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Novembro 2021


93-Ano XXVIII-AVB-NOVEMBRO de 2021
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Ano XXVIII - Nº 93


Neste Boletim:



  • O Filho Pródigo

  • Dádivas do Céu

  • Excertos d’O Grande Evangelho de João

  • Um Pouco de História…





Disse Jesus:

Está escrito nos profetas:

Todos serão instruídos por Deus. Todo aquele que ouviu e aprendeu

do Pai vem a Mim.

(Evangelho de João 6:45)




FILHO PRÓDIGO


Os textos seleccionados para este boletim giram à volta do Filho Perdido, ou como é denominado ma Escritura – O Filho Pródigo; este acontecimento real de projecção eterna é-nos apresentado por Jesus como uma parábola, mostrando primeiramente a rebeldia, seguida da ponderação, através do amadurecimento pelas lutas e finalmente o arrependimento e desejo de reconciliação com Deus.

Sempre foi propósito do Senhor ter filhos obedientes, gozando todo o bem que Ele colocou à sua disposição, mas em total liberdade de escolha.

Na parábola, está subjacente a atitude do chamado filho pródigo, tal como foi contada por Jesus (Lucas 15:11-32) e sobejamente conhecida; por tal razão achamos desnecessário fazer qualquer citação bíblica.

Para analisarmos o nosso comportamento perante as dádivas de Deus, e como as desprezamos através das nossas escolhas erradas, é necessário lembrar algo que aconteceu no passado longínquo.

Tudo remonta aos primórdios da Criação, quando Lúcifer, usando o seu poder imenso outorgado por Deus, rebelou-se, querendo seguir um caminho próprio. A Escritura é parca na descrição do conflito havido entre Deus e Lúcifer (“portador da luz”); no entanto, podemos deduzir algo do acontecido em dois textos da Bíblia – Isaías 14:4-20; Ezequiel 28:11-19. Mas é n’A Nova Revelação Viva que mais pormenores nos são revelados sobre este conflito, e estão descritos nos textos citados neste boletim.

Mais tarde, quando Deus cria Adão e o coloca no jardim do Éden, usufruindo com sua esposa Eva todo o bem que o Senhor lhes proporcionava, notamos como o pecado praticado por Lúcifer está bem presente na atitude desobediente deste casal. Grande foi o sofrimento causado a Deus, quando Adão errou o objectivo que o seu Criador tinha para ele.

Desçamos agora até ao nosso mundo, ao nosso dia-a-dia, e vejamos como infelizmente somos iguais, no nosso comportamento perante Deus.

Em determinada revelação, o Senhor aclarou este ponto, usando estas palavras sobre o crescimento de um filho: “A certa altura do seu crescimento, o filho começou a revelar-se aquilo que o pai nunca esperaria dele, pois entrou em caminhos obscuros.Esta rebeldia em cada um de nós, só acontece porque a Sua Palavra deixou de guiar os nosso passos e o temor do Senhor começou a afrouxar.

Existe desde sempre uma ordem a que o Pai chama “Ordem Divina” que deveríamos respeitar; esta ordem está em tudo: na disciplina do tempo, na escolha dos alimentos, no trato que damos ao nosso corpo e em tantas outras opções que fazemos na vida.

Conhecendo a nossa índole, o Pai sempre nos atrai para o caminho direito, que inicialmente delineou para nós, usando de toda a delicadeza, pois não é Seu desejo que ninguém se perca. Ele espera sempre que haja da nossa parte um arrependimento sincero. Diz a Escritura: Por isso o Senhor esperará, para ter misericórdia de vós, e por isso será exalçado, para se compadecer de vós, porque o Senhor é um Deus de equidade; bem-aventurados todos os que nele esperam. [1]

Esta espera da parte de Deus não é passiva, mas bastante activa em nossas vidas; pois como qualquer pai humano, Ele deseja chamar a atenção do filho e nem sempre os Seus alertas são agradáveis quando deixamos de ouvir a Sua Voz delicada. Daí a razão para o castigo, que é perfeitamente aceitável: Então o pai começou a corrigir o seu filho, castigando-o e retirando-lhe as coisas de que ele tanto gostava.

