de Deus, pois ao fazê-lo receberia do Senhor a Água Viva que se tornaria em manancial na sua vida e na de todos aqueles que O aceitassem como Salvador e Senhor.

Eis o que é dito: És tu maior do que o nosso pai Jacob, que nos deu o poço, bebendo ele próprio dele, e os seus filhos, e o seu gado? Jesus respondeu, e disse-lhe: Qualquer que beber desta água tornará a ter sede; mas aquele que beber da água que eu lhe der nunca terá sede, porque a água que eu lhe der se fará nele uma fonte de água que salte para a vida eterna.” (João 4:12-14)

No entanto, temos de prestar atenção, pois como outrora os filisteus faziam com os poços de Abraão, tapando-os com terra (Génesis 26:15), Satanás tentará fazer o mesmo em volta do nosso “poço” da água da Vida, conspurcando-o e contaminando-o com tudo o que é falso e mundano.

A nossa vida pode, em determinadas ocasiões, parecer um deserto. Mas se dentro de nós existir a verdadeira Água Viva, é só “cavar” um pouco e o manancial ficará de novo a descoberto para bênção e ânimo renovados.

Lembremo-nos sempre: A promessa de Deus para cada um de nós é eterna e por essa razão não está dependente de circunstâncias fortuitas, mas da fé no poder da Sua Palavra, que para nós é a verdadeira Água que salta para a vida eterna.


Irmão Robledo Vazquez

(Obra Social – Refúgio Betânia - Espanha)


LUGAR À POESIA

Vivendo neste tétrico ermitério

onde olho para os lados sem ver nada.

Nesta vazia e lúgubre pousada

parece-me que estou no cemitério.

Pego à noite no círio e com ar sério

deixo o covil e ponho-me à estrada.

Sei onde existe lenha amontoada

que, se tem dono, foi sempre um mistério.

Asso depois qualquer coisa entre as brasas,

as mesmas que me vão tirando o frio

dentro da manta suja e descosida.

Ah! Quantos não terão augustas casas!

E eu aqui neste nefando desvario.

Que escuridão! Que solidão! Que vida!

David Vidal – 2014

(In memoriam)

Nota: Este nosso irmão – David Vidal, já falecido, era um desfavorecido da sorte e vivia na rua, dormindo ao relento. Sempre calado e procurando passar despercebido entre os outros seus iguais, era nosso amigo, ao qual regularmente procurávamos ajudar com refeições e agasalhos. Deixou este mundo como viveu, despercebido. Sempre nos presenteava com um poema, pois bastava dar-lhe um tema e logo a inspiração surgia; este poema deve reflectir o seu estado de alma em algum momento da sua vida.

Leia A Bíblia O Grande Evangelho de João

“A Luz Completa” “Mas, quando vier aquele Espírito de verdade, ele vos guiará em toda a verdade; porque não falará de si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido, e vos anunciará o que há-de vir.” (Evangelho de João 16:13) “Eis a razão, porque agora transmito a Luz Completa, para que ninguém venha a desculpar-se numa argumentação errónea de que Eu, desde a minha presença física nesta terra, não Me tivesse preocupado com a pureza integral de Minha doutrina e de seus aceitadores. Quando voltar novamente, farei uma grande selecção e não aceitarei quem vier escusar-se. Pois todos os que procurarem com seriedade acharão a verdade.” (O Grande Evangelho de João – volume I –)



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