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Novembro 2021


93-Ano XXVIII-AVB-NOVEMBRO de 2021
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Ano XXVIII - Nº 93


Neste Boletim:



  • O Filho Pródigo

  • Dádivas do Céu

  • Excertos d’O Grande Evangelho de João

  • Um Pouco de História…





Disse Jesus:

Está escrito nos profetas:

Todos serão instruídos por Deus. Todo aquele que ouviu e aprendeu

do Pai vem a Mim.

(Evangelho de João 6:45)




FILHO PRÓDIGO


Os textos seleccionados para este boletim giram à volta do Filho Perdido, ou como é denominado ma Escritura – O Filho Pródigo; este acontecimento real de projecção eterna é-nos apresentado por Jesus como uma parábola, mostrando primeiramente a rebeldia, seguida da ponderação, através do amadurecimento pelas lutas e finalmente o arrependimento e desejo de reconciliação com Deus.

Sempre foi propósito do Senhor ter filhos obedientes, gozando todo o bem que Ele colocou à sua disposição, mas em total liberdade de escolha.

Na parábola, está subjacente a atitude do chamado filho pródigo, tal como foi contada por Jesus (Lucas 15:11-32) e sobejamente conhecida; por tal razão achamos desnecessário fazer qualquer citação bíblica.

Para analisarmos o nosso comportamento perante as dádivas de Deus, e como as desprezamos através das nossas escolhas erradas, é necessário lembrar algo que aconteceu no passado longínquo.

Tudo remonta aos primórdios da Criação, quando Lúcifer, usando o seu poder imenso outorgado por Deus, rebelou-se, querendo seguir um caminho próprio. A Escritura é parca na descrição do conflito havido entre Deus e Lúcifer (“portador da luz”); no entanto, podemos deduzir algo do acontecido em dois textos da Bíblia – Isaías 14:4-20; Ezequiel 28:11-19. Mas é n’A Nova Revelação Viva que mais pormenores nos são revelados sobre este conflito, e estão descritos nos textos citados neste boletim.

Mais tarde, quando Deus cria Adão e o coloca no jardim do Éden, usufruindo com sua esposa Eva todo o bem que o Senhor lhes proporcionava, notamos como o pecado praticado por Lúcifer está bem presente na atitude desobediente deste casal. Grande foi o sofrimento causado a Deus, quando Adão errou o objectivo que o seu Criador tinha para ele.

Desçamos agora até ao nosso mundo, ao nosso dia-a-dia, e vejamos como infelizmente somos iguais, no nosso comportamento perante Deus.

Em determinada revelação, o Senhor aclarou este ponto, usando estas palavras sobre o crescimento de um filho: “A certa altura do seu crescimento, o filho começou a revelar-se aquilo que o pai nunca esperaria dele, pois entrou em caminhos obscuros.Esta rebeldia em cada um de nós, só acontece porque a Sua Palavra deixou de guiar os nosso passos e o temor do Senhor começou a afrouxar.

Existe desde sempre uma ordem a que o Pai chama “Ordem Divina” que deveríamos respeitar; esta ordem está em tudo: na disciplina do tempo, na escolha dos alimentos, no trato que damos ao nosso corpo e em tantas outras opções que fazemos na vida.

Conhecendo a nossa índole, o Pai sempre nos atrai para o caminho direito, que inicialmente delineou para nós, usando de toda a delicadeza, pois não é Seu desejo que ninguém se perca. Ele espera sempre que haja da nossa parte um arrependimento sincero. Diz a Escritura: Por isso o Senhor esperará, para ter misericórdia de vós, e por isso será exalçado, para se compadecer de vós, porque o Senhor é um Deus de equidade; bem-aventurados todos os que nele esperam. [1]

Esta espera da parte de Deus não é passiva, mas bastante activa em nossas vidas; pois como qualquer pai humano, Ele deseja chamar a atenção do filho e nem sempre os Seus alertas são agradáveis quando deixamos de ouvir a Sua Voz delicada. Daí a razão para o castigo, que é perfeitamente aceitável: Então o pai começou a corrigir o seu filho, castigando-o e retirando-lhe as coisas de que ele tanto gostava.

Esta é a forma de disciplina usada por qualquer pai para corrigir o seu filho ainda criança, retirar-lhe o brinquedo de que ele tanto gosta. Mas para nós que já não somos crianças espirituais e sim adultos no conhecimento de Deus, o “brinquedo” que nos é retirado é por demais sério.

