Buscar

Setembro 2021


91-Ano XXVIII-AVB-SETEMBRO de 2021
.pdf
Download PDF • 1.02MB

Ano XXVIII - Nº 91


Neste Boletim:






EIS QUE ESTOU À PORTA E BATO

Nos dois mandamentos do Amor, Jesus considera o primeiro Amar a Deus sobre todas as coisascomo primordial e aquele que deveria levar-nos a investir tudo de nós na sua concretização; o mesmo Jesus convida-nos também a colocar a busca das coisas espirituais como primordial nas nossas vidas, quando diz: Buscai primeiro o Reino dos Céus. Mas infelizmente o enredar das nossas vidas leva-nos a protelar estas duas solicitações Divinas para último lugar da nossa existência tão ocupada.

Amar a Deus é muito mais do que pensar Nele, pois isso a religião nos aponta e até tem formas de apaziguar a nossa consciência com momentos devocionais, orações e outros exercícios espirituais. Amar a Deus é conhecê-Lo no meio das circunstâncias e, reconhecendo-O, tomar a decisão de procurá-Lo até O encontrar. Temos um exemplo flagrante com o que aconteceu com dois discípulos de Jesus – Pedro e João - que conheciam muito bem o seu Mestre; após a morte de Jesus na cruz e já depois da Sua ressurreição, no meio de muita tristeza, todos os discípulos voltaram aos seus afazeres profissionais, pois para eles tudo havia terminado. Então Jesus começou a aparecer e a animar aqueles que outrora foram Seus discípulos. Pedro e João estavam entre eles e também foram visitados pelo Senhor (João 21:1-13), mas não o reconheceram de imediato. Mas depois do Senhor se haver retirado deles, João reconsiderou e tocado por um sentimento de amor, disse a Pedro: “É o Senhor”. Este é o sentimento que devemos ter para com o Senhor que nos procura a cada momento, pois ele só surge de uma intimidade que já tenhamos tido com Ele, como nos é lembrado nas palavras que seguem:

Pois ninguém consegue amar-Me, se não possuir o Meu Amor. O Meu Amor ninguém pode conseguir, a não ser de Mim mesmo; então quem tiver o Meu Amor também Me terá, pois Eu sou o Amor eterno em si.


É precisamente este apóstolo João que mais fala em seus escritos do amor e resume a índole do próprio Senhor, dizendo: “Deus é Amor”, e o próprio Jesus na Sua explicação sobre a Trindade divina, “reparte” aquilo que é uno, dizendo: Deus é o Amor; o Filho, Jesus é a Sabedoria e o Espírito Santo é a Força de ambos. Este Amor só se expande quando existe intimidade e também é a Escritura que nos demonstra isso com clareza, quando buscamos nela ensino e estímulo para praticarmos as realidades espirituais. Tomemos o exemplo dos dois discípulos que, como aqueles já citados, partiam para a sua aldeia de Emaús, desiludidos e desanimados (Lucas 24:13-35); só lhes foi despertado o amor ao Seu Senhor quando o constrangeram a entrar em sua casa, dizendo: Fica connosco, porque já é tarde, e já declinou o dia. Este pedido e as palavras sequentes são proféticas para nós nos dias de hoje.

- Fica connosco”: mostra a urgência em buscarmos a companhia do Senhor e a Sua intimidade;

- Porque já é tarde: identifica os dias actuais, em que de forma rápida se aproxima o julgamento final para a Humanidade, pois está chegando A Nova Jerusalém, personificada pelo surgimento da Nova Terra e do Novo Céu (Apocalipse 21:1);

- “E já declinou o dia”: com o declínio do dia começam a surgir as sombras da escuridão e depois a escuridão completa, a noite; espiritualmente isto já é uma realidade e somente aqueles que têm luz própria conseguem caminhar na noite espiritual, conforme o alerta do Senhor na parábola das virgens, umas chamadas de loucas e outras de prudentes. (Mateus 25:1-13)

Em outra passagem que destacamos da mensagem do Senhor, Ele nos alerta para termos em atenção que a Sua porta nem sempre se encontra aberta, e também nem sempre Ele bate à nossa porta pedindo licença para entrar.