Esta é a forma de disciplina usada por qualquer pai para corrigir o seu filho ainda criança, retirar-lhe o brinquedo de que ele tanto gosta. Mas para nós que já não somos crianças espirituais e sim adultos no conhecimento de Deus, o “brinquedo” que nos é retirado é por demais sério.

Vejamos dois exemplos: Se o nosso afastamento de Deus é motivado pelos negócios, o Senhor pode levar a que haja uma falência e aí, nós, angustiados clamamos a Deus; se em outra situação o nosso afastamento de Deus é motivado por uma vida mundana, Ele, porque nos ama, poderá dar-nos uma enfermidade que limite os nossos movimentos. São muitas as situações que poderíamos enumerar, mas estas chegam para nos lembrar que o Senhor está atento. O salmista, trazendo para o seu cântico a própria experiência diz: Foi-me bom ter sido afligido, para que aprendesse os teus estatutos. (...) Bem sei eu, ó Senhor, que os teus juízos são justos, e que em tua fidelidade me afligiste. [2]

No âmbito da caridade são muitas as tarefas que o nosso Pai tem para nos entregar e para cuja execução Ele mesmo deu directrizes precisas. Mas o nosso comportamento voluntarioso e, em muitas circunstâncias, de trato difícil, tem levado o Senhor a usar de alguma cautela em nos chamar integralmente para o Seu serviço.

Algo tem de mudar em nós, e essa mudança forçosamente tem de acontecer após a correcção de erros que mais não são que desobediências à Sua Ordem. Daí, a necessidade de nos levar a uma vivência do Verbo de Deus, não de forma intelectual, mas através do verdadeiro Amor a Deus e ao próximo na acção.

Tal como o filho pródigo, temos de nos aproximar da casa do Pai reconhecendo as nossas falhas, pois só ali encontramos o verdadeiro aconchego e a “paz que excede todo o entendimento”, como Jesus disse. Se da nossa parte existir esse desejo sincero, Ele virá também ao nosso encontro: Achegai-vos a Mim e eu Me achegarei a vós.

Desta forma começaremos a valorizar a nossa posição de filhos de Deus, reconhecendo o nosso grande privilégio em detrimento dos chamados filhos dos homens; não que Deus faça acepção de pessoas, mas porque Ele sempre honra aqueles que voluntariamente desejam sujeitar-se à Sua Palavra.

Considerando estes dois tipos de pessoas, lembramos o que nos é dito sobre a diferença existente entre elas. Estes dois tipos de vidas - filhos de Deus e filhos dos homens - habitam em patamares bem diferenciados.

No passado, os filhos de Deus, descendentes de Sete, terceiro filho de Adão, habitavam nas montanhas e tinham uma vida simples, sadia e gozavam de grande longevidade; além desta bênção podiam dialogar com Deus, mantendo uma comunhão íntima com Ele (Génesis 5:1-32). Os outros, descendentes de Caim, chamados filhos dos homens, habitavam nas planícies, guerreavam-se, adoeciam e viviam pouco tempo; e a sua comunhão com o Criador era abafada pelo ruído do mundo que forjaram para si (Génesis 4:16-26). Poderíamos dizer: uns habitavam no Alto e outros habitavam rente ao chão.

Precisamente sobre estes dois patamares espirituais, o Pai numa revelação que nos transmitiu disse: Olhai: há duas videiras, uma deu uvas amargas e outra deu uvas doces; regai aquela que quereis ter.

Qual a videira que desejamos guardar para nós, mantendo-a viçosa e frutífera: aquela que nos pode levar à eternidade com Deus, ou a outra, que só nos causa problemas e nos afasta Dele?

Creio que a resposta não é difícil de dar; o difícil é perseverar na escolha sem desfalecer.

Que não haja em nenhum de nós receio de enfrentar o desafio, pois o nosso Deus nos dá a garantia de nunca faltar com a Sua ajuda, como atesta a Escritura: “Sejam os vossos costumes sem avareza, contentando-vos com o que tendes; porque ele disse: Não te deixarei, nem te desampararei. E assim com confiança ousemos dizer: O Senhor é o meu ajudador, e não temerei o que me possa fazer o homem.” [3]


Fraternalmente em Cristo.



