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Novembro 2020


Ano XXVII - Nº 81

81-Ano XXVII-AVB-NOVEMBRO de 2020
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Neste Boletim:



  • Ferramentas Espirituais

  • “Recados do Pai”

  • Excertos d’O Grande Evangelho de João

  • Dádivas do Céu

  • Atravessar a Ponte

  • Um Pouco de História …

  • À Procura da Água




FERRAMENTAS ESPIRITUAIS

O título desta nossa reflexão baseia-se nas palavras que nos foram ditadas pelo Pai. Em qualquer trabalho, principalmente o artesanal, as peças de ferramenta são de grande utilidade e sem elas nenhuma obra pode ser feita com perfeição.

Disse-nos o Senhor:

Dei-vos ferramentas que vós não usais; instrumentos que estão dentro do vosso coração mas que vos são de pouca utilidade.

Sabemos que estes utensílios de trabalho mencionados pelo Senhor não são físicos, mas espirituais.

Então, como devemos usar estas “ferramentas” na divulgação da doutrina de Cristo - o Evangelho.

O livro de Eclesiastes tem diversos conselhos sobre o bom uso das ferramentas e também quanto ao perigo do seu manuseamento negligente. Destacamos dois conselhos que visam o trabalho físico, mas também têm aplicação espiritual.

É dito: “Quem acarretar pedras, será maltratado por elas, e o que rachar lenha expõe-se ao perigo. Se estiver embotado o ferro, e não se afiar o corte, então se devem pôr mais forças; mas a sabedoria é excelente para dirigir.” [1]

Jesus, o divino Mestre, na Sua sabedoria, deu também directrizes aos Seus discípulos no uso das “ferramentas”, bem como sobre o seu comportamento futuro no seu manuseio, pois a tarefa de proclamar a o Evangelho num mundo adverso à verdade é árdua e comporta os seus riscos.

Disse o Senhor: Eis que vos envio como ovelhas ao meio de lobos; portanto sede prudentes como as serpentes e símplices como as pombas. Acautelai-vos, porém, dos homens; porque eles vos entregarão aos sinédrios e vos açoitarão nas suas sinagogas. [2]

Precavidos pela informação do Mestre, vamos procurar seguir o Seu conselho, iniciando o nosso trabalho no preparo de todas as ferramentas que vamos usar; usando o bom senso do trabalhador experiente, antes de iniciar o trabalho, vamos afiar as ferramentas.

Comecemos por enumerar as ferramentas que precisamos para este grande trabalho na Vinha do Senhor:

1 – Primeiramente, temos de nos munir da credencial que nos capacita a exercer a nossa função como divulgadores do Verbo. Esta credencial é o Poder de Deus, pois sem ele não conseguiremos nada que possa perdurar. Essa foi a razão por que Jesus advertiu os Seus discípulos: Eu sou a videira, vós as varas; quem está em mim, e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer.”; “E eis que sobre vós envio a promessa de meu Pai; ficai, porém, na cidade de Jerusalém, até que do alto sejais revestidos de poder. [3]

Ao longo dos séculos, o homem tem procurado substituir esta Escola de Cristo, em que o aprendizado é transmitido por milagre do Alto, por outro tipo de ensino coadunado com o saber mundano – escolas bíblicas, seminários e até escola de profetas.

Embora possa ser proveitoso o ensino sistemático da palavra do Senhor, Ele nunca alterou a forma como chama os Seus mensageiros, nem tão pouco como estes devem falar em Seu nome: Proponde pois em vossos corações não premeditar como haveis de responder; porque eu vos darei boca e sabedoria a que não poderão resistir nem contradizer todos quantos se vos opuserem. [4]

Esta é a norma dada por Jesus, que só funciona naqueles que verdadeiramente estão Nele. Mas muitas vezes a mensagem destes pregadores não é do agrado dos ouvintes; essa é a razão por que substituem as pessoas dotadas da unção de Deus, por outro tipo de mestres, conforme o que foi profetizado por Paulo: “Porque virá tempo em que não sofrerão a sã doutrina; mas, tendo comichão nos ouvidos, amontoarão para si doutores (ou mestres) conforme as suas próprias concupiscências.” [5]