São dadas imensas oportunidades aos homens para ouvirem a Voz do Senhor através das muitas formas que Ele se manifesta; seja por uma chamada interna, a que chamamos consciência, seja por sinais externos ou circunstâncias da vida, seja até pelos próprios sinais no planeta doente; todos eles são “abanões” para despertarmos da nossa sonolência. Mas tudo tem um tempo e o nosso Deus é por demais delicado para forçar alguém a tomar uma atitude através de coacção, conforme diz a Escritura: Porque assim diz o alto e o sublime, que habita na eternidade, e cujo nome é santo: Num alto e santo lugar habito, e também com o contrito e abatido de espírito, para vivificar o espírito dos abatidos, e para vivificar o coração dos contritos. Porque para sempre não contenderei, nem continuamente me indignarei, porque o espírito perante a minha face desfaleceria, e as almas que eu fiz. [1]

Precisamente porque Deus, através do Seu Espírito, não contende para sempre connosco, devemos prestar atenção às muitas vezes em que somos despertados do nosso comodismo espiritual e de imediato tomar as decisões certas, pois também a mesma Escritura nos faz essa advertência com seriedade: Portanto, como diz o Espírito Santo, se ouvirdes hoje a sua voz, não endureçais os vossos corações …[2]

Para que possamos criar um ambiente espiritual em nossas vidas e nas comunidades em que porventura estejamos inseridos, devemos prestar atenção às palavras que se seguem, retiradas do texto que incluímos neste número:


Considerai, pois, que Eu nem sempre abro a porta e entro na casa. Muitas vezes Eu aguardo à porta. Se Eu escuto assuntos que Me agradam, então Eu entro. Quando isto não acontece, Eu deixo as marcas dos Meus passos na poeira, ao afastar-Me.


Nos dias actuais, envolvidos em paradoxos enormes, em que a riqueza coexiste com a maior pobreza e indigência, em que as catástrofes destroem bens e vidas e ao mesmo tempo as pessoas buscam o seu bem-estar e conforto, em que há avisos de que algo surgirá, mas ao mesmo tempo as pessoas fazem planos para as suas existências terrenas como se estas fossem perdurar por tempo indefinido, e em que a mornidão espiritual é flagrante, façamos parte daqueles que ainda ouvem a Voz de Jesus através da Sua palavra vivificada pelo Seu Espírito; para que isso aconteça, “compremos” o necessário para estarmos de acordo com a Sua vontade e convidemo-Lo a entrar na intimidade dos nossos aposentos: Aconselho-te que de mim compres ouro provado no fogo, para que te enriqueças; e vestidos brancos, para que te vistas, e não apareça a vergonha da tua nudez; e que unjas os teus olhos com colírio, para que vejas. Eu repreendo e castigo a todos quantos amo; sê pois zeloso, e arrepende-te. Eis que estou à porta, e bato; se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e com ele cearei, e ele comigo.[3]


Fraternalmente em Cristo.


Irmão Egídio Silva




[1] Isaías 57:15-16 [2] Hebreus 3:7-8 [3] Apocalipse 3:18-20


DÁDIVAS DO CÉU




A VINDA DO PAI JESUS


«Resposta do Pai para o Seu servo:

Escreve, pois, umas poucas palavras que devem anunciar a Minha chegada ao vosso meio. Pois, se Eu chegar como Pai, Eu o faço no mais profundo silêncio do coração. Os Meus trovões só anunciam a aproximação de Deus e os tormentos do grande e implacável Juiz, como todas as criações enormes anunciam o poderoso e grande Criador e Senhor de tudo.

Mas no momento em que começardes a sentir nos vossos corações o suave amor por Mim, o vosso santo e bondoso Pai, podeis estar certos de que Eu estarei por perto. Pois ninguém consegue amar-Me se não possuir o Meu Amor. O Meu Amor ninguém pode conseguir, a não ser de Mim mesmo; então quem tiver o Meu Amor também Me terá, pois Eu sou o Amor eterno em si.

No momento em que o Meu Amor estiver convosco, então Eu também estarei convosco. E tudo o que fizerdes no Meu Nome, vós o fazeis no Meu Amor. Mas se o fazeis no Meu Amor, vós o fazeis por Mim. E quem estiver em Mim e actuar em Mim, com este Eu também estarei.