Irmão Egídio Silva




[1] Isaías 30:18 [2] Salmos 119:71,75 [3] Hebreus 13:5.6.

DÁDIVAS DO CÉU




O FILHO PERDIDO


«Vós lestes no Meu Livro (Evangelho de Lucas: 15:11-32) a história do filho perdido, e tenho a certeza de que a lestes várias vezes na vossa vida. Eu afirmo-vos que não existe nada mais elevado, nada mais maravilhoso em todos os capítulos – sim, mesmo em todos os versículos do Livro Sagrado – do que a parábola do filho perdido.

Mas também sei que não existe nada tão difícil para vós, do que entendê-la correctamente. E isto por um motivo de grande importância e que agora deveis conhecer, pois é uma chave para a visão espiritual.

O motivo é o seguinte: Muitas vezes Eu vos falo, por intermédio do Meu Amor, coisas importantes e elevadas da Minha Sabedoria. Outras vezes, à luz da Sabedoria, Eu vos falo coisas do Meu Amor que parecem insignificantes. Prestai atenção, pois no primeiro caso só vos é dado o que conseguis suportar na vossa individualidade. No segundo caso vos são dados infinitos encobertos, porém nem sempre entendidos pelos finitos em evolução espiritual.

Vede, uma dádiva assim “tão insignificante” é a parábola do filho perdido. Sim, Eu vos digo que se soubésseis tudo o que existe neste "filho perdido", arcanjos viriam ter aulas convosco.

Eu já vos mostrei muitas coisas que estão acontecendo na actualidade na Terra, e podeis estar certos que Eu calei as maiores barbaridades. Eu vos mostrei o grande desprezo às leis e mandamentos em geral. Eu mostrei-vos as loucuras na Ásia, como também a barbárie na África e as atrocidades na América; claro só uma pequena parte das mesmas. Eu vos mostrei o tratamento dado aos criminosos, especialmente nas costas da Austrália. Eu também vos mostrei um país muito maltratado, a Sul, como este país era e como está sendo tratado na sua maior parte. Mas Eu tenho que chamar a vossa atenção com respeito a este país. Para este país, Eu tenho que chamar a vossa atenção. Quero que observeis este país com muito mais atenção, especialmente o que foi dito sobre ele. Em segundo lugar, quero que não tomeis o que foi dito sobre este país ao pé da letra, e a razão disto vos será dita a seguir. Também vos mostrei a situação tirânica em que se encontram alguns países-ilha, especialmente o Japão, e fiz referência a um país nórdico: a Rússia.

Eis como se encontram os assuntos no mundo. Isto não vos foi dito por Mim somente para que vísseis o que acontece no mundo. Pois isto e muitas coisas piores podereis ler e ouvir no futuro. A razão de Eu vos mostrar isto é para que consigais entender um pouco melhor o segredo do "filho perdido", para o vosso crescimento espiritual.

Vós estais a pensar: "O que tem o filho perdido a ver com a maldade do mundo?" E estais cheios de curiosidade para conseguir encaixar este "filho perdido" correctamente neste labirinto do mundo. Mas Eu vos digo: É mais difícil compreendê-lo, do que a passagem do camelo por uma agulha.

(…) Considerai que a maioria dos seres humanos são membros deste "filho perdido" e também o são todos aqueles que descendem da linhagem não abençoada de Adão (linhagem de Caim). Vê, estes homens dispersaram a fortuna a qual tinham direito por eras – para vossa compreensão, praticamente eternas e infinitas.

Pela parábola do filho perdido sabeis de sobejo como termina a sua história. Observai bem os acontecimentos do mundo e vereis o resultado final: Um destino final – claro que bem maior – mas igual ao do filho perdido.

O que dizeis a um doente cujos pés estão gelados e que tem gotas de suor frio na sua testa? Não é necessário ter conhecimentos médicos para profetizar: “Só mais algumas pulsações este pobre coitado ainda tem de aguentar”.