2 – Outras “ferramentas” são a oração, o jejum, as vigílias e outros exercícios espirituais como a meditação; estes meios de graça são a forma de manter em actividade contínua tudo o que aprendemos na “escola especial” em que Jesus é o Mestre e a própria escola, como Ele disse. Não precisamos alongar-nos em explanações, pois Jesus é e será sempre o nosso exemplo: E, levantando-se de manhã muito cedo, fazendo ainda escuro, saiu, e foi para um lugar deserto, e ali orava. [6]

Cremos que todos os Seus discípulos seguiram este princípio, mas é na experiência do apóstolo Paulo que podemos confirmar esta verdade, pois ele ao longo do seu ministério experimentou todas as agruras da luta espiritual, conforme descreve em Efésios 6:12.

Aparentemente este servo de Deus parecia carente de muita coisa material, mas era detentor de bens espirituais riquíssimos, como afirma: “Antes, como ministros de Deus, tornando-nos recomendáveis em tudo: na muita paciência, nas aflições, nas necessidades, nas angústias, nos açoites, nas prisões, nos tumultos, nos trabalhos, nas vigílias, nos jejuns, na pureza, na ciência, na longanimidade, na benignidade, no Espírito Santo, no amor não fingido (…) Como contristados, mas sempre alegres; como pobres, mas enriquecendo a muitos; como nada tendo, e possuindo tudo.” [7]

3 – O ministério de proclamador das Boas Novas é um privilégio de poucos, pois é fruto de uma selecção feita pelo Senhor (João 16:15). Ao sermos escolhidos por Ele somos também expostos perante o mundo para sermos observados, analisados, contraditados e até rejeitados, mas nunca devemos esmorecer na nossa tarefa que se projecta na eternidade. A Escritura diz-nos isso mesmo: “Portanto nós também, pois que estamos rodeados de uma tão grande nuvem de testemunhas, deixemos todo o embaraço, e o pecado, que tão de perto nos rodeia, e corramos com paciência a carreira que nos está proposta.” [8]

Este ministério é confrontado muitas vezes com impedimentos de autoridades do mundo, sejam elas religiosas sejam seculares. Mas se a Verdade está do nosso lado, devemos resistir, considerando sempre que a ordem que recebemos veio de Deus.

Isso aconteceu logo no início da igreja, quando Pedro e João, após a cura de um paralítico, foram proibidos de proclamar a doutrina de Cristo que estava causando alvoroço entre o povo e abalando os alicerces da religião farisaica que se sentia ameaçada. A resposta dos discípulos tem de ser a nossa, pedindo também a Deus, como eles o fizeram, que nos outorgue o Seu poder: “… Julgai vós se é justo, diante de Deus, ouvir-vos antes a vós do que a Deus; porque não podemos deixar de falar do que temos visto e ouvido (…) Agora pois, ó Senhor, olha para as suas ameaças, e concede aos teus servos que falem com toda a ousadia a tua palavra; enquanto estendes a tua mão para curar, e para que se façam sinais e prodígios pelo nome do teu santo Filho Jesus.” [9]

4 – Na maturidade da caminhada em direcção à eternidade com Deus, o servo fiel pode dizer como o apóstolo: “acabei a carreira, guardei a fé” e, pela experiência dele (sempre Paulo), podemos observar como a sua vida em tudo estava totalmente na dependência de Deus, reflectindo uma ligação íntima com o Senhor, pois até nos dois textos que citamos a seguir vemos semelhança.

Eis o que disse Jesus: Eu não posso de mim mesmo fazer coisa alguma; como ouço, assim julgo; e o meu juízo é justo, porque não busco a minha vontade, mas a vontade do Pai que me enviou.E estas são as palavras de Paulo: “E agora, eis que ligado eu pelo espírito, vou para Jerusalém, não sabendo o que lá me há-de acontecer, senão o que o Espírito Santo de cidade em cidade me revela …” [10]

Se conseguirmos manter a nossa vida nesta dependência do Senhor, labutando pela Obra sem esmorecer e mantendo sempre as nossas “ferramentas” de trabalho aparelhadas, podemos estar cientes do agrado do nosso Pai, tal como foi dito na mensagem em análise:

Abri os olhos, olhai à vossa volta, e reconhecei-Me em tudo. O empenhamento é um esforço individual, o trabalho de cada um de vós.