Se vós Me convidardes para juntar-Me a vós, será que Eu não faria o que o vosso coração tanto deseja? Então consultai os vossos corações, e o vosso amor vos dirá se e quando Eu estou junto a vós.

Vede, Eu sou aquele que segue o amor até ao fim de todos os mundos. Por isso amai e tende fé, que Eu estarei no vosso meio e em vós, o que vos confirmará o grande consolo nos vossos corações.

Mas quando Eu chegar a vós, não deveis ocupar os vossos estômagos com comilâncias e entupir os vossos ouvidos com conversas mundanas. Porém conversai como o faziam os dois discípulos no caminho de Emaús, e vós compartilhareis da mesma alegria. Mas se agirdes como tolos sem compreensão e sem amor, então o Santo Pai não conseguirá ficar convosco por muito tempo.

Abandonai o mundo, e deixai que ele seja como é, pois Eu sou muito mais que todo o mundo. Deixai que os governantes sejam como eles são, pois Eu sou muito mais do que eles. Deixai que as meretrizes sejam como elas são, cheias de infidelidade nos seus corações, pois o Meu Amor é mais suave, mais fiel, mais aconchegante do que o de todas estas mulheres mundanas sem valor algum. Em verdade, nenhuma jovem tem mais o amor nestes dias. Ela ama no homem somente o que ele possui. Aquilo que é para o interior do ser humano ela não dá um centavo, muito menos o seu amor-próprio poderoso e orgulhoso.

Deixai que os cientistas sejam o que são, pois a Minha graça revela infinitamente mais do que todos os inúmeros estudiosos. Deixai que a igreja material seja como ela é e tomai como exemplo a aranha. Quando há bom tempo, ela estende os seus fios, para caçar todo o tipo de insectos e para satisfazer o seu enorme estômago. E quando se aproxima um tempo mau, este animal tudo faz para evitar a destruição da sua teia de poder, mas os ventos que vêm do Alto e a chuva torrencial dão um fim a este seu covil mortífero.

Observai o que acontece na actualidade, e Eu vos afirmo que em pouco tempo vereis a veracidade do que Eu digo. Mas Eu Me encontro muito acima e muito mais profundamente do que todas as igrejas juntas. Por isto olhai-Me, vós, que já Me conheceis um pouquinho nos vossos corações. Então os vossos ouvidos não mais serão incomodados com o ranger de dentes das igrejas, pois o puro Amor – que é a única igreja verdadeira, pela fé viva e pela palavra viva – este não range os dentes.

Evitai todas estas coisas por amor a Mim e considerai-Me como o vosso verdadeiro e fiel amigo; como aquele noivo que quer ir embora cedo demais, mas quando se apronta para partir, vê como a sua amada o abraça cheia de amor. Então ele retorna e não sai da casa antes de ter confortado a noiva completamente. Pois bem, fazei vós também como a noiva dedicada. Não deseja o esposo também ouvir da sua amada uma palavra de carinho, antes de entrar no seu lar? Ao ouvir esta palavra ele fica pleno de alegria e ansioso por estar com ela. E quando assim estiver, dirá como fizeram Pedro e Jacó: “Senhor, como é bom estar aqui.”.

Mas se ao chegar ele encontrar a amada em conversa fútil com outros, ou então discutindo com alguém, ou até dizendo palavras carinhosas a outro, então o esposo “se afastará”.

Considerai, pois, que Eu nem sempre abro a porta e entro na casa. Muitas vezes Eu aguardo à porta. Se Eu escuto assuntos que Me agradam, então Eu entro. Quando isto não acontece, Eu deixo as marcas dos Meus passos na poeira, ao afastar-Me.

Se quereis que Eu seja o vosso hóspede, agi como é do agrado do hóspede, que então Eu entrarei. Mas no momento em que Eu entrar nas vossas casas (corações), não deixeis que Eu novamente vá embora, mesmo que Eu vos diga que realmente tenho que partir. E em verdade, se fizerdes o que for correcto e certo, então Eu ficarei convosco agora e para sempre.

Ouvi bem, somente no íntimo dos vossos corações cheios do mais puro amor é que vós reconhecereis que o tal Hóspede é o vosso santo e bondoso Pai, que veio para permanecer, junto com o seu Reino, no vosso meio. Amém.

Isto falo Eu, o ilustre hóspede, como vosso amado e santo Pai. Amém.»