Em primeiro lugar, tocai os pés do "filho do perdido", no sul da Terra. Em segundo lugar, tocai a sua cabeça, no grande reino nórdico. Logo a seguir, colocai a vossa mão sobre o cansado coração religioso. Em verdade deveis ser mais cegos que o centro da Terra, se ainda tiverdes dúvida sobre o momento que está para acontecer.

Mas agora vai acontecer com a alma do filho perdido o que Eu vos ensinei sobre as almas dos que possuem visões. A sua grande miséria agora estende-se em amplas vibrações, e estas alcançam a casa paterna. E as vibrações amorosas começam a interagir com as vibrações cheias de medo. Eis a miséria do filho perdido.

A alma do filho perdido recebe estas vibrações calorosas, cheias de amor, que vêm da Casa do Grande Pai. Ela recebe estas vibrações Divinas, enche-se de coragem e volta para a sua casa apodrecida, elevando-a eternamente. Depois, repletoa de humildade e anulando totalmente a sua personalidade, retorna à casa paterna.

Mas o que acontece lá? Vede, os andrajos são-lhe tirados e queimados, pois somente o filho será recebido em casa.

Vede, agora tendes a totalidade do segredo do número da humanidade, profetizado e revelado diante dos vossos olhos. Se observardes na situação actual e nos acontecimentos que estão à vossa volta, deveis estar mortos se não perceberdes as vibrações misericordiosas e Divinas que estão a fluir sobre vós vindas da Santa Casa do Pai.

Vós também sois membros do filho perdido! Estendei a vossa alma ao máximo e deixai que o vosso espírito seja despertado na vossa alma. E, tal como fez o filho perdido, voltai com toda a vossa humildade ao Reino da Casa do Vosso Amado Pai. Em verdade, Eu vos digo: Ele virá ao vosso encontro na metade do caminho!

Vede, a época da Minha Misericórdia já está bem próxima, e é por isto que Eu vos dei o que necessitais, para reconhecerdes que esta época gloriosa está aqui, aquela época cantada pelos profetas, sim, aquela época predita pela Minha própria boca.

Por isso esperai só mais um pouco e alegrai-vos, com grande confiança e esperança. Pois em verdade a grande casa paterna aproximou-se de vós, muito mais do que conseguis imaginar.

Como reconhecer o filho perdido e todos estes sinais dos tempos, como é possível encontrar o "filho perdido" em cada pessoa, como o "homem grande" consegue ser vencido pelo “pequeno”? Isto, Meus queridos filhos, só vos será dito na hora derradeira. Amém.»




(Texto revelado a Jakob Lorber em 23 de Março de 1841)




***


EXCERTOS D’O GRANDE EVANGELHO DE JOÃO




A VOLTA DO FILHO PERDIDO


«A este Meu conselho, Cirénius indaga a respeito de Satanás, o seu fim e se era possível cogitar sobre a sua volta à Casa do Pai.

Eu dou-lhe a resposta audível no seu coração: “Todos os acontecimentos têm o seguinte objectivo: procurar aquele que se perdeu e oferecer remédio ao enfermo, considerando sempre a sua livre vontade; impedi-lo em seu livre arbítrio seria transformar a infinita Criação material e todos os seus elementos em pedra duríssima, incapaz de sentir a menor vibração de vida.

(…) Quando, porém, todos os planetas e sóis se tiverem transformado, nada mais sobrará “daquele”, a não ser o seu puro “eu” que, no completo abandono em épocas vindouras, se prontificará para a volta, caso não queira ser entregue ao eterno definhamento. Então não mais haverá Sol nem terras materiais, girando no espaço infinito, e sim, uma Nova e Maravilhosa Criação Espiritual, com seres felizes e livres, que preencherá o infinito e Eu serei o Deus e Pai de todos os seres, por toda a Eternidade. Haverá então um rebanho, um aprisco e um Pastor.

Porém, esta época jamais poderá ser determinada. Mesmo se Eu te desse a era precisa não a poderias assimilar, porquanto não te seria possível somar os anos, contando os grãos de areia do mar e da Terra, as ervas em todos os campos e matas, as gotas do mar, dos lagos e dos rios, das cascatas e fontes – a fim de determinar o tempo da salvação definitiva.