Vejamos dois exemplos: Se o nosso afastamento de Deus é motivado pelos negócios, o Senhor pode levar a que haja uma falência e aí, nós, angustiados clamamos a Deus; se em outra situação o nosso afastamento de Deus é motivado por uma vida mundana, Ele, porque nos ama, poderá dar-nos uma enfermidade que limite os nossos movimentos. São muitas as situações que poderíamos enumerar, mas estas chegam para nos lembrar que o Senhor está atento. O salmista, trazendo para o seu cântico a própria experiência diz: Foi-me bom ter sido afligido, para que aprendesse os teus estatutos. (...) Bem sei eu, ó Senhor, que os teus juízos são justos, e que em tua fidelidade me afligiste. [2]

No âmbito da caridade são muitas as tarefas que o nosso Pai tem para nos entregar e para cuja execução Ele mesmo deu directrizes precisas. Mas o nosso comportamento voluntarioso e, em muitas circunstâncias, de trato difícil, tem levado o Senhor a usar de alguma cautela em nos chamar integralmente para o Seu serviço.

Algo tem de mudar em nós, e essa mudança forçosamente tem de acontecer após a correcção de erros que mais não são que desobediências à Sua Ordem. Daí, a necessidade de nos levar a uma vivência do Verbo de Deus, não de forma intelectual, mas através do verdadeiro Amor a Deus e ao próximo na acção.

Tal como o filho pródigo, temos de nos aproximar da casa do Pai reconhecendo as nossas falhas, pois só ali encontramos o verdadeiro aconchego e a “paz que excede todo o entendimento”, como Jesus disse. Se da nossa parte existir esse desejo sincero, Ele virá também ao nosso encontro: Achegai-vos a Mim e eu Me achegarei a vós.

Desta forma começaremos a valorizar a nossa posição de filhos de Deus, reconhecendo o nosso grande privilégio em detrimento dos chamados filhos dos homens; não que Deus faça acepção de pessoas, mas porque Ele sempre honra aqueles que voluntariamente desejam sujeitar-se à Sua Palavra.

Considerando estes dois tipos de pessoas, lembramos o que nos é dito sobre a diferença existente entre elas. Estes dois tipos de vidas - filhos de Deus e filhos dos homens - habitam em patamares bem diferenciados.

No passado, os filhos de Deus, descendentes de Sete, terceiro filho de Adão, habitavam nas montanhas e tinham uma vida simples, sadia e gozavam de grande longevidade; além desta bênção podiam dialogar com Deus, mantendo uma comunhão íntima com Ele (Génesis 5:1-32). Os outros, descendentes de Caim, chamados filhos dos homens, habitavam nas planícies, guerreavam-se, adoeciam e viviam pouco tempo; e a sua comunhão com o Criador era abafada pelo ruído do mundo que forjaram para si (Génesis 4:16-26). Poderíamos dizer: uns habitavam no Alto e outros habitavam rente ao chão.

Precisamente sobre estes dois patamares espirituais, o Pai numa revelação que nos transmitiu disse: Olhai: há duas videiras, uma deu uvas amargas e outra deu uvas doces; regai aquela que quereis ter.

Qual a videira que desejamos guardar para nós, mantendo-a viçosa e frutífera: aquela que nos pode levar à eternidade com Deus, ou a outra, que só nos causa problemas e nos afasta Dele?

Creio que a resposta não é difícil de dar; o difícil é perseverar na escolha sem desfalecer.

Que não haja em nenhum de nós receio de enfrentar o desafio, pois o nosso Deus nos dá a garantia de nunca faltar com a Sua ajuda, como atesta a Escritura: “Sejam os vossos costumes sem avareza, contentando-vos com o que tendes; porque ele disse: Não te deixarei, nem te desampararei. E assim com confiança ousemos dizer: O Senhor é o meu ajudador, e não temerei o que me possa fazer o homem.” [3]


Fraternalmente em Cristo.



Irmão Egídio Silva




[1] Isaías 30:18 [2] Salmos 119:71,75 [3] Hebreus 13:5.6.

DÁDIVAS DO CÉU




O FILHO PERDIDO


«Vós lestes no Meu Livro (Evangelho de Lucas: 15:11-32) a história do filho perdido, e tenho a certeza de que a lestes várias vezes na vossa vida. Eu afirmo-vos que não existe nada mais elevado, nada mais maravilhoso em todos os capítulos – sim, mesmo em todos os versículos do Livro Sagrado – do que a parábola do filho perdido.

Mas também sei que não existe nada tão difícil para vós, do que entendê-la correctamente. E isto por um motivo de grande importância e que agora deveis conhecer, pois é uma chave para a visão espiritual.

O motivo é o seguinte: Muitas vezes Eu vos falo, por intermédio do Meu Amor, coisas importantes e elevadas da Minha Sabedoria. Outras vezes, à luz da Sabedoria, Eu vos falo coisas do Meu Amor que parecem insignificantes. Prestai atenção, pois no primeiro caso só vos é dado o que conseguis suportar na vossa individualidade. No segundo caso vos são dados infinitos encobertos, porém nem sempre entendidos pelos finitos em evolução espiritual.