(Texto revelado a Jakob Lorber em 15 de Março de 1841)



EXCERTOS D’O GRANDE EVANGELHO DE JOÃO



A NATUREZA DOS METEOROS E COMETAS


«A poucos passos distantes da casa, um enorme meteoro, vindo do Norte, passa por cima de nós numa velocidade tamanha que necessita apenas de alguns momentos para correr de um ponto ao outro do horizonte. Lázaro, um tanto supersticioso, diz agitado: Senhor, isto é mau sinal!

Respondo Eu: Como?

Diz ele: Uma lenda antiga explica tais fenómenos do seguinte modo: Se em qualquer ponto da Terra morre um malfeitor, a sua alma é agarrada por sete demónios, impelindo-a pelo Espaço. O seu pavor e sofrimento são tamanhos que suporta tudo, e como pertence ao inferno mais tenebroso, o rompimento das suas inclinações se apresenta como fogo. Tal detrito demoníaco e infernal torna pestilento o ar, e quando cai por terra, as desgraças se revezam e são precisas muitas oferendas e orações para se purificar tal mancha no solo. Assim soa a lenda. Não a considero verdade; entretanto, não é fácil a pessoa desfazer-se de certas coisas assimiladas pelo leite materno, como se diz. Senhor, o que há de real neste fenómeno?

Respondo: Não há o menor vestígio de verdade nessa lenda; o facto em si é real, de contrário, não surgiria. Presta atenção, que te darei uma explicação prática.

Eis uma pedra. Se alguém fosse capaz de atirá-la com tamanha violência que num minuto ela voasse cem horas, o forte atrito atmosférico faria com que ela se tornasse incandescente qual aço em estado líquido. O próprio ar cortado pela pedra inflamar-se-ia, formando uma cauda luminosa, mas que em breve esfriaria, desaparecendo conforme viste neste meteoro. Tal cauda não é o detrito de uma alma nas garras de um demónio, e sim o ar aquecido pela velocidade da pedra. A fim de que o possas compreender melhor, tomo esta pedra e através do poder da Minha vontade a farei girar numa velocidade enorme e, em seguida, a conduzirei para cá; assim poderás livrar-te da tua superstição infantil.

Tomo, pois, a pedra de dez libras, faço-a girar rapidamente pelo ar, dando-lhe maior brilho do que o produzido pelo meteoro verdadeiro; e quando cai aos nossos pés está tão incandescente como aço derretido, emanando calor quase insuportável. Um pedaço de pau atirado em cima queima imediatamente.

Em seguida, viro-Me para Lázaro, entontecido: Eis, Meu irmão, a alma perversa e “presa de sete demónios”; em poucas horas estará fria. Acaso o teu intelecto jamais te disse ter o sacerdócio, em todas as épocas, aproveitado em seu benefício os fenómenos extraordinários da Natureza? Eclipses lunares e solares, cometas, tempestades devastadoras, aparições luminosas no ar e outros acontecimentos, ele procurava explicar como maus sinais do Céu, organizando prontamente oferendas e orações. Isto já se ensinava às crianças, e quando surgia qualquer caso excepcional, o povo amedrontado consultava os sacerdotes que inventavam o que lhes agradava. Percebes a trama?

Responde Lázaro: Agora, sim; anteriormente não me passou pela cabeça. Agradeço-Te, Senhor, pois sei o que esperar destes mistificadores. E os cometas – não são realmente anunciadores das guerras?

Digo Eu: Sim e não. Sim, porque o povo nisto acredita, e os anjos escolhem sinal tão inocente para demonstrar aos homens desregrados à permissão de um julgamento. Se eles renovarem a sua fé e fizerem penitência, o cometa não será seguido de guerra; não se regenerando, ele virá como precursor de males maiores. Os cometas em si nada mais são que futuros planetas, no que evoluem sucessivamente dentro do Plano divino, e não como anunciadores de guerra.

Admites Deus também poder criar um mundo, momentaneamente. Em tal caso, porém, não haveria ordem em Deus, tampouco numa criação projectada de tal forma. Ele só cria mundos dentro da Sua Ordem, surgindo tudo sucessivamente, formando-se uma unidade, da multiplicidade dos pensamentos e ideias divinas.