Por isso, satisfaz-te com o seguinte: Trata, antes de mais nada, da conquista do Reino de Deus e da Sua verdadeira justiça, que serás despertado por Mim após a tua morte para a vida eterna, e naquele Reino dos espíritos puros, mil anos passarão como se fora um dia.

E lá, Meu amigo, no Meu Reino cheio das maiores bem-aventuranças, com facilidade aguardarás aquilo que aqui te parece eterno. Por ora, nem tu nem um dos Meus discípulos podereis ser doutrinados em toda a Sabedoria dos Céus – somente depois, quando fordes baptizados, daqui a alguns anos, pelo Espírito Santo de Deus. Ele vos conduzirá a toda a Sabedoria Divina e verás então, numa Luz Completa, tudo aquilo que ora te parece tão incompreensível. Guarda o que te revelei, pois deverá ser segredo ainda por muito tempo.”

Cirénius assusta-se muito e diz, após alguma reflexão: Sem dúvida ouvi a Tua Palavra no coração; mas é preciso que a advertência final deva ser considerada tão rigorosamente? Não seria possível transmitir algo a pessoas honestas e devotas?

Digo Eu: Meu amigo, este conhecimento não prejudica quando é assimilado pela voz do espírito, como tu o acabaste de fazer, mas externamente recebido, seria de grande dano. Como e porquê – já te falaram os Meus anjos, portanto deixemos este assunto. Temos outras coisas que resolver para já, enquanto a tua pergunta toca a Eternidade.»



SOBRE A FEITIÇARIA


« (…) Digo-vos o seguinte: Amaldiçoado seja o feiticeiro! Jamais conseguiu uma boa acção pelo seu feitiço. Sempre prevalece a ganância e o domínio desmedidos, e estes espíritos receberão no inferno o seu prémio humilhante.

Diz Fausto: Senhor, não prevejo nada de bom para os muitos feiticeiros e magos no vasto Império Romano. Pois esta gente é lá considerada com honrarias divinas e consegue, com uma palavra, paralisar a vontade do imperador ou de um herói, e em caso contrário, animá-los de tal forma que as montanhas estremecem diante dos seus actos.

Digo Eu: Meu amigo, estes magos de atitudes semidivinas não passarão bem; sabem que traem torpemente os incautos, pois vendem o “nada” por muito dinheiro, induzindo as pessoas a perversidades horrendas. São verdadeiros criadores do mal, para a perdição do próximo.

Perguntam vários romanos, presentes: Não poderão alcançar a bem-aventurança eterna, caso melhorem?

Respondo: Como não? Mas a lástima é que estas pessoas pouco se prestam para a regeneração. Facilmente podeis converter assassinos, ladrões, salteadores, adúlteros e outros; um imperador ou um rei também se poderão desfazer das suas coroas; mas um mago não se separa da sua vara. Os seus asseclas invisíveis não o permitem e o dominam quando os desejam abandonar.

Por isso, repito: Amaldiçoada seja a feitiçaria! Pois por ela os pecados vieram ao mundo. Quem desejar fazer milagres terá que receber o poder de Deus; e só deverá fazê-lo onde exista necessidade premente. Quem agir por mistificações através de rimas e sinais não mais necessita ser amaldiçoado, pois já o é pela sua vontade. Por isso, preservai-vos da magia, como da predição, e outros males, pois muito prejudicam o espírito.

Quase todos se assustam com as Minhas Palavras e indagam se também não mais deviam guiar-se pelos prenúncios dos tempos, aprovados pela experiência.

Digo Eu: Sim, mas apenas quando se baseiam em cálculos científicos. Não o sendo, torna-se isto um pecado, pois que a criatura aceita uma segunda crença que enfraquece a fé pura na Providência Divina, e finalmente, liga mais às manifestações da Natureza do que ao Deus Único e Verdadeiro.

Quem permanecer na fé inabalável e pura poderá pedir, porque receberá, ainda mesmo que as experiências atmosféricas provem o contrário; entretanto, aquele que se fia nos sinais terá as provas de acordo. Os fariseus também acreditam neles e se deixam pagar para explicá-los; por isso, serão amaldiçoados!