Vede, uma dádiva assim “tão insignificante” é a parábola do filho perdido. Sim, Eu vos digo que se soubésseis tudo o que existe neste "filho perdido", arcanjos viriam ter aulas convosco.

Eu já vos mostrei muitas coisas que estão acontecendo na actualidade na Terra, e podeis estar certos que Eu calei as maiores barbaridades. Eu vos mostrei o grande desprezo às leis e mandamentos em geral. Eu mostrei-vos as loucuras na Ásia, como também a barbárie na África e as atrocidades na América; claro só uma pequena parte das mesmas. Eu vos mostrei o tratamento dado aos criminosos, especialmente nas costas da Austrália. Eu também vos mostrei um país muito maltratado, a Sul, como este país era e como está sendo tratado na sua maior parte. Mas Eu tenho que chamar a vossa atenção com respeito a este país. Para este país, Eu tenho que chamar a vossa atenção. Quero que observeis este país com muito mais atenção, especialmente o que foi dito sobre ele. Em segundo lugar, quero que não tomeis o que foi dito sobre este país ao pé da letra, e a razão disto vos será dita a seguir. Também vos mostrei a situação tirânica em que se encontram alguns países-ilha, especialmente o Japão, e fiz referência a um país nórdico: a Rússia.

Eis como se encontram os assuntos no mundo. Isto não vos foi dito por Mim somente para que vísseis o que acontece no mundo. Pois isto e muitas coisas piores podereis ler e ouvir no futuro. A razão de Eu vos mostrar isto é para que consigais entender um pouco melhor o segredo do "filho perdido", para o vosso crescimento espiritual.

Vós estais a pensar: "O que tem o filho perdido a ver com a maldade do mundo?" E estais cheios de curiosidade para conseguir encaixar este "filho perdido" correctamente neste labirinto do mundo. Mas Eu vos digo: É mais difícil compreendê-lo, do que a passagem do camelo por uma agulha.

(…) Considerai que a maioria dos seres humanos são membros deste "filho perdido" e também o são todos aqueles que descendem da linhagem não abençoada de Adão (linhagem de Caim). Vê, estes homens dispersaram a fortuna a qual tinham direito por eras – para vossa compreensão, praticamente eternas e infinitas.

Pela parábola do filho perdido sabeis de sobejo como termina a sua história. Observai bem os acontecimentos do mundo e vereis o resultado final: Um destino final – claro que bem maior – mas igual ao do filho perdido.

O que dizeis a um doente cujos pés estão gelados e que tem gotas de suor frio na sua testa? Não é necessário ter conhecimentos médicos para profetizar: “Só mais algumas pulsações este pobre coitado ainda tem de aguentar”.

Em primeiro lugar, tocai os pés do "filho do perdido", no sul da Terra. Em segundo lugar, tocai a sua cabeça, no grande reino nórdico. Logo a seguir, colocai a vossa mão sobre o cansado coração religioso. Em verdade deveis ser mais cegos que o centro da Terra, se ainda tiverdes dúvida sobre o momento que está para acontecer.

Mas agora vai acontecer com a alma do filho perdido o que Eu vos ensinei sobre as almas dos que possuem visões. A sua grande miséria agora estende-se em amplas vibrações, e estas alcançam a casa paterna. E as vibrações amorosas começam a interagir com as vibrações cheias de medo. Eis a miséria do filho perdido.

A alma do filho perdido recebe estas vibrações calorosas, cheias de amor, que vêm da Casa do Grande Pai. Ela recebe estas vibrações Divinas, enche-se de coragem e volta para a sua casa apodrecida, elevando-a eternamente. Depois, repletoa de humildade e anulando totalmente a sua personalidade, retorna à casa paterna.

Mas o que acontece lá? Vede, os andrajos são-lhe tirados e queimados, pois somente o filho será recebido em casa.

Vede, agora tendes a totalidade do segredo do número da humanidade, profetizado e revelado diante dos vossos olhos. Se observardes na situação actual e nos acontecimentos que estão à vossa volta, deveis estar mortos se não perceberdes as vibrações misericordiosas e Divinas que estão a fluir sobre vós vindas da Santa Casa do Pai.

Vós também sois membros do filho perdido! Estendei a vossa alma ao máximo e deixai que o vosso espírito seja despertado na vossa alma. E, tal como fez o filho perdido, voltai com toda a vossa humildade ao Reino da Casa do Vosso Amado Pai. Em verdade, Eu vos digo: Ele virá ao vosso encontro na metade do caminho!