Tal cometa representa um grande julgamento para certos espíritos que, pouco a pouco, são obrigados a consolidar-se, até finalmente formarem uma massa multicor, dentro do Espaço e Tempo. A formação da matéria, visível e concreta, chama-se o envoltório de potências espirituais, de certo modo o julgamento do qual, em épocas extensas, os espíritos presos na matéria podem alcançar a sua independência vital. Por serem os cometas julgamentos em formação, a sua influência é de acordo, durante a sua aproximação de um planeta de há muito criado; ou é pelos anjos de Deus aproveitado para tal fim, despertando um julgamento, mormente pela instigação das criaturas entre si – isto é, quando se esquecem de Deus, julgando-se elas mesmas divinas. Já sabes, pois, o que pensar dos cometas e podemo-nos afastar daqui. Terias, talvez, mais uma pergunta a fazer?

Responde ele: Senhor, apenas mais duas explicações para completar o meu conhecimento. Primeiro, onde se originam os meteoros e quem os atira com tamanha violência no ar; segundo, para onde vão ao se tornarem invisíveis?

Digo Eu: Os meteoros têm duas causas: Podem ser efeito de explosão solar; pois o Sol é milhão de vezes maior do que a Terra e na sua superfície sucedem, por vezes, erupções mais violentas do que na Terra. Em tal ocasião é lançada ao Espaço grande quantidade de massas soltas e concretas, grandes e pequenas, numa violência inimaginável para ti, e algumas também se aproximam da Terra. Tão logo entrem na região atmosférica, tornam-se luminosas e visíveis como estrelas cadentes. Chocando-se com a camada mais compacta do ar, a sua velocidade é barrada e atraída à Terra pelo peso da sua matéria, caindo automaticamente no solo, seco ou húmido – este em muito maior extensão neste planeta.

Eis a espécie mais frequente dos meteoros surgidos no planeta Terra. Outra, mais rara, conforme acabamos de assistir, forma-se na própria Terra. Nas extensas cordilheiras existem montanhas em ligação com o interior do planeta, através de certos órgãos, enormes, dos quais recebem alimento que, paulatinamente alcança uma fermentação violenta. Ela preenche os vácuos colossais com gases incendiáveis, quando imprensados. Tão logo se inflamam, destroem as partes menos sólidas das montanhas e, quais massas incandescentes, rompem-nas, atirando bólides soltos com a correspondente violência, em qualquer direcção, às vezes a centenas de horas de distância. Lá caem por terra, sem o menor dano para ela.

Nas proximidades de um vulcão é comum a observação de tais fenómenos. Aqui só chegam meteoros do Cáucaso, casualmente expelidos nesta direcção. Além disso, tinham que se encontrar em estado incandescente no momento da explosão, pela qual venceram o ar obstrutivo, através do voo rápido, imediatamente se tornando mais leve.

Expliquei o assunto de modo racional; não te posso fornecer orientação espiritual, porquanto não a entenderias; quando espargir sobre vós o Espírito Santo, Ele vos levará à sabedoria total. Agora está em tempo de entrarmos, pois as tuas irmãs nos chamam.

Jantamos com boa disposição. Alguns discípulos indagam o que havíamos feito tanto tempo ao ar livre.

Respondo: Aquilo que vós não fizestes; foi de maior importância do que a discussão acerca da personalidade, efectiva ou não, de Belzebu.»



A NATUREZA DOS COMETAS


«Manifesta-se Lázaro: Senhor, ultimamente deste explicação sobre muitos assuntos sobre o Universo. Eu havia feito uma pergunta a respeito dos cometas tão temidos pelo povo e a resposta não foi dada, certamente por motivos mui sábios. Poderias fazê-lo agora?

Digo Eu: Dentro da Minha Ordem Eterna não existe fruto que amadureça de uma só vez; assim também não há Sol central e Sol planetário, tampouco planetas que surgissem de imediato. Tudo se dá pouco a pouco, pois Deus não necessita apressar-Se tendo eternidades de sobra para tanto – muito embora não fosse impossível, Ele projectar tanto os sóis quanto os planetas em um momento.

Um cometa é um sol em evolução a formar-se no Espaço infinito através da substância luminosa que se cruza e condensa, começando a passar do elemento inicialmente espiritual ao material, e após eras inconcebíveis forma-se um sol