Não fez Deus tudo o que servisse de prova para o homem? Portanto, será o Senhor, o Guia sobre tudo! Se Ele assim fez, como poderiam as coisas e os sinais determinar algo sem Ele? Por isso deve o homem pedir a Deus que tudo pode, independentemente dos sinais. Não é isto mais confortador que milhares de explanações místicas?

Dizem todos na Minha mesa: Senhor, isto é certo e verdadeiro. Porém, se fosse da Tua vontade que todo o mundo assim pensasse e agisse, em pouco tempo tudo se modificaria. Nós, que Te rodeamos, não temos dificuldade para tanto, pois que és a Base de todo o ser e vida. Mas isto não se dá com milhões de criaturas não possuidoras desta imensa graça da Tua Presença, tão pouco podem ouvir de Ti as Palavras de Vida. Certo é que também almejam vislumbrar Aquele de quem a Criação dá testemunho tão evidente. Mas esta graça não lhes é satisfeita. Portanto, é fácil compreender-se que os feitiços e as magias os atraem, pois oferecem-lhes algo, embora falso, que não deixa de ter aparência divina.»



FEITICEIROS E ADIVINHOS


«Eis que Cirénius toma de novo a palavra e diz, seriamente: Senhor, ninguém pode contestar a Tua Divindade; mas confesso que, nesta explicação sobre feiticeiros e adivinhos, nada senti da Tua tão conhecida Misericórdia e do Teu Amor. Nestas condições tudo depende de Ti, pois Tu Mesmo aplicas golpes fortes ao homem, que muito o magoam; mas ai dele, quando começa a gemer! Não sei se isto também é justo. As criaturas deste mundo são, na maioria, cegas e tolas, e como tal, pervertidas. Pergunto, onde está a culpa e como surgiu o mal? Assim como ora pergunto, milhares de romanos o farão.

Não é admissível que o homem surgisse das Tuas mãos com más tendências, tão pouco como uma criança possa nascer como demónio. Portanto, se o primeiro homem foi bom, como podiam tornar-se maus o segundo e o terceiro? Foi isto da Tua Vontade, ou daquele que o gerou? Tudo o que aconteceu estava dentro da Tua Sabedoria? Por que então, a maldição daqueles que realmente salvaram a Humanidade do desespero, pois que Tu não Te mostravas com a sua súplica. Por isto peço-Te, sê justo e não inclemente; a criatura não tem armas contra o seu Criador, e só pode pedir, sofrer e desesperar-se.

Digo Eu: Amigo Cirénius, já esqueceste tudo aquilo que ouviste, tanto de Mim, quanto dos dois anjos? Acaso disse que Eu Mesmo julgava tais pessoas? Há poucos dias tencionavas mandar castigar os fariseus, pela razão de quererem apedrejar-Me, e Eu te impedi. Agora pareces querer tomar o partido deles. Talvez entendas melhor proporcionar meios adequados, pelos quais os homens consigam a filiação Divina, quando o quiserem? Vês como ainda és fraco? Acaso és tão entendido na História da Humanidade que Me repreendas, por ter Eu, somente agora, dirigido a Minha atenção aos rogos dos homens?

Não viveram as primeiras criaturas na Minha Presença constante? Quem foi o sumo pontífice Melquisedeque, que viveu como um justo Rei dos Reis, em Salém, desde Noé até Moisés? Quem foi o Espírito na Arca? E como este Me penetrasse, pergunto: Quem Sou Eu?

Os clamadores desejavam-Me atrair das estrelas, porquanto Eu lhes era mui simples e pouco divino, não querendo brilhar como os astros.

Aquilo que acaba de te agitar está errado, e Satanás, percebendo que trazes o segredo dele dentro de ti, deitou-te uma armadilha, e já tencionavas discutir Comigo. Reflecte se te assiste direito naquilo que falaste?

Poderia Eu, algum dia, ser injusto e inclemente? Sou por acaso injusto em oferecer-te o ouro verdadeiro, ao invés do falso? Ou deveria deixar-vos na velha e inútil superstição? Não teria Eu, o Senhor, maior direito para aniquilar os perversos fariseus do que tu? Acaso os julguei? Vê, quão curta é tua a visão? Penso, Meu amigo, que tudo aquilo que viste e ouviste deveria proporcionar-te maior lucidez.