Fraternalmente em Cristo Jesus,

Irmão Egídio Silva

[1] Eclesiastes 10:9-10 [2] Mateus 10:16-17

[3] João 15:5; Lucas 24:49 [4] Lucas 21:14-15 [5] II Timóteo 4:3 [6] Marcos 1:35 [7] II Coríntios 6:4-10 [8] Hebreus 12:1

[9] Actos 4:19,20,29,30 [10] João 5:30; Actos 20:22-23.





RECADOS DO PAI


Dei-vos ferramentas que vós não usais; instrumentos que estão dentro do vosso coração mas que vos são de pouca utilidade.

Pairais à superfície das águas, distraídos, boiando ou nadando, e não mergulhais fundo, onde existe um mundo sereno e belo, desconhecido para vós, que vos daria outra compreensão de Mim, onde ficaríeis a conhecer melhor o alcance do Meu poder.

E porque não o fazeis, a comunhão que deveríeis ter Comigo existe só para uns poucos. Mas Eu quero mais.

Se me conhecêsseis na profundidade das águas, o vosso coração se expandiria. Nasceria em vós um espírito novo que transformaria as vossas vidas; teríeis mais poder e seríeis mais felizes. Passaríeis a ter o desejo espontâneo de estar em comunhão Comigo todos os dias, e a oração e o louvor a Mim brotaria dos vossos lábios naturalmente. Eu dei-vos tudo, mas vós aceitais pouco.

A ligação a Mim fortalece o vosso corpo, alimenta a vossa alma, e o Espírito se deleita. Que mais vos posso dizer se falo continuamente convosco e me manifesto em tudo o que vos rodeia.

Abri os olhos, olhai à vossa volta, e reconhecei-Me em tudo. O empenhamento é um esforço individual, o trabalho de cada um de vós. Eu nada posso forçar, mas olho com pena que não utilizais aquilo que coloquei no vosso coração. Mas vós continuais ocupados com o mundo, não querendo mergulhar na profundidade do conhecimento de Mim e a estar permanentemente em conexão Comigo.

Estais em tempo de transmutação, e continuais passivos. Despertai para Mim e tende a Minha presença em vós. Então vos sobrevirá uma felicidade que o mundo não conhece. Tereis paz no meio da guerra, e serenidade nos momentos de aflição que se avizinham. A vida terá para vós outro sentido. E ligados pelo mesmo amor encontrareis a bem-aventurança que vos prometi.

Mergulhai nas águas, Meus filhos! Mergulhai na profundidade do Meu ser! Vivei em Mim!


Amém.

EXCERTOS D’O GRANDE EVANGELHO DE JOÃO

OS LAVRADORES NA VINHA DO SENHOR

A NATUREZA, DESTINO E EFEITO DAS REVELAÇÕES

«Digo Eu a Lázaro e a todos, pois os demais discípulos compartilham da opinião reaccionária deste: Dar-vos-ei uma parábola como resposta às dúvidas do nosso amigo - Houve um senhor que contratou empregados para a sua vinha. Apresentaram-se de manhã e ele combinou pagar-lhes um dinheiro por dia. Ao chegar ao campo algumas horas mais tarde, encontrou outros, ociosos e disse-lhes: Que fazeis aqui, parados? Ide ao meu campo e dar-vos-ei o que é justo. À tardinha viu ainda outros, desocupados e perguntou-lhes: Por que estais ociosos? Responderam: Ninguém nos contratou. Disse ele: Ide igualmente à vinha e trabalhai esta última hora do dia, que recebereis o que vos couber.

À noite, o proprietário chamou os que trabalharam e entraram cedo, dando-lhes a importância combinada. Assim pagou o mesmo valor aos que trabalharam a metade do dia, e aos que somente se esforçaram durante uma hora.

Eis que os primeiros reclamaram por terem recebido a mesma importância dos que trabalharam apenas meio-dia. E ele respondeu: Que vos importa eu ser bom e misericordioso? Acaso sou injusto por ter pago aos últimos tanto quanto a vós? Não combinamos uma moeda? Vós mesmos não exigistes mais. Acaso não sou dono da minha fortuna para aplicá-la como quero? Sem mais argumentos, eles se deram por satisfeitos com o seu pagamento.