Vede, a época da Minha Misericórdia já está bem próxima, e é por isto que Eu vos dei o que necessitais, para reconhecerdes que esta época gloriosa está aqui, aquela época cantada pelos profetas, sim, aquela época predita pela Minha própria boca.

Por isso esperai só mais um pouco e alegrai-vos, com grande confiança e esperança. Pois em verdade a grande casa paterna aproximou-se de vós, muito mais do que conseguis imaginar.

Como reconhecer o filho perdido e todos estes sinais dos tempos, como é possível encontrar o "filho perdido" em cada pessoa, como o "homem grande" consegue ser vencido pelo “pequeno”? Isto, Meus queridos filhos, só vos será dito na hora derradeira. Amém.»




(Texto revelado a Jakob Lorber em 23 de Março de 1841)




***


EXCERTOS D’O GRANDE EVANGELHO DE JOÃO




A VOLTA DO FILHO PERDIDO


«A este Meu conselho, Cirénius indaga a respeito de Satanás, o seu fim e se era possível cogitar sobre a sua volta à Casa do Pai.

Eu dou-lhe a resposta audível no seu coração: “Todos os acontecimentos têm o seguinte objectivo: procurar aquele que se perdeu e oferecer remédio ao enfermo, considerando sempre a sua livre vontade; impedi-lo em seu livre arbítrio seria transformar a infinita Criação material e todos os seus elementos em pedra duríssima, incapaz de sentir a menor vibração de vida.

(…) Quando, porém, todos os planetas e sóis se tiverem transformado, nada mais sobrará “daquele”, a não ser o seu puro “eu” que, no completo abandono em épocas vindouras, se prontificará para a volta, caso não queira ser entregue ao eterno definhamento. Então não mais haverá Sol nem terras materiais, girando no espaço infinito, e sim, uma Nova e Maravilhosa Criação Espiritual, com seres felizes e livres, que preencherá o infinito e Eu serei o Deus e Pai de todos os seres, por toda a Eternidade. Haverá então um rebanho, um aprisco e um Pastor.

Porém, esta época jamais poderá ser determinada. Mesmo se Eu te desse a era precisa não a poderias assimilar, porquanto não te seria possível somar os anos, contando os grãos de areia do mar e da Terra, as ervas em todos os campos e matas, as gotas do mar, dos lagos e dos rios, das cascatas e fontes – a fim de determinar o tempo da salvação definitiva.

Por isso, satisfaz-te com o seguinte: Trata, antes de mais nada, da conquista do Reino de Deus e da Sua verdadeira justiça, que serás despertado por Mim após a tua morte para a vida eterna, e naquele Reino dos espíritos puros, mil anos passarão como se fora um dia.

E lá, Meu amigo, no Meu Reino cheio das maiores bem-aventuranças, com facilidade aguardarás aquilo que aqui te parece eterno. Por ora, nem tu nem um dos Meus discípulos podereis ser doutrinados em toda a Sabedoria dos Céus – somente depois, quando fordes baptizados, daqui a alguns anos, pelo Espírito Santo de Deus. Ele vos conduzirá a toda a Sabedoria Divina e verás então, numa Luz Completa, tudo aquilo que ora te parece tão incompreensível. Guarda o que te revelei, pois deverá ser segredo ainda por muito tempo.”

Cirénius assusta-se muito e diz, após alguma reflexão: Sem dúvida ouvi a Tua Palavra no coração; mas é preciso que a advertência final deva ser considerada tão rigorosamente? Não seria possível transmitir algo a pessoas honestas e devotas?

Digo Eu: Meu amigo, este conhecimento não prejudica quando é assimilado pela voz do espírito, como tu o acabaste de fazer, mas externamente recebido, seria de grande dano. Como e porquê – já te falaram os Meus anjos, portanto deixemos este assunto. Temos outras coisas que resolver para já, enquanto a tua pergunta toca a Eternidade.»



SOBRE A FEITIÇARIA


« (…) Digo-vos o seguinte: Amaldiçoado seja o feiticeiro! Jamais conseguiu uma boa acção pelo seu feitiço. Sempre prevalece a ganância e o domínio desmedidos, e estes espíritos receberão no inferno o seu prémio humilhante.

Diz Fausto: Senhor, não prevejo nada de bom para os muitos feiticeiros e magos no vasto Império Romano. Pois esta gente é lá considerada com honrarias divinas e consegue, com uma palavra, paralisar a vontade do imperador ou de um herói, e em caso contrário, animá-los de tal forma que as montanhas estremecem diante dos seus actos.

Digo Eu: Meu amigo, estes magos de atitudes semidivinas não passarão bem; sab