Cirénius, arrependido, pede que lhe perdoe, assim como todos os presentes, pois reconhecem o seu erro.

Eu os conforto, dizendo: Ainda passareis por muitas experiências semelhantes; mas então, não esqueçais este acontecimento e a lição que acabais de receber. Caso contrário, podeis cair em piores tentações e de nada vos adiantariam o Meu convívio e as Minhas palavras; pois neste caso sereis vítimas do mundo, compartilhando com os que acabais de mencionar: Procuraram e chamaram por Mim e Eu, a fim de os poder condenar, ofereci-lhes magos e adivinhos?

Todos Me pedem de novo perdão, e Eu os abençoo.»


(O Grande Evangelho de João – II – 63,65,66)







UM POUCO DE HISTÓRIA



A DESTRUIÇÃO DE LIVROS


Desde que o mundo conheceu a escrita, sempre existiu quem fosse seu opositor. O que era uma bênção para uns, era uma maldição para outros.

Quem não seguisse os padrões formatados de cada época era aconselhado a não escrever nesses moldes, e muitas vezes via os seus escritos destruídos.

Ao longo dos séculos, muitos milhões de livros foram destruídos pelo fogo, queimados em piras e não só. E quando falo em destruídos pelo fogo, quero dizer que foram queimados deliberadamente pelo homem, para que não ficasse nenhuma remanescência escrita das ideias de quem os escreveu.

E muitos desses livros eram únicos, pelo que não ficou um só exemplar. Sabemos que existiam, pois, foram comentados por outros autores cujas obras tiveram melhor sorte. Obras famosas que se perderam. É impossível quantificar o número de livros destruídos, tal foi o seu número.

Mas não se pense que estas destruições em massa foram feitas na Idade Média (Era das Trevas), pela Inquisição ou afins. Estas destruições em massa foram efectuadas em todas as épocas, desde as mais obscuras até às mais lúcidas e cultas.

É claro que muitos livros foram destruídos por catástrofes naturais. Bibliotecas inteiras foram devastadas por intempéries e desastres naturais, não havendo por isso intervenção humana.

Todavia, o homem é o responsável pela destruição de um número incalculável de livros.

Durante as guerras que ocorreram no mundo muitas bibliotecas públicas e privadas foram destruídas pelos invasores. Na 2.ª Guerra Mundial, quer os nazis, quer os aliados, não foram nada meigos no que diz respeito à destruição de milhões de obras, muitas delas únicas.

Aquando da invasão do Iraque pelos Estados Unidos da América, em 1991, muitas instituições iraquianas (Banco Central, Museus, Bibliotecas e outros), foram destruídas deliberadamente pelos soldados invasores. Muitos pela sua ignorância, outros por ganância. Muitos livros antigos e peças arqueológicas com milhares de anos e de valor incalculável apareceram em colecções particulares nos EUA. Como é que foi possível? Os objectos não têm vida própria!

Contudo, saíram do Iraque e foram levados para a Europa e EUA por redes/associações criminosas. E o exército nada fez que para que este êxodo parasse. Bem pelo contrário.

A Inquisição (de má memória) procedeu à queima de um sem número de livros. Todos aqueles que não fossem de acordo com o catecismo ou pensamento da igreja eram pura e simplesmente destruídos, muitas vezes com os autores dos mesmos. Os autos de fé não eram só de pessoas. Eram também de livros.

Desde a época medieval que a igreja Católica aprovou a destruição de livros que considerava que continham heresias. Foi o chamado Index. Os livros que entravam nesta lista não podiam ser publicados e muito menos lidos. Se tal acontecesse, os infractores chegavam a pagar com a própria vida a sua ousadia.

A única parte positiva desta política foi de que pelo menos salvaram algumas dessas obras e hoje temos o conhecimento da sua existência.

Na tentativa de evitar que os livros fossem censurados pelo Santo Ofício, muitos escritores optavam por escreverem por metáforas ou alegorias. Só assim chegaram até nós as suas obras. Entre muitos outros, temos o caso de Nostradamus com as suas famosas “Profecias”.