Afirmo-vos fazer o mesmo, o Meu Pai que está em Mim; os últimos serão os primeiros, e os primeiros serão os últimos.

A vinha são as criaturas desta Terra que, quais videiras, devem ser trabalhadas. Não têm contrato firmado Comigo e existem apenas para produzir bons frutos para Deus, o Senhor.

As almas de todos os profetas – assim como as vossas – não se originam desta Terra e sim, são trabalhadores contratados no Alto, tendo firmado contrato Comigo para a conquista da filiação divina, apenas possível nesta Terra.

Todos os grandes profetas desde o início até agora – incluindo-vos entre eles – que receberam uma grande revelação, representam os primeiros trabalhadores na vinha do Senhor.

Os pequenos profetas, incumbidos da metade da tarefa – a manutenção da revelação dada – são os que vos seguirão em Meu nome; trarão igualmente pequenas revelações de onde profetizarão; porém, não possuem aquela força e poder que Eu vos transmito agora. Receberão o mesmo prémio, porque a sua fé tem de ser mais forte; não recebendo o que ora vedes e ouvis, a sua fé espontânea tem que lhes ser levada em conta a um mérito maior. Quando receberem o mesmo que vós, considerai terem tido maior dificuldade para crer, o que ora ocorre para salvação de todas as criaturas, pois não foram testemunhas como vós de todos os Meus feitos.

Finalmente serão em épocas futuras inspirados e admitidos outros profetas, bem próximo do grande julgamento, com a tarefa cansativa e pesada de purificar a deturpada doutrina, a fim de que seja conservada e não repelida pela Humanidade mais inteligente, como se fora uma antiga mistificação sacerdotal. Este terceiro grupo de trabalhadores na Minha seara não agirá com grandes milagres, mas apenas pela palavra e a escrita verdadeira, sem receberem outra especial revelação, a não ser pelo Verbo interno e vivo no sentimento e pensamento. Serão plenos de fé lúcida e racional, erguendo deste modo, sem provas, as videiras humanas ressequidas da vinha do Senhor e receberão de Mim o mesmo prémio que vós, trabalhadores do dia inteiro; pois terão muito mais dificuldade em crer firmemente naquilo que há mais de mil anos aqui sucedeu.

Se, portanto, as grandes revelações distam muito entre si, Deus sempre cuida em despertar novos profetas, tão logo os ensinamentos comecem a ser vilipendiados, e isto de modo tal a impedir qualquer coacção do livre arbítrio.

Quando posteriormente o mundo tiver desviado as criaturas da rota espiritual, só resta tomar medidas para uma grande revelação, que naturalmente é seguida de julgamento. Enquanto não puseres a madeira seca no fogo, não se incendiará; isto será feito pelo fogo. E vê, aquilo que o fogo representa para a madeira é a revelação para o homem. Compreendeste?»


OS PROFETAS COMO PORTADORES DAS REVELAÇÕES

«Diz Lázaro: Sim, entendo-o bem; tenho, todavia, uma dúvida, difícil de dissipar. Acaso todas as criaturas que recebem directamente uma grande revelação devem ser consideradas vítimas do julgamento, ou somente as que compartilham pela fé recebem as bênçãos da mesma?

Os transmissores de uma revelação já se encontram em grande desvantagem, pois que desde a sua origem são de índole mais pura, para se capacitarem como recebedores e interpretadores de um ensino do Alto; pois as criaturas materialistas jamais compreenderiam tal graça.

Respondo: Por que pensas que se devem considerar atingidos pelo julgamento os transmissores da grande revelação? Não duvidarás Eu saber a quem escolher para tal fim, para que não seja prejudicado?

Moisés foi portador da grande revelação; entretanto, muitos havia que dela somente participavam de modo indirecto, e no final estavam mais firmes na fé do que ele, receoso da Minha promessa em dar aos israelitas a Terra Prometida, onde fluía leite e mel. Justamente devido à sua dúvida, o profeta só pôde vê-la de longe, mas não chegou até lá.

Isto é a prova mais que evidente de que profeta algum era coagido, e a partir de agora o será ainda menos, e sim, a sua liberdade de crença e acção será completa, proporcionando plena felicidade; o facto de alguém transmitir uma revelação não o torna feliz, mas somente a sua convicção e maneira de viver.

O mesmo acontece convosco. Através das Minhas acções sois muito mais levados a crer ser Eu o Cristo e as Minhas palavras divinas, do que aqueles a quem ireis passar o Evangelho verbalmente; em compensação, sereis acometidos de grandes dúvidas, recebendo oportunidade para fortificar a vossa fé. Pois quando o Pastor for abatido, as ovelhas fugirão e se dispersarão. Porém, no tempo oportuno, Eu as reunirei e fortificarei a sua fé. Deste modo, nenhum transmissor de revelação é atingido pelo julgamento. Primeiro, é tal pessoa do Alto e não há missão constrangedora (…) tornando-a mais firme e sólida do que uma alma concatenada dos elementos terrestres. Segundo, enfrenta uma alma missionária provas de fé muito mais difíceis que uma alma da Terra, de fé simples. Esta se satisfaz com o Verbo e dispensa as provas. As almas do Alto necessitam mais, por serem dificilmente convencidas e precisam de provas fortes, até que a sua fé se complete e aja.

Se Me dirigisse à Pérsia, Índia, Grécia ou Roma e desse lá provas como as dadas perante vós, ninguém se atreveria a agir contra a Minha determinação. Tais almas materialistas ficariam completamente tolhidas, anulando a oportunidade do seu livre-arbítrio. Vós não sois prejudicados por tais meios, por não serdes de fé fácil; é preciso efectuar muitos milagres para vos levar à convicção e, ainda assim, sois tomados de dúvidas e insistentes inquirições. Quem age deste modo é livre em sua fé; pois exige compreender e assimilar o que acredita, e enquanto isto não se der, não crê.

Prova disto é Eu ter que explicar e exemplificar os Meus ensinamentos. Sabeis quem sou e poderíeis acreditar em Mim sem maiores elucidações; entretanto, não o fazeis e já demonstrastes, por diversas vezes, não terdes crido em Mim, em virtude de um ensino oculto, dizendo-Me abertamente ser dura a Minha doutrina. Não faz sete dias que abandonastes a Minha pessoa, pelo motivo acima.

Isto prova serem as vossas almas mais fortes do que as dos filhos deste mundo. Sempre haverá pessoas como vós, e Eu irei inspirá-las, dando-lhes – como a vós – a voz interna do espírito. Ensinarão os filhos do mundo, deixando a sua vontade inteiramente livre.

Os doutrinadores, porém, não devem julgar-se mais importantes do que os outros; pois para Mim prevalecerá sempre: Deixai vir a Mim os pequeninos e não os impeçais disto. Quem não se tornar semelhante a eles, não entrará no Meu Reino; pois pertence a eles e foi feito por sua causa. Quem for sábio e, por isso, doutrinador de todo o coração, humilde e meigo, estará lá, onde Eu estarei como verdadeiro Pai entre os Meus filhos, de eternidades em eternidades.»


EXISTEM DUAS ESPÉCIES DE CRIATURAS NA TERRA ENSINOS E MILAGRES E OS SEUS EFEITOS DIVERSOS

«Somente Lázaro se faz ouvir: Senhor e Mestre, acaso também sou do Alto?

(…) Vê, se não fosses do Alto, não serias capaz de pensamentos desta ordem, e Eu não teria agido aos teus olhos como fiz, para poupar o teu livre-arbítrio. Os que moram lá em baixo não são do Alto, e sim desta Terra, motivo por que não posso agir como fiz diante de ti e dos demais. Podem ouvir somente os comentários; pois os milagres os aniquilariam. Assim, devem deglutir apenas o Meu discurso.

Receberão, entretanto, uma prova idêntica à do profeta Jonas; assim como ele ficou três dias no ventre do grande peixe e em seguida foi posto na margem com vida, também ficarei durante três dias na sepultura, a fim de ressuscitar para o pavor e o julgamento dos templários.

Lembrai-vos bem: os filhos desta Terra só podem ser conquistados para o Meu Reino, através de palavras de vida. Pois a maioria – quando não for viciada por provas falsas – é de fé fácil, inteligente e pode ser convencida à verdade por uma doutrinação equilibrada. Milagres importantes tolheriam a sua razão e vontade. Sabes agora de onde és?