Felizmente que algumas bibliotecas guardaram exemplares dos livros considerados “heréticos” pois fazem parte da cultura humana. Devemos respeitar os seus autores, mesmo não concordando com eles.

Nos anos 30, com a chegada dos nazis ao poder, milhões de livros foram destruídos, por se considerar que não estavam de acordo com as premissas das doutrinas do partido. Foram efectuados inúmeros autos de fé, escritores foram presos, outros exilados, outros executados. Parecia que nada parava a sanha nazi. A cultura era pura e simplesmente abolida e uma nova “cultura” vinha ao de cima, para formatar as mentes dos alemães e restantes povos por eles dominados.

Portugal não ficou isento destas destruições. Até ao 25 de Abril, na vigência do chamado Estado Novo, nada era publicado (nem livros, nem artigos ou notícias de jornais, peças de teatro, entre outros) que não passasse pela censura, o famoso “lápis azul”.

Felizmente que houve sempre quem se opusesse à destruição dos livros e muitos foram salvos por pessoas que tudo fizeram para que as gerações futuras os pudessem ler.

Mas talvez o mais chocante foi o que se passou em 2019, (há apenas dois escassos anos) entretanto só agora revelado. Num país que achamos evoluído, o Canadá, cerca de 30 escolas católicas depuraram as suas bibliotecas de cerca de 5000 títulos que consideraram ofensivos para com os povos indígenas. Algumas dessas obras, imortalizadas pela banda desenhada tais como o Tintim, Lucky Luke e Astérix, foram pura e simplesmente depuradas.

Não se pode mascarar a história. Os povos indígenas da América do Norte (EUA e Canadá) foram chacinados sem dó nem piedade. Os acordos celebrados entre eles e os “brancos” foram a maior parte das vezes violados por estes.

Não se pode sonegar da história que houve escravatura. Houve massacres. Houve o holocausto. Houve e há o racismo e o apartheid. E muitas outras coisas.

Não se pode apagar na Bíblia aquilo que Deus orientou pelo Espírito Santo para que fosse escrito, mesmo os textos mais tristes e dolorosos. O que aconteceu, aconteceu. Não se pode branquear.

O homem escreve ou reescreve a história à sua maneira. É parcial e encobre as situações menos boas. Mas com Deus é diferente.

Em 1821 um poeta alemão chamado Heinrich Heine vaticinou “aqueles que queimam livros, acabam cedo ou tarde por queimar homens”. Infelizmente é uma verdade. Muitos escritores/autores de livros pagaram, e pagam, com a sua vida a coragem de escreverem fora da caixa, fora da formatação. Hoje, em pleno século 21, as coisas não estão assim tão diferentes. No ocidente, em geral, existe liberdade de expressão e pensamento. Mas na grande maioria dos países de África e do oriente isso não existe.

Existem, entre os vários que falam deste assunto, dois livros que abordam a destruição dos livros como principal tema. São minuciosos e no caso do primeiro (não ficção) está devidamente bem documentado. É a “Historia Universal da Destruição dos Livros” de Fernando Baez.

O outro livro, de ficção (será?), é “Fahrenheit 451” de Ray Bradbury. O tema deste livro é o trabalho dos bombeiros que em vez de apagar fogos, pelo contrário, ateiam fogos para destruir livros e respectivas casas e proprietários.

O que incomoda não deve ser caso de destruição, mas sim de reflexão.


Irmão Tomaz Correia





Leia A Bíblia e  ‘O Grande Evangelho de João



“A Luz Completa

Mas, quando vier aquele Espírito de verdade, ele vos guiará em toda a verdade; porque não falará de si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido, e vos anunciará o que há-de vir.” (Evangelho de João 16:13) Eis a razão, porque agora transmito a Luz Completa, para que ninguém venha a desculpar-se numa argumentação errónea de que Eu, desde a minha presença física nesta terra, não Me tivesse preocupado com a pureza integral de Minha doutrina e de seus aceitadores. Quando voltar novamente, farei uma grande selecção e não aceitarei quem vier escusar-se. Pois todos os que procurarem com seriedade acharão a verdade.

(O Grande Evangelho de João – volume I –